<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632</id><updated>2011-04-21T16:04:30.943-03:00</updated><title type='text'>UmZe</title><subtitle type='html'>Um contador de casos do cotidiano de todos nós.
Nascido em Madureira, subúrbio do Rio de Janeiro.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://umze.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>94</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-3114040783919171374</id><published>2008-01-29T23:23:00.000-02:00</published><updated>2008-01-29T23:30:50.825-02:00</updated><title type='text'>Malícia das Mulheres</title><content type='html'>Fullana chegou apressada e com a intimidade sedutora que já dispunha com o comerciante disparou: &lt;br /&gt;- Meu amor, você tem carne de cabra?&lt;br /&gt;Com aquele “meu amor” o açougueiro arranjaria a carne da tal cabra de qualquer forma e não foi diferente. Mais tarde mandou entregar o corte solicitado na residência da sua cliente especial.&lt;br /&gt;De posse do corte, postou-se na cozinha, sacou sua faca mais afiada e fatiou com carinho. Pegou os escalopes com suas leves mãos reservando-os em um prato branco. Um fio de sangue escorreu entre os finos dedos e acelerou pelo antebraço  num prenúncio estranho. Fullana não se incomodou. Limpou-se primeiro com a língua e depois com um pano de prato.&lt;br /&gt;De um recipiente coberto com um pano branco retirou algumas folhas que haviam adormecido no sereno de uma lua minguante e já estavam devidamente secas. Piper Capense, Dendezeiro e apenas uma folha de Mimosa Pudica também conhecida como Malícia-das-Mulheres, a cara de Fullana, ingrediente fundamental na receita que recomendava cinco folhas. Triturou pacientemente as folhas ao som do Prelúdio nr. 10 em Mi menor de Bach. Colocou seu axé e sem pressa peneirou-as para aproveitar o pó mais fino. Delicada, como sempre. &lt;br /&gt;Esperou pacientemente seu querido chegar e beijou-o calorosamente sem antes desconfiar do novo aroma que trazia. Sem comentários e com a mesma aparente displicência de sempre temperou a carne com sal, um pouco de dendê e o pó. Fritou-a em deliciosos e suculentos bifinhos. Serviu quente, com outras folhas menos suspeitas, para deleite do seu amado. Recebeu elogios pela iguaria exótica.&lt;br /&gt;- Você faz mágicas na cozinha, parece uma bruxa que só faz coisas boas.&lt;br /&gt;Fullana presenteou-o com seu sorriso leve e desconcertante enquanto seus olhos brilhavam num convite ao amor. Amaram-se e dormiram.&lt;br /&gt;Pelo meio-dia Fullana raspa as pernas com a tranquilidade de um personagem de Grimble, sentada num banco da varanda, enquanto ouve seu companheiro dissolver-se em vômitos no banheiro. Era apenas o começo de uma longa semana onde a cena se repetiria muitas vezes levando-o a um quadro digno de pena. Perdeu peso, só bebeu líquidos e teve vontade de morrer, naqueles dramas que só os homens sabem fazer quando estão mal. &lt;br /&gt;Após o sétimo dia sente-se melhor, bem melhor, embora enfraquecido. Fullana afaga-lhe a cabeça e sussurra como a um neném:&lt;br /&gt;- Não vai trabalhar, meu querido?&lt;br /&gt;- Estou melhor, mas não sei se estou em condições.&lt;br /&gt;- Pode ir tranqüilo, já passou.&lt;br /&gt;- Como você pode saber?&lt;br /&gt;- Dessa vez te botei para vomitar uma semana, da próxima vez que você aceitar jantar a negócios com aquela bandida do escritório vai vomitar o resto da vida, até morrer. &lt;br /&gt;No armário assegurou-se de que o livro de receitas africanas estava guardado em segurança. O marcador delimitava a página com o título “Receita para Homem Enjoar de Mulher”. Ela não teve coragem desta vez e usou apenas parte da receita. Mas só desta vez.&lt;br /&gt;Beijou-o na teste a saiu para sua caminhada matinal sem nenhum remorso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-3114040783919171374?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/3114040783919171374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/3114040783919171374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2008/01/malcia-das-mulheres.html' title='Malícia das Mulheres'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-6212031831466255091</id><published>2008-01-21T23:49:00.000-02:00</published><updated>2008-01-22T00:20:37.507-02:00</updated><title type='text'>Retorno e Faxina</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/R5VRQYcZEGI/AAAAAAAAABs/xqvAU3-XeV4/s1600-h/foto_366.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/R5VRQYcZEGI/AAAAAAAAABs/xqvAU3-XeV4/s320/foto_366.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158118290104062050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/R5VRQocZEHI/AAAAAAAAAB0/N4xvVAvw8J4/s1600-h/foto_380.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/R5VRQocZEHI/AAAAAAAAAB0/N4xvVAvw8J4/s320/foto_380.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158118294399029362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/R5VRQocZEII/AAAAAAAAAB8/Pw4bafnFsUQ/s1600-h/foto_594.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/R5VRQocZEII/AAAAAAAAAB8/Pw4bafnFsUQ/s320/foto_594.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158118294399029378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Destesto faxina, mas elas são necessárias.&lt;br /&gt;Vamos lá pessoal! Escolham a vassoura para dar uma ajudinha.&lt;br /&gt;Com o tempo e limpeza as baratas somem dos ambientes e da vida.&lt;br /&gt;O blog vai mudar também. Um pouco mais de crônica, política, mas com Fullana e outras "meninas", sempre.&lt;br /&gt;Estou na área, em verde, branco e vermelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-6212031831466255091?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/6212031831466255091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/6212031831466255091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2008/01/retorno-e-faxina.html' title='Retorno e Faxina'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/R5VRQYcZEGI/AAAAAAAAABs/xqvAU3-XeV4/s72-c/foto_366.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-7047512197477067252</id><published>2007-08-12T21:20:00.000-03:00</published><updated>2007-08-12T21:22:37.994-03:00</updated><title type='text'>Isto Aqui Está Entregue...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rr-kGtYVM9I/AAAAAAAAAAo/HHbzPtPMJwg/s1600-h/barata.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rr-kGtYVM9I/AAAAAAAAAAo/HHbzPtPMJwg/s400/barata.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097973738374509522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-7047512197477067252?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/7047512197477067252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/7047512197477067252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/08/isto-aqui-est-entregue.html' title='Isto Aqui Está Entregue...'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rr-kGtYVM9I/AAAAAAAAAAo/HHbzPtPMJwg/s72-c/barata.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-5547833689817462386</id><published>2007-06-11T11:09:00.001-03:00</published><updated>2007-06-11T11:15:57.709-03:00</updated><title type='text'>De Coração</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rm1XyHDLbRI/AAAAAAAAAAY/y51od8kLu9g/s1600-h/torcida2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rm1XyHDLbRI/AAAAAAAAAAY/y51od8kLu9g/s320/torcida2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5074808873513872658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como li recentemente no jornal: "A torcida do Fluminense é mais bonita que mulher pelada". É machista, mas é uma pérola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou Tricolor de coração,&lt;br /&gt;Sou de um Clube tantas vezes campeão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fluminense me domina,&lt;br /&gt;eu tenho Amor ao Tricolor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rm1YdXDLbSI/AAAAAAAAAAg/lOQ4QK2QbwY/s1600-h/poster1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rm1YdXDLbSI/AAAAAAAAAAg/lOQ4QK2QbwY/s320/poster1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5074809616543214882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso dizer mais?&lt;br /&gt;Dá-lhe Nense!!!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-5547833689817462386?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/5547833689817462386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/5547833689817462386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/06/de-corao.html' title='De Coração'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/Rm1XyHDLbRI/AAAAAAAAAAY/y51od8kLu9g/s72-c/torcida2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-7064834273108041997</id><published>2007-04-19T16:59:00.000-03:00</published><updated>2007-04-19T17:04:18.054-03:00</updated><title type='text'>Suzi, o Preto e o Vermelho</title><content type='html'>Suzi é uma menina levada, falante e alegre! Bonita, tem nome de boneca e alma de personagem de fábulas. Suzi é vibrante nas defesas de suas paixões, embora defesas de paixões exijam um certo grau de ..., digamos, paixão.&lt;br /&gt;Suzi é rubro-negra. Torcedora apaixonada do Flamengo. Tem defeitos, é certo. &lt;br /&gt;Sempre, na defesa apaixonada do seu clube de coração, enaltece os títulos conquistados e demonstra sua confiança em novas vitórias.&lt;br /&gt;Lembranças de Suzi ocorreram recentemente quando recebi uma pesquisa que, a partir dos resultados, me surpreendeu no que se referia à quantidade de títulos que o clube do coração de Suzi possuia. Possivelmente um dos clubes que mais possui títulos no mundo.&lt;br /&gt;Segundo a pesquisa, restrita a títulos no território nacional, o Flamengo teria 4 títulos nacionais, 28 títulos cariocas, 5.244 títulos protestados na Justiça Civil, 1.657 títulos protestados na Justiça Federal e 14.643 títulos protestados nos Cartórios de Títulos e Documentos. Alguma coisa perto de 21.000 títulos, fora SPC, SERASA, etc... Um campeão!&lt;br /&gt;Imaginei que, na vibração de sua defesa, poderia Suzi contestar os números com argumentações jurídicas muito justas ante a sua evidente competência. Não caberia ao autor contendas, por entender as defesas apaixonadas às quais a alma humana é capaz de entregar-se.&lt;br /&gt;Suzi não gosta de ocupar o coração com coisas pesadas. Sua alma é leve e saberá manter seu coração em preto e vermelho. Mesmo nas derrotas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-7064834273108041997?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/7064834273108041997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/7064834273108041997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/04/suzi-o-preto-e-o-vermelho.html' title='Suzi, o Preto e o Vermelho'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-117612400441693833</id><published>2007-04-09T09:44:00.000-03:00</published><updated>2007-04-09T10:06:44.426-03:00</updated><title type='text'>Por onde anda...</title><content type='html'>Alguns leitores fiéis têm me perguntado sobre Fullana Maria.&lt;br /&gt;Fullana é fascinante porém volátil.&lt;br /&gt;Desde sua última aparição, o que sei é que alguns textos e a própria Fullana estão guardados em uma gaveta, no Cemitário do Cajú.&lt;br /&gt;Mortum est?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-117612400441693833?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117612400441693833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117612400441693833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/04/por-onde-anda.html' title='Por onde anda...'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-117543871432650235</id><published>2007-04-01T10:48:00.000-03:00</published><updated>2007-04-01T19:03:00.923-03:00</updated><title type='text'>Primeiro de Abril</title><content type='html'>Não! Não é coisa de Primeiro de Abril, o nosso(?) Ministro do Trabalho afirmar que "ninguém encontrou nada que agredisse a minha honra... Não sou corno e não tenho paixão por pessoa do mesmo sexo". Pois é, não bastasse a luta dos homosexuais contra a discriminação, agora os pobres cornos terão que levantar bandeiras, sairem no covarde anonimato e lutarem para mostrarem-se honrados. Ingrata essa situação dos cornos, que foram classificados nessa categoria por atos de terceiros, seus parceiros, e por vezes independente de vontade própria. Tanto homosexuais quanto cornos parecem cidadãos rebaixados uma segunda categoria por terem a honra agredida, segundo o Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não é coisa de Primeiro de Abril, a nossa Ministra da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Social, olhem bem o nome da Secretaria, ter afirmado que "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco". Falou ainda e açoitamento e escravidão. Qual será a promoção de igualdade racial que pretende a ministra (com "m" mesmo)? Será que pretende colocar brancos no tronco como meio de solução? Será que pretende transformar Joinville numa grande senzala? Tudo institucionalizado pelo Governo. Quanta ignorância e preconceito! Não é de se esperar que, a partir de citações como essa, existam perspectivas de soluções ao assunto vindas dessa secretaria ou de qualquer outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não é coisa de Primeiro de Abril que este Umzé voltou a escrever e irá manter este blog. Sim, é verdade! Acreditem! Não sou ministro. Não é coisa do dia da mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos amigos homosexuais, posso ser solidário quanto à honra. Sou negro, branco e índio porque sou brasileiro, nunca açoitei ninguém (erotismos à parte), já fui corno e minha honra vai muito bem, obrigado. &lt;br /&gt;Quanto aos ministros, bem, eles são o próprio primeiro de abril.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-117543871432650235?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117543871432650235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117543871432650235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/04/primeiro-de-abril.html' title='Primeiro de Abril'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-117079413854875061</id><published>2007-02-06T18:33:00.000-02:00</published><updated>2007-02-06T18:47:54.616-02:00</updated><title type='text'>O Antes e o Tudo</title><content type='html'>Antes de vestir-se beijou-o com doçura. Doçura tranqüila que só os saciados conhecem mas que para ela era nova.&lt;br /&gt;Antes de beijá-lo, sentiu conforto em descansar o corpo suado encostado ao dele, calmo e quente como colo. Descansou sentindo carícias nos cabelos desarrumados e já impregnados pelas mãos daquele homem.&lt;br /&gt;Antes de descansar, sentiu o corpo voltar a tremer numa convulsão de prazeres múltiplos.  Imersa num universo único, entregou-se sem controles ou pudores, gritou o nome dele, arremessou travesseiros e rasgou lençóis num gozo sem fim, sentindo-o dentro de si em movimentos másculos e carinhosos.&lt;br /&gt;Antes disso, num prazer sem começo delimitado, sentiu aquelas mãos pegarem-na pelos cabelos como nunca. Carícias e domínios. Mãos anteriores pareceram pequenas, definitivamente insípidas. Seu pescoço, levado à boca, experimentou-lhe os dentes, a língua e, tão próximo do ouvido, sua rouca voz, enquanto fluidos lubrificavam-lhe até à alma.&lt;br /&gt;Antes mesmo do primeiro prazer, um tremor tomou-lhe o corpo quando sentiu o falo em sua delicada mão. Passou-o pelos seios até alcançá-lo com os lábios. Sua admiração pela anatomia masculina aflorou e perdeu-se no tempo entre olhares, sabores e movimentos que já não precisavam ter fim. Anatomias anteriores pareceram frágeis.&lt;br /&gt;Antes de tudo, beijou-o com desejo num convite explícito ao prazer. Despiram-se enquanto ele dizia o que ela queria ouvir, despudoradamente, desejando-a como ela pretendera ser desejada, sem pecados, na plenitude do prazer.&lt;br /&gt;Uma vez vestida e depois de tudo, despediu-se desejando a eternidade, num tempo que pareceu breve e que podia nunca acabar até, quem sabe, vir o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-117079413854875061?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117079413854875061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117079413854875061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/02/o-antes-e-o-tudo.html' title='O Antes e o Tudo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-117003902719279616</id><published>2007-01-29T00:46:00.000-02:00</published><updated>2007-01-29T00:50:27.203-02:00</updated><title type='text'>Versos que valem tudo</title><content type='html'>Um pobre amador. Um aprendiz do seu amor... &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tom Jobim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida... &lt;br /&gt;No mesmo &lt;em&gt;Tom&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-117003902719279616?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117003902719279616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/117003902719279616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/01/versos-que-valem-tudo.html' title='Versos que valem tudo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-116863271246602739</id><published>2007-01-12T18:10:00.000-02:00</published><updated>2007-01-12T18:11:52.476-02:00</updated><title type='text'>Cinco Palavras</title><content type='html'>Ainda sobre o tema palavras, recentemente li um texto do Luiz Caversan, na Folha, no qual comentava sobre a mesmice nos cumprimentos de Ano Novo. No mesmo texto ele sugeria 20 palavras que deveriam estar presentes nos desejos para o ano de 2007.&lt;br /&gt;As palavras são as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compostura&lt;br /&gt;Paz&lt;br /&gt;Foco&lt;br /&gt;Respeito&lt;br /&gt;Fidelidade&lt;br /&gt;Observação&lt;br /&gt;Amabilidade&lt;br /&gt;Clareza&lt;br /&gt;Desejo&lt;br /&gt;Acuidade&lt;br /&gt;Felicidade&lt;br /&gt;Determinação&lt;br /&gt;Serenidade&lt;br /&gt;Aceitação&lt;br /&gt;Resistência&lt;br /&gt;Coragem&lt;br /&gt;Amor&lt;br /&gt;Sonho&lt;br /&gt;Realidade&lt;br /&gt;Generosidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitas? Então combinemos só cinco e tentemos fazê-las presentes no nosso ano de 2007. Se conseguirmos, acho que em 31 de dezembro de 2007 estaremos sentindo saudades do ano velho.&lt;br /&gt;Vamos em frente!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-116863271246602739?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116863271246602739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116863271246602739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/01/cinco-palavras.html' title='Cinco Palavras'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-116785454872867925</id><published>2007-01-03T18:01:00.000-02:00</published><updated>2007-01-04T11:58:07.273-02:00</updated><title type='text'>Estranho Percurso</title><content type='html'>Ela disse: vamos conversar e ele entendeu: ela não concorda.&lt;br /&gt;Ele disse: eu gosto de você e ela entendeu: ele não me ama.&lt;br /&gt;Ela disse: pode ser amanhã? Ele entendeu: ela me rejeita.&lt;br /&gt;Ele disse: não quero e ela entendeu: ele não me quer.&lt;br /&gt;Ela falou alto e ele entendeu que ela gritava com ele.&lt;br /&gt;Ele evitou falar muito e ela entendeu que ele a ignorava.  &lt;br /&gt;Pensou em quão estranho era o percurso das palavras. Elaboradas num cérebro qualquer, formatadas ou juntadas em frases, são impulsionadas por um fluxo de ar e lançadas com o molde da concepção. &lt;br /&gt;Uma vez concebidas, faladas, já no mundo dos ouvintes, encontram-se impregnadas de sons, entonações, que lhe dão uma característica especial. Já não são só palavras, letras arrumadas lançadas ao ar. Nesse mundo dos ouvintes chegam sonoras e por uma estranha decodificação transformam-se no que o ouvinte quer ou consegue entender. Entram pelos ouvidos e contaminam o corpo. Podem provocar tremores de amor e ódio, lágrimas de alegria ou tristeza, adoçar ou amargar a boca, dilatar as pupilas ou tranqüilizar o olhar. Chegam ao cérebro diferentes da forma original. &lt;br /&gt;Muitas vezes são esquecidas, mesmo quando fundamentais. Outras são guardadas, impregnadas de imagens que foram meras figurantes, perdendo seu contexto e permanecendo lá, como um cravo pronto a provocar sangramento a qualquer sinal de recuperação, alimentadas pelo desamor.&lt;br /&gt;Na fonte permanecem originais, incorruptíveis, pretendendo lidar com os sentimentos sem violações oportunistas, prontas para quando ele disser: vamos conversar! Ela saiba: vamos nos entender.&lt;br /&gt;Ela disser: meu querido, ele saiba: meu amor.&lt;br /&gt;Ele disser: pode ser amanhã? Ela saiba: vamos!&lt;br /&gt;Ela disser: não quero, ele saiba: ela não quer.&lt;br /&gt;Ele disser: deliciosa, ela saiba: sou eu.&lt;br /&gt;E quando ela ficar em silêncio ele saiba que é hora de beijar-lhe a suave boca.&lt;br /&gt;Estranho percurso esse das palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-116785454872867925?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116785454872867925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116785454872867925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2007/01/estranho-percurso.html' title='Estranho Percurso'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-116482015190523580</id><published>2006-11-29T15:02:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T15:14:51.286-02:00</updated><title type='text'>Recomeços</title><content type='html'>Quando cheguei André já estava lá. Quase junto chegou o Marcelo que me cumprimentou com um sorriso. Com seu cabelo encaracolado e a pele bem morena fitou o horizonte com cara de quem ainda não acordou. Sempre achei que seis e meia da manhã de um sábado é hora de ir dormir e não de acordar. Mas eu estava lá e o Marcelo também, com o sol esquentando nossa pele. Depois chegou Tatiana com seu passo lento e preguiçoso. Esticou os braços acima da cabeça numa bela espreguiçada, sorriu para nós e sentou com o mesmo olhar fixo num horizonte de não sei onde. Ficamos ali sem trocar uma palavra, sentindo uma brisa com cheiro de maresia no rosto. O último a chegar foi Rodriguinho. Os olhos mal abriam, dedurando o evidente sono. Olhos inchados parecendo noite mal dormida. Rodriguinho gostava de dormir mas naquele dia da semana abria uma exceção e acordava bem cedo sem precisar dos gritos da família. Entoou um “e aí?” recebendo murmuros amistosos.&lt;br /&gt;Como num ritual, sentamos em círculo e alongamos a musculatura sem pressa e sem esconder a ansiedade. Treinamos movimentos que deveriam ser memorizados e repetidos em instantes. Sabíamos da importância desse conhecimento para conseguirmos sucesso em nosso objetivo.&lt;br /&gt;André, o instrutor, distribuiu o equipamento a cada um.&lt;br /&gt;Enquanto nos preparávamos sentíamos o aumento considerável da adrenalina. Estava no rosto de cada um, enquanto nos olhávamos com um olhar de “vai ser agora!”.&lt;br /&gt;Pessoal, à nossa direita tem um banco de areia e à nossa esquerda tem outro. Vamos entrar remando aqui pelo meio e ficar atrás da formação das ondas. Tudo bem? Então vamos lá!&lt;br /&gt;Parecia a coisa mais simples do planeta. Para o André, claro.&lt;br /&gt;Caminhamos até o mar, colocamos a prancha na água e começamos uma nova história na vida de cada um. Rodriguinho tem oito anos e medo de água viva. Marcelo tem doze e olha as ondas com receio de iniciante. Tatiana tem treze e é mais atirada. Essa é a minha mais nova turma de praia e escola de surf, nessa vida de quase cinqüenta que sempre recomeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-116482015190523580?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116482015190523580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116482015190523580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/11/recomeos.html' title='Recomeços'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-116223498567526876</id><published>2006-10-30T15:59:00.000-03:00</published><updated>2006-10-30T16:03:05.826-03:00</updated><title type='text'>Ainda aquele cheiro...</title><content type='html'>Acredito que por uma falha de articulação, ou de redação mesmo, o último post assumiu um caráter político partidário. Não era o caso. Sem dúvida trata-se de uma argumentação política, ou politizada, mas não era pretensão minha fazer apologia a qualquer candidato. As minhas decepções e angústias são as mesmas do povão em geral. Antes de responder, esperei acontecer o segundo turno e ver os resultados, os números. E não aconteceu diferente, uma votação esmagadora do Norte e Nordeste ao candidato Lula. Assim, continuo com a idéia anterior: os conterrâneos fizeram a diferença.&lt;br /&gt;Para meu espanto, ouvindo hoje pela manhã à rádio CBN, um brilhante escritor  do qual inclusive sou fã, comentava que quem elegeu o Lula foi “um povo que não lê jornal, não vê televisão ou, quando vê, só se interessa por novela, um povo que não quer saber de dossiê, mensalão...” e por aí discorreu seu discurso.&lt;br /&gt;Mesmo diante do fato consumado, parece que não querem aceitar que esse povo aí descrito, e nem vou questionar a descrição, definiu sim o destino da eleição. Isso não quer dizer que sejam melhores ou piores. Democracia é isso mesmo, todos participam, a maioria decide e merece respeito. A melhor frase desse final de festa foi do FHC: “esse negócio de terceiro turno é golpe”. Ou seja, ganhou, levou.&lt;br /&gt;Rancores à parte, vou deixar o assunto por aqui agradecendo cada comentário dos amigos, independente do teor, porque, como já disse, democracia é assim mesmo. Quanto ao comentário do meu querido Cony na CBN, bem, talvez ele  tenha sido infeliz na articulação, mas que cheirou a preconceito, cheirou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-116223498567526876?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116223498567526876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116223498567526876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/10/ainda-aquele-cheiro.html' title='Ainda aquele cheiro...'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-116110976222203752</id><published>2006-10-17T15:22:00.000-03:00</published><updated>2006-10-17T15:29:22.240-03:00</updated><title type='text'>Conterrâneos</title><content type='html'>Recentemente ouvi um jornalista elegante afirmar que o Lula conseguiu dividir o país. Em evidente pobreza de análise e de espírito, porque preconceituosa, alguns veículos  de comunicação, uma espécie de “quarto poder” em nosso país, tentam implantar, ou plantar, mais um absurdo nacional. Agora, nossos irmãos nordestinos, subdesenvolvidos, são os eleitores do Lula. Já os do sul, elite sócio-econômica, são os eleitores do Alckmin.&lt;br /&gt;As mesmas fontes tentam manter no ar a idéia de que os eleitores de Lula são ignorantes, corruptos, ladrões, ilegais, venais e agora, pasmem, nordestinos. Deixam velado que esses eleitores apóiam a corrupção e todo tipo de ilegalidade. Uma associação escandalosamente suja e maldosa. Mais um ataque à democracia patrocinado pelas elites brasileiras. Nojento!&lt;br /&gt;Se realmente o povo do norte e nordeste foi responsável pela maior votação do Lula, o Lula é o menos importante. Vejo enorme importância no fato dessa população poder influenciar no destino de um país que sempre subestimou-a e esqueceu-a. Deixaram de ser manchetes do Fantástico, exibindo às elites, nas noites de domingo, humilhantes degustações de calangos e mandacarus. Dessa vez, tentando novamente responsabilizá-los pelos supostos desastres nacionais, eles “elegem o Lula”.&lt;br /&gt;Sou carioca. Daqueles de falar “mermão”, expressão máxima do “carioquês”,  e transformar o “s” em “x” nas palavras que falo. Me considero uma elite por ter podido estudar, receber um bom salário, ter acesso à cultura, ter casa, carro, comida e saúde. Tenho orgulho de ser neto de cearense e, mais que isso, ter vivido para ver esse povo tão brasileiro quanto eu participar e poder decidir os destinos do nosso país. É um fato histórico e sociológico importante que estão tentando encobrir.&lt;br /&gt;Aquelas criaturas famintas, que produziam falsas lágrimas nas elites, estão aí mostrando que podem, e como podem! Fazendo uma revolução pelo voto. Honesto, livre e democrático. Um voto de barriga menos vazia. Uma mudança no Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-116110976222203752?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116110976222203752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/116110976222203752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/10/conterrneos.html' title='Conterrâneos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-115997920524050603</id><published>2006-10-04T13:17:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T13:28:42.013-03:00</updated><title type='text'>Umze na Cozinha - Filés Flambados, com Redução de Goiabas e Pera, em Lençóis de Beiju</title><content type='html'>Compre um pedaço de filé macio. Carnes macias sempre convidam a prazeres e pecados. Quantidade? O suficiente para cortar transversalmente dois pedaços da largura de dois dedos. Dedos másculos. Ainda nas compras, adquira goiaba vermelha, umas três, uma pêra levemente madura, as maduras são sempre muito interessantes, e tapioca. Certifique-se de ter na despensa farinha de trigo e na geladeira um limão, manteiga, azeite, requeijão, pimenta moída, sal e... uma boa vodka. Ah, não tem vodka? Uma cachacinha ou um conhaque também serão bem aceitos. Separe dois copos da bebida, duas doses.&lt;br /&gt;Já na cozinha, corte o filé, tempere com sal e pimenta em ambos os lados e reserve as delícias.&lt;br /&gt;Descasque as goiabas e leve ao liquidificador com um copo de água. Pode ser um daqueles de geléia. Bata e coe o suco da goiaba. Reserve essa beleza avermelhada. Descasque a pêra, separa uma fina fatia para a decoração final e corte o restante em lascas finas, colocando-as numa tigela com água e algumas gotas de limão. Preservará a branca beleza das frutas.&lt;br /&gt;Coloque a tapioca numa tigela e umedeça levemente, com muito carinho. Salgue da mesma forma. Numa frigideira aquecida espalhe uma fina camada de tapioca, em formato circular, como um CD. Verifique se ganhou unidade, como uma panqueca. Bem antes de começar a dourar, solte as bordas com uma espátula e vire para consolidar o cozimento. Repita a operação com outro beiju. Ainda branquinhos, como lençóis, arrume-os no prato a ser servido.&lt;br /&gt;Coloque umas três colheres de sopa do azeite e uma de manteiga numa frigideira levada ao fogo. Unte os filés em farinha de trigo e leve-os à frigideira. Doure um lado. Doure o outro lado. Lance uma das doses da bebida à frigideira e flambe as carnes até que as inebriantes labaredas desapareçam. Retire as peças, deposite-as sobre os lençóis de beiju. Utilizando a mesma frigideira com os caldos remanescentes, coloque o suco da goiaba, uma colher de sopa de requeijão e as lascas de pêra cozinhando-as brevemente, apenas o suficiente para reduzir o suco e amolecer a fruta. Uma vez no ponto, coloque lascas de pêra sobre os filés e regue-os com um pouco do caldo formado. Utilize a fatia de pêra e o caldo restante de goiaba para decorar. Acompanha um arroz branco e, principalmente, uma pessoa não menos deliciosa para compartilhar o prato.&lt;br /&gt;Quanto à outra dose da bebida? Bem, brinde à obra, à companhia e deleitem-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-115997920524050603?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115997920524050603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115997920524050603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/10/umze-na-cozinha-fils-flambados-com.html' title='Umze na Cozinha - Filés Flambados, com Redução de Goiabas e Pera, em Lençóis de Beiju'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-115937847496540169</id><published>2006-09-27T14:32:00.000-03:00</published><updated>2006-09-27T14:36:42.423-03:00</updated><title type='text'>Magia dos Erês</title><content type='html'>Logo cedo Fullana recebeu um saquinho com doces. Os olhos brilharam como há muito não ocorria. Brilho quase infantil.&lt;br /&gt;No mesmo tempo ele recebeu o seu saquinho. Conteúdo da mesma natureza. Doces para a vida e para a alma. Não perdeu tempo. Abriu com rapidez e tratou de escolher o primeiro a saborear. Alisou cada um com uma certa nostalgia e quase reverência mística. Aquela bruxa sempre me encanta, pensou sem reservas. Escolheu um doce conhecido na sua infância como “peitinho de moça”, uma massa de açúcar, gelatina e coco, moldada em forma de um pequeno seio. Uma delícia. Lambeu o doce lembrando instintivamente do seio desejado. Mordeu lenta e delicadamente cada pedaço como se estivesse debruçado sobre Fullana. Saboreou-a.&lt;br /&gt;Distante dali, ela abre o saquinho com sua aparente displicência habitual. O coração se alegra como as crianças diante dos doces. Com cores e aromas saltando aos sentidos escolheu uma Maria-mole, um doce comprido elaborado a partir da mesma massa de açúcar, gelatina e coco. Coincidência? Talvez. No contato com a mão, o volume sobressai na mente. Lembranças. Cachorro, pensou nele. Numa tentação instigadora, disfarça e mede o doce com uma régua de plástico sobre a mesa. Quatorze centímetros. Não se compara, deixou escapar pelos lábios. Mas, nostálgica, reviveu as várias vezes que sentiu o falo dele superar essa marca sob as carícias de suas mãos. Em transe, percebeu-o maior e rijo. Sob o aroma doce, mordeu e comeu lentamente enquanto umedecia as peças íntimas, como dantes. Lambeu os últimos grãos de açúcar nos lábios e sentiu-se saciada.&lt;br /&gt;Como crianças, adoçaram as ausências na magia dos erês.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-115937847496540169?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115937847496540169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115937847496540169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/09/magia-dos-ers.html' title='Magia dos Erês'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-115775025288616667</id><published>2006-09-08T18:16:00.000-03:00</published><updated>2006-09-08T18:17:32.896-03:00</updated><title type='text'>Grito do Excluído</title><content type='html'>Ô pai, eu posso votar? Não menino, você só tem oito anos. Então porque eu tenho que assistir ao programa eleitoral? Você não precisa, pode fazer outra coisa. Mas eu quero ver televisão. Então, agora, só tem o programa eleitoral. Mas o Marquinhos me disse que muda de canal na hora desse programa. Mas o Marquinhos tem tv a cabo e nós não temos. Porque nós não temos tv a cabo? Porque somos pobres e não podemos pagar a tv. O menino pensou um pouco. Então o programa eleitoral é só para os pobres? O pai fingiu ler alguma coisa para não ter que responder.&lt;br /&gt;Foram poucos minutos de silêncio.&lt;br /&gt;Pai, você pode votar? Sou obrigado. É mesmo? É, e todos os maiores de dezoito e menores de setenta anos são obrigados a votar. Porque obrigados? Porque existe uma lei que determina que essas pessoas têm que votar. E se a pessoa não votar? Ela perde uma série de direitos. Porque? Porque está descumprindo a lei. Que direitos? Ah, não pode tirar passaporte, carteira de identidade, pode até perder o emprego e outras coisas. Então quem não vota descumpre a lei? Sim. Pai, bandido descumpre a lei? Descumpre. Então quem não vota é bandido? Não é bem assim, digamos que está ilegal, um infrator. O Fernandinho Beira-mar vota? Não, ele não vota. Ele é infrator? É. Se você não votar vai ser famoso igual a ele? Que bobagem, menino.&lt;br /&gt;Breve silêncio, com o menino de olho no programa eleitoral.&lt;br /&gt;Pai, o que é sanguessuga? É um bicho. Bicho? É, um verme. E o que é máfia dos sanguessugas? Nesse caso é um apelido que deram a deputados que ganharam dinheiro de forma ilegal. Ilegal? É, ilegal. Igual infrator? Isso, igual infrator. O Fernandinho Beira-mar é sanguessuga? Não menino, ele é bandido, sanguessugas são os deputados. Mas sanguessuga e bandido não são ilegais? São, mas com deputado é diferente. Você vota em deputado? Voto sim. Vota porque é obrigado? Isso mesmo, porque sou obrigado. Como você escolhe o deputado que você vai votar? Procuro ver se ele é bom. Como você sabe se ele é bom? Pelo que ele já fez ou pretende fazer. Ele diz tudo o que já fez? Diz. Tudo de bom e de errado? De errado não deve dizer senão ninguém vota nele. Então você acha ele bom mesmo sem ele dizer o que fez de errado? Não tem outro jeito. Mesmo assim você tem que votar? Tenho sim, porque sou obrigado, mas às vezes penso que seria melhor ficar ilegal do que escolher um safado desses. Se eu não disser o que fiz de errado você também vai me achar bom? Vou te dar umas palmadas.&lt;br /&gt;O menino tratou de ficar quieto e recolheu-se.&lt;br /&gt;No dia seguinte chega da escola sujo, roupas rasgadas e braços arranhados.&lt;br /&gt;Que foi isso menino? Eu briguei com o Marquinhos. Porque? Eu disse para ele que não tinha tv a cabo, que você não tinha passaporte, não era famoso igual ao Beira-mar, que preferia virar bandido que votar, que eu não podia esconder as coisas erradas de você igual deputado senão ia apanhar e sabe o que ele disse? O quê? Que eu era um excluído, um verme. Excluído? É, aí achei que era igual sanguessuga ou bandido e me embolei com ele.&lt;br /&gt;Tomou um banho, fez curativos e correu para a tv antes que começasse o tal programa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-115775025288616667?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115775025288616667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115775025288616667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/09/grito-do-excludo.html' title='Grito do Excluído'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-115696915191380818</id><published>2006-08-30T17:15:00.000-03:00</published><updated>2006-08-30T17:19:11.933-03:00</updated><title type='text'>Bem Vindo à Selva, em 3 atos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;1º  ato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego à cidade de Caxias do Sul numa manhã muito fria, com a temperatura em torno de dois graus. Me surpreendo com a atenção e educação das pessoas. Me desloco até a cidade de Flores da Cunha, distante poucos quilômetros, e a surpresa é a mesma. Povo educado e atencioso. Retorno à cidade de Caxias do Sul, a segunda maior do estado do Rio Grande do Sul e, em conversas, elogio a cidade. Elogio sincero. Percebo uma certa preocupação das pessoas em frisar que a cidade já padecia do problema da violência. Já não se sentiam tão seguros como em outros tempos. Caxias do Sul já é uma cidade violenta, afirmavam muitos, mas ainda uma boa cidade.&lt;br /&gt;Não vi miseráveis pelas ruas, nem crianças abandonadas, nem subempregados. Certamente que deveriam existir, mas não os vi em qualquer esquina.&lt;br /&gt;Interessado na questão da violência, inquiri acerca das modalidades instauradas naquela comunidade. Ouvi que as ocorrências mais constantes eram roubos de rádios de carros e assaltos a mercearias e quitandas, em rápidas investidas. Sem dúvidas, situações que colocam em risco os cidadãos. Mas, confesso que banalizei a questão com um certo ar de desdém em função de uma convivência com situações de violência mais graves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2º Ato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retorno ao Rio de Janeiro com a tranqüilidade de quem volta de uma viagem de férias. Numa visita rápida a meu pai, fico impossibilitado de sair do estacionamento porque um motorista parou o veículo na única saída. Coisa banal.&lt;br /&gt;Volto ao trabalho e, após muitos dias, travo meu primeiro contato com o noticiário.&lt;br /&gt;Leio que, por ressentimento de uma discussão, um homem bate com um pedaço de mármore na cabeça de uma mulher no interior de uma casa anunciada para aluguel. Em continuidade, corta-lhe o pescoço até que o sangue escorra por completo. Não satisfeito, serra-lhe o corpo ao meio na altura da cintura. A partir daí, consome quatro horas limpando a casa do sangue escorrido. Coloca cada metade do corpo em sacos plásticos e deixa-os numa rua movimentada da zona sul, em locais diferentes. Preso, o assassino diz-se humilhado pela vítima e, por isso, fez o que fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Final&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na escola de selvageria, os operadores de “micro ondas” onde torram repórteres e desafetos, os assassinos de pais e mães, os estupradores e esquartejadores de pessoas anônimas, podem ter efetuado sua iniciação a partir da prática ou do exemplo de pequenos furtos, numa progressão de absurdos que parecem competir numa brutalidade que ainda nos surpreende, felizmente.&lt;br /&gt;Certa a população de Caxias em preocupar-se com seus delitos e delinqüentes. Talvez sejam mais felizes na construção de uma comunidade menos bruta.&lt;br /&gt;Quanto a mim, lembro que já comentei sobre a banalização da violência e em tempos mais recentes, sobre a banalização da loucura. Não imaginei, confesso, que chegaria a comentar sobre a banalização da maldade. Uma maldade órfã, selvagem. Sem autoridades, sem regras, sem perspectivas de melhoras até que cerrem as cortinas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-115696915191380818?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115696915191380818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115696915191380818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/08/bem-vindo-selva-em-3-atos.html' title='Bem Vindo à Selva, em 3 atos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-115686365611230565</id><published>2006-08-29T11:58:00.000-03:00</published><updated>2006-08-29T12:03:46.710-03:00</updated><title type='text'>Com a Alma Nova</title><content type='html'>“Sempre que te vejo assim linda,&lt;br /&gt;nua e um pouco nervosa,&lt;br /&gt;minha velha alma cria alma nova...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou voltando de férias e a música do Zeca Baleiro define bem o estado d'alma.&lt;br /&gt;Muita novidade, algumas idéias e a vida escancarada à frente. Linda, nua e um pouco nervosa.&lt;br /&gt;Vamos lá...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-115686365611230565?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115686365611230565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115686365611230565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/08/com-alma-nova.html' title='Com a Alma Nova'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-115604628098068896</id><published>2006-08-20T00:57:00.000-03:00</published><updated>2006-08-20T00:58:00.990-03:00</updated><title type='text'>Contatos Imediatos</title><content type='html'>Numa aparente displicência ela leva a vida, traindo-se numa não menos aparente naturalidade. O olhar não revela os delírios íntimos. Mantém-se firme, com a ponta do lindo nariz indicando o rumo.&lt;br /&gt;Do outro lado, ele prossegue numa rotina com a mesma aparente naturalidade.&lt;br /&gt;Ah, as aparências. Que seria de todos sem as máscaras?&lt;br /&gt;Fullana estampa a sua de bem sucedida. Na vida e no amor. Máscara que só retira no silêncio do leito.&lt;br /&gt;Silêncio ardente de recordações. Pensa nele. Sente seu gozo por todo o corpo. Cabelos, boca e seios. O ventre se dilata para recebê-lo numa visita silenciosa que não se concretiza. Adormece.&lt;br /&gt;Distante dali ele agoniza nas mesmas fantasias e sente o gozo de Fullana nas mãos, na boca, no falo. Tão intensa fora a realidade que confunde-se nos devaneios de desejo. Adormece sentindo o tempo passar.&lt;br /&gt;Distância que não separa. Desejo que não acaba. Desafiando a invencibilidade do tempo que persiste tentando apagar as marcas.&lt;br /&gt;Talvez o mesmo tempo ocupe-se de retirar as máscaras e apagar as digitais, tornando-os atores sem papel. Nus de si mesmos.&lt;br /&gt;E então poderão casualmente entrar num elevador juntos e olharem-se com naturalidade sem revelar contatos silenciosos que o tempo ou o olhar dos comuns fossem capazes de captar.&lt;br /&gt;Engano.&lt;br /&gt;Olhares atentos poderiam perceber, no brilho dos olhos deles, que ainda pensam um no outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-115604628098068896?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115604628098068896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115604628098068896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/08/contatos-imediatos.html' title='Contatos Imediatos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-115051313218257736</id><published>2006-06-16T23:51:00.000-03:00</published><updated>2006-06-17T00:13:19.246-03:00</updated><title type='text'>Só Fullana Salva a Copa dos Ignorantes</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/5620/489/1600/Rumo_ao_Hexa.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/5620/489/320/Rumo_ao_Hexa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Os dois meninos conversavam animadamente sobre a seleção brasileira. Ele ali, prestando atenção na conversa, numa absoluta indiscrição e falta de algo melhor para fazer naquele metrô cheio.&lt;br /&gt;- Tu “viu” na hora do hino?&lt;br /&gt;- Hino?&lt;br /&gt;- É. O “ouvirundu”. Aí, todo mundo sério. Só uns cantaram.&lt;br /&gt;- Vi sim. Deu até uma coisa. Domingo tem mais. – Esfregaram as mãos e riram a valer.&lt;br /&gt;Desceram numa estação qualquer e ele ficou ali, pensando no tal “ouvirundu” e nos meninos. Pareciam de classe média e com alguma coisa em torno dos quinze anos. Voltavam da escola. Êpa! Escola? Novamente o “ouvirundu” que, por um processo meramente sonoro e pela menção da palavra hino no conversa, associou ao hino nacional brasileiro. Certamente o nomezinho estranho deveria ser uma corruptela do primeiro verso do hino: Ouviram do Ipiranga...(o Ipiranga? Talvez não soubessem que existe...). Santa ignorância.&lt;br /&gt;Com uma certa nostalgia, lembrou-se que aprendeu o hino nacional na fila da escola cantando enquanto hasteavam a bandeira. Naquela época não sabia direito o que cantava. Aliás, ainda hoje precisa do Aurélio. Mas era uma melodia que o emocionava.&lt;br /&gt;Chegou no trabalho e o tema era... isso mesmo: Seleção Brasileira, ou melhor, Ronaldo.&lt;br /&gt;Ronaldo está gordo, Ronaldo não jogou nada, Ronaldo está com problemas psicológicos, chamaram até o pobre (pobre ele não é, eu sei.) do Ronaldo de corno e por isso não estava jogando nada.&lt;br /&gt;Isso tudo com o Brasil ganhando, imaginem se ele perdesse.&lt;br /&gt;Para tumultuar ainda mais o dia apareceram aqueles que sempre esbravejam contra a falta de produção, fingindo que não são torcedores.&lt;br /&gt;- Não é possível, ninguém trabalha. É o ópio do povo. Enquanto durar a copa vão ficar roubando o país. Sempre foi assim. O povo é ignorante...&lt;br /&gt;Pensou nos bons tempos aqueles em que imaginavam que roubavam o país só durante a copa do mundo. Santa ingenuidade a nossa. Aliás, achava mesmo que até os ladrões paravam de roubar durante os jogos do Brasil. Restou a dúvida.&lt;br /&gt;Entre ingenuidades e ignorâncias, para sua desolação, o dia transcorreu com pouca criatividade. Um dia de um a zero, igual ao joguinho do Brasil.&lt;br /&gt;Sem esperanças de qualquer melhora, ouve o telefone tocar no final da tarde.&lt;br /&gt;Atende. É Fullana, com sua voz rouca.&lt;br /&gt;- Estou te esperando com uma surpresa, meu querido. Não demora, tá?&lt;br /&gt;Obedeceu.&lt;br /&gt;Chegou e encontrou-a com uma calcinha verde e amarela tamanho m, de mínimo, com o número nove no bumbum. Sandálias azuis e... mais nada.&lt;br /&gt;Santa visão do paraíso.&lt;br /&gt;Antes mesmo do “ouvirundu”, ou melhor, do hino, foram ao jogo nas quatro linhas do colchão.&lt;br /&gt;O futebol é uma instituição nacional, e essa partida Fullana ganhou de seis a zero, pensou.&lt;br /&gt;Brasiiiiiil!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-115051313218257736?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115051313218257736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/115051313218257736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/06/s-fullana-salva-copa-dos-ignorantes.html' title='Só Fullana Salva a Copa dos Ignorantes'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-114420123955791757</id><published>2006-04-04T22:35:00.000-03:00</published><updated>2006-04-04T22:40:39.570-03:00</updated><title type='text'>Novo Gênesis</title><content type='html'>Tenho o bem e o mal. Onde começa um e termina o outro, se é que existe esse limite? Hipocrisia pensar só possuir um deles. Farinhas em um mesmo saco. Olhares.&lt;br /&gt;Compartilho, na ironia de Affonso Romano de Sant’Anna, os rumos irracionais que pretendam dar à história de qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“No primeiro dia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o Demônio criou o universo e tudo o que nele há&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e viu que era bom. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No segundo dia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;criou a cobiça, a usura, a inveja, a gula, a preguiça,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a soberba e a ira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a que chamou de sete virtudes capitais&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e viu que era bom. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No terceiro dia criou as guerras.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No quarto dia criou as epidemias.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No quinto dia criou a opressão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No sexto dia criou a mentira&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e no sétimo, quando ia descansar,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;houve uma rebelião na hierarquia dos anjos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e um deles, de nome Deus, quis reverter a ordem geral das coisas,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;mas foi exilado&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;na pior parte do Inferno - os Céus. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Desde então o Demônio e suas hostes continuam firmes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;na condução dos negócios universais,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;embora volta e meia um serafim, um querubim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;e algum filho de Deus, desencadeiem protestos,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;milagres, revoluções&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;querendo impingir o Bem onde há Mal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porém não têm tido muito êxito até agora,&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;exceto em alguns casos particulares&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;que não alteraram em nada a marcha geral da história.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos podemos contar a história ou reescrevê-la, conforme o olhar e o desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-114420123955791757?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114420123955791757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114420123955791757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/04/novo-gnesis.html' title='Novo Gênesis'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-114346903284037622</id><published>2006-03-27T11:15:00.000-03:00</published><updated>2006-03-27T11:17:13.713-03:00</updated><title type='text'>Dores e Remédios do Coração</title><content type='html'>Infarto,&lt;br /&gt;Obstrução,&lt;br /&gt;Saudade,&lt;br /&gt;Opressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miocardiopatia,&lt;br /&gt;Angústia.&lt;br /&gt;Remorso,&lt;br /&gt;Produz Isquemia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor.&lt;br /&gt;Angina,&lt;br /&gt;Que vem do latim “angor”.&lt;br /&gt;Que quer dizer medo,&lt;br /&gt;Da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angina que se cura&lt;br /&gt;com nitroglicerina.&lt;br /&gt;Isso mesmo! Que detona e explode.&lt;br /&gt;Mas que também dilata o vaso.&lt;br /&gt;Como o amor,&lt;br /&gt;dá a vida e a morte.&lt;br /&gt;Eterno duelo,&lt;br /&gt;preservando o que ainda sobra,&lt;br /&gt;por sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-114346903284037622?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114346903284037622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114346903284037622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/03/dores-e-remdios-do-corao.html' title='Dores e Remédios do Coração'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-114321872743647759</id><published>2006-03-24T13:33:00.000-03:00</published><updated>2006-03-24T16:57:24.770-03:00</updated><title type='text'>Múltiplo</title><content type='html'>49 é múltiplo de 7.&lt;br /&gt;É o 7 sete vezes.&lt;br /&gt;Sete vezes sete encruzilhadas cortando caminhos, sempre múltiplos e ricos.&lt;br /&gt;Quarenta e nove portas que já se abriram.&lt;br /&gt;Algumas se fecharam, outras mantiveram-se bem abertas.&lt;br /&gt;Com fôlego de gato, sete vidas foram vividas e mais sete sonhos, sete enredos, sete trabalhos, sete lutas, sete dores e sete alegrias.&lt;br /&gt;Hoje este UMZE completa 49 anos. De pé e pronto para os próximos sete.&lt;br /&gt;Ressurgindo das cinzas, sobras da vida.&lt;br /&gt;Dividindo essa certeza com os amigos que ainda passam por aqui.&lt;br /&gt;Obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-114321872743647759?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114321872743647759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114321872743647759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/03/mltiplo.html' title='Múltiplo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-114261882837721138</id><published>2006-03-17T15:07:00.000-03:00</published><updated>2006-03-17T15:20:19.533-03:00</updated><title type='text'>Retornos e Momentos</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a title="photo sharing" href="file://www.flickr.com/photos/61508004@N00/37427995/"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 2px solid; BORDER-TOP: #000000 2px solid; BORDER-LEFT: #000000 2px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 2px solid" alt="" src="http://static.flickr.com/26/37427995_d4ec880407_m.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dizer o quê?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Perplexidade? Não! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Horror....&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Da dor, da falta, do ódio,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não do amor.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-114261882837721138?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114261882837721138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/114261882837721138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/03/retornos-e-momentos.html' title='Retornos e Momentos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113811070378738112</id><published>2006-01-24T11:50:00.000-02:00</published><updated>2006-01-24T11:51:43.800-02:00</updated><title type='text'>Encantamento</title><content type='html'>Atravessou a rua constrangido. Àquela hora do dia e vestido em passeio completo sentia-se um peixe fora d’água naquelas ruas de Madureira. Já lhe haviam pedido dinheiro cinco vezes, chamado de doutor umas dez, sempre acompanhado de ofertas diversas. Água, cerveja, pulseiras, frutas e até um xistudo por apenas “dois conto”, incluindo um refresco. Coisas de pequenos empresários suburbanos, tentou contemporizar.&lt;br /&gt;O que mais incomodava era aquele pacote embaixo do braço. Embrulhado em jornal, o bicho cacarejava a cada solavanco maior. A aflição, estampada nos olhos daquele galo vermelho, não era diferente daquela expressa nos olhos dele.&lt;br /&gt;Chegou ao terreiro de Mãe Geni suado. O paletó do terno bem cortado cheirava a jornal velho e galo. Imprestável. A mãe de santo já aguardava paramentada numa roupa branquíssima e colares coloridos. Salve, meu filho! Saudou-o. Ele sorriu, beijou-lhe a mão em reverência, colocou o pacote com o galo no chão e tirou imediatamente o paletó. Percebeu que um Armani e cheiro de galo proporcionam uma mistura nada agradável.&lt;br /&gt;Solte o bicho do jornal e segure ele para não fugir, pediu a mãe.&lt;br /&gt;Não demorou muito para ouvir o adjá. Mãe Geni saiu do terreiro para o quintal e ele acompanhou-a. Sentaram-se cada um num banco já reservados e arrumados em torno de um pano branco e fitas vermelhas. A mãe-de-santo pronunciou orações incompreensíveis para um não africano, pegou o galo e deitou-o no chão. Prendeu as asas com seus delicados pés ao tempo em que desembainhou uma faca brilhante. Apontou a faca olhando-o profundamente e determinou:&lt;br /&gt;- Faz seus pedidos, meu filho.&lt;br /&gt;Segurou a cabeça da ave e passou-lhe o aço no pescoço. Foi rápido. Deixou o sangue correr sobre o prato de barro já preparado. Cortou as asas e outras partes, arrumando-as cuidadosamente como se estivesse preparando a refeição de alguém muito querido.&lt;br /&gt;- Como é o nome da moça?&lt;br /&gt;- Fullana, mãe. Fullana Maria.&lt;br /&gt;- Pensa nela, meu filho.&lt;br /&gt;Talvez nem os orixás tenham percebido, mas só pensava nela há tempos.&lt;br /&gt;Mãe Geni concluiu a oferenda com uma observação curiosa.&lt;br /&gt;- É, moço, já existe encantamento...&lt;br /&gt;E sorriu com alegria reafirmando que sempre era bom agradar aos orixás.&lt;br /&gt;Ele, ficou com a impressão da inutilidade do encantamento. Soube que Fullana andara pelas bandas da Bahia e imaginou-a com o corpo fechado.&lt;br /&gt;Bobagens. Antes do galo já estavam encantados. Pelas mãos, pelos carinhos, pelas vozes, pelo destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113811070378738112?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113811070378738112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113811070378738112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2006/01/encantamento.html' title='Encantamento'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113579650109647533</id><published>2005-12-28T16:53:00.000-02:00</published><updated>2005-12-29T17:09:48.476-02:00</updated><title type='text'>Só Fullana</title><content type='html'>Sonhei com você. E não foi um sonho qualquer. E não estavas nua.&lt;br /&gt;Senti a tua pele macia no contato com a minha equilibrando a temperatura distinta de nossos corpos. Mas temperatura faz pouca diferença em sonhos e as imagens exibidas na mente como num drive-in, com suas proporções mais que reais, fazem-nos esquecer outras sensações.&lt;br /&gt;No sonho, dirijo meu carro. A velocidade não é grande, eu sei que não é. Em sonhos as velocidades não são reais e eu, ao volante, dirijo calmamente.&lt;br /&gt;Não olho a paisagem nem olho você, apenas sinto você. Minha visão fixa-se mecanicamente à frente. Os reflexos são mínimos, indispensáveis apenas à condução do veículo.&lt;br /&gt;Uma das minhas mãos segura o volante com tranqüilidade e segurança. A outra, diverte-se nos seus cabelos macios, em carícias na sua cabeça que se movimenta suavemente debruçada sobre meu colo. E não se passaram dois quilômetros.&lt;br /&gt;A velocidade continua a mesma, constante, mas meu coração já não bate no ritmo anterior. Acelerado, bombeia um sangue já impregnado pelo perfume que a sua boca e seu rosto espalharam pelo meu sexo.&lt;br /&gt;Indiferente a percursos ou quilometragens, e já se vão dez quilômetros, você saboreia cada curva de minha anatomia masculina. Desliga-se do trajeto para dedicar-se inteira a um prazer onde não existe atividade ou passividade. Divertem-se numa hipnose mútua, meu falo e tua boca.&lt;br /&gt;Numa explosão de prazer em comum, ouço buzinas e seus gemidos. O sinal abre e, depois de quarenta quilômetros, estamos na esquina do nosso destino. Maldita velocidade dos sonhos.&lt;br /&gt;Você me beija e despede-se.&lt;br /&gt;Acordo tentando uma última carícia, mas Fullana já se foi. Ella é assim mesmo, intensa e fugaz. Fico sentado no banco, ainda sentindo meu sexo inteiro na sua boca, sem distinguir ao certo a realidade.&lt;br /&gt;Só Fullana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffcc66;"&gt;Aos Amigos e a quem mais lê este blog&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com esse texto despeço-me de vocês em 2005. Termino com a mesma personagem que iniciei. Texto a altura de Fullana, uma mulher especial, intensa, que às vezes escapa da ficção para a realidade ou vice-versa.&lt;br /&gt;Nesse trânsito entre ficção e realidade caminhamos por 2005. Nessa mesma expectativa entraremos em 2006, mas sem deixarmos de sonhar.&lt;br /&gt;Um abraço especial à Márcia (Clarinha), Grimble, Ordisi, Margarida (Despenteada Mental), Abud, Branco Leone, Nina, Regina, Marcio, Lilith (Guida), Ana, Rosa Pena e outros não menos queridos, todos ficcionistas e realistas.&lt;br /&gt;Um desejo de felicidade e um abraço a todos os que lêem este blog.&lt;br /&gt;Um beijo a Fullana, já que a ficção me permite.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;UMZE&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113579650109647533?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113579650109647533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113579650109647533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/12/s-fullana.html' title='Só Fullana'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113508345236776178</id><published>2005-12-20T10:45:00.000-02:00</published><updated>2005-12-20T10:57:32.380-02:00</updated><title type='text'>Festas, Mistérios e Maria</title><content type='html'>Saiu do trabalho aborrecido. Aliás, já andava aborrecido há tempos. Sem motivos aparentes, objetivos.&lt;br /&gt;Caminhou até o elevador sem saber ao certo o que fazer naquele dia. O silêncio dos corredores apontava para o óbvio: todos foram à festa. E ele ficou pensando nisso.&lt;br /&gt;O que eu vou fazer nessa festa? Não estou para festas, não gosto de festas. Mentira. Pura mentira. Sempre gostara de festas, de sambas, de cervejas e mulheres. Bonitas. Houve um tempo em que achava todas as mulheres bonitas.&lt;br /&gt;De uns tempos para cá tinha mudado. Não deixara de gostar, mas andava indiferente a tudo, quieto até demais.&lt;br /&gt;No elevador encontrou Maria. Vestido preto, um belo decote, ombros de fora e sem os óculos. Olhos pintados e boca também. Ela tomou a iniciativa. Não vai à  festa? Claro, vou sim, respondeu tentando demonstrar uma animação que andava distante. Nos vemos lá, despediram-se.&lt;br /&gt;Foi à festa. Não perderia nada, tomaria uma cerveja, conversaria com os amigos e voltaria para casa o mesmo de antes. Indiferente.&lt;br /&gt;E era uma bela festa de Natal com presentes, bebida, comida e música. Todos animados, com desejos mútuos de felicidades, tapinhas e sorrisos.&lt;br /&gt;Encontrou os amigos, sorriu e bebeu vodca com gelo. Relembrou velhos tempos e teve vontade de dançar.&lt;br /&gt;E dançou muito, como há muito não dançava. E dançou mais. E encontrou Maria. Olharam-se com mais freqüência e sorriram também. Dançaram juntos e  beberam. Ele vodca, ela água.&lt;br /&gt;Não viu a noite passar, mas chegou o fim da festa. Saiu junto com Maria e conversaram animadamente.&lt;br /&gt;Despediram-se com uma troca de beijos protocolares. Antes do último, as bocas, muito próximas, se tocaram num delicioso beijo. Daqueles que as línguas e lábios se entregam sem deixar espaços a protocolos. Íntimos.&lt;br /&gt;Beijos são tudo. Quando as bocas não se acertam, nada mais pode dar certo.&lt;br /&gt;Num desses mistérios do natal, não voltou para casa o mesmo de antes. Voltou diferente e com o delicioso gosto de Maria na boca, que ficou por muitos dias. Sentiu-se menino num natal qualquer, mas com Maria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113508345236776178?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113508345236776178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113508345236776178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/12/festas-mistrios-e-maria.html' title='Festas, Mistérios e Maria'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113408964770900474</id><published>2005-12-08T22:52:00.000-02:00</published><updated>2005-12-08T23:00:26.510-02:00</updated><title type='text'>Brilho e Magia</title><content type='html'>Quando menino, nessa época do ano, era sempre o mesmo ritual. Vai na farmácia comprar um pacote grande de algodão, mandava minha mãe. Eu saía sem reclamar e correndo. Voltava rápido com o pacote na mão. A ansiedade durava todo o dia. Só à tardinha, quando meu pai chegava do trabalho, íamos, eu e ele, procurar por um galho de árvore na rua. Escolhíamos cuidadosamente, afinal era um momento mágico e solene. Eram os preparativos para o natal. Escolhido o galho em qualquer canto ou quintal voltávamos para casa. Meu pai incumbia-se de pregar o galho numa base de madeira que foi usada vários natais. Daí, a família partia para cobrir todo o galho, nossa árvore, enrolando o algodão. Não ficava aparecendo nenhum pedacinho sem algodão. Tudo branquinho.&lt;br /&gt;Depois, colocávamos as mesmas bolas de vidro pintado e brilhante de muitos anos e as lâmpadas coloridas. Pronto, tinha chegado o natal!&lt;br /&gt;A partir daí era esperar a noite do dia vinte e quatro de dezembro, colocar o sapato, um pratinho com rabanadas e pernil (porque papai noel adora rabanadas e pernil, ensinava meu pai.) e dormir ansioso para ver o presente deixado pelo meu bom velhinho.&lt;br /&gt;Nunca exigi presentes. Escrevia cartinhas com pedidos infantis e comuns. Papai Noel sempre me trouxe o possível. Assim ganhei bolas e carrinhos. Ganhei minha primeira bicicleta, vermelha. E também minha primeira guitarra. Vermelha. A bicicleta se perdeu, mas a guitarra eu tenho até hoje. Guardo como uma prova de que Papai Noel existe.&lt;br /&gt;Uma coisa que sempre surpreendeu a todos foi eu não saber quem é Papai Noel. Os amigos me diziam que era meu pai e caçoavam da minha ignorância. Mas eu não era ignorante, eu simplesmente acreditei no meu pai toda a nossa vida. Todas as vezes que eu perguntei a ele quem era Papai Noel recebi outra pergunta como resposta:&lt;br /&gt;- Que você acha? Eu tenho cara de Papai Noel? – e sorria.&lt;br /&gt;Eu dizia que sim, mas ele apenas sorria. Sorriu por mais de quarenta natais com um brilho no olhar que sempre me encantou. Sem perceber, passei a reconhecer nesse brilho o melhor do natal.&lt;br /&gt;O tempo passou. Hoje já não cato galhos na rua para fazer árvores de natal e também não coloco meu sapato para esperar um presente. Mas me surpreendo com a força do meu Papai Noel quando vejo meus filhos, já homens, vindo a minha casa colocar seus enormes sapatos e pratinhos com rabanadas.&lt;br /&gt;A pergunta é sempre a mesma, que repito:&lt;br /&gt;- Mas.... eu tenho cara de Papai Noel?&lt;br /&gt;No dia seguinte encontram presentes que nunca foram pedidos.&lt;br /&gt;E aquele mesmo brilho reaparece no olhar de todos, dispensando qualquer resposta.&lt;br /&gt;Sorrimos numa cumplicidade que torna qualquer presente secundário. É a magia do meu natal, impregnada no tempo por um inesquecível e adorável papai que sempre esteve por perto. O meu papai. Noel&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113408964770900474?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113408964770900474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113408964770900474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/12/brilho-e-magia.html' title='Brilho e Magia'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113336448891892067</id><published>2005-11-30T13:26:00.000-02:00</published><updated>2005-11-30T13:32:58.993-02:00</updated><title type='text'>Os Homônimos e Destino</title><content type='html'>Incendiaram um ônibus. Com gente dentro. De propósito, dirigido, vingativo.&lt;br /&gt;Morreram cinco pessoas e entre elas Vitória, de dois anos, e sua mãe. O pai de Vitória, Rogério, é um pacato cidadão. Daqueles que comem barato, ganham pouco, trabalham muito, acordam cedo, chegam tarde em casa, mas não desistem. Em paz, com seu sorriso, limpa diariamente meu local de trabalho. Apesar da insatisfação com o salário, já que ninguém gosta de ganhar pouco, não se revolta.&lt;br /&gt;- E aí Rogério?&lt;br /&gt;- Tudo bem – Sempre sorrindo.&lt;br /&gt;E ele lá, limpando os banheiros, o corredor, as mesas. Falando de futebol, do Lula, da vida.&lt;br /&gt;Do outro lado da linha de fogo, no Morro da Fé, um outro Rogério é mais conhecido como Mica, apelido de infância. Comanda o tráfico local. Dorme tarde porque “trabalha” muito à noite e dizem que não tem hora para acordar. Perdeu um comparsa numa das intermináveis escaramuças entre polícia e tráfico. Diferente do seu homônimo, revolta-se. No seu mandato provisório, porque sua vida deverá ser curta devido aos riscos da sua “profissão”, determina a vingança. Contra quem não importa, isso é uma guerra, e contra-ataca. Matem alguém, sentencia.&lt;br /&gt;A tropa, demente e violenta, bate num motorista e incendeia um ônibus. Com gente dentro. Inclusive Vitória, sua mãe e Rogério, seu pai.&lt;br /&gt;A polícia chega, registra e explica didaticamente. A situação está sob controle, com cinco pessoas incendiadas e mortas.&lt;br /&gt;Mais um registro policial insensível, diário, fruto de atitudes insensíveis, de governos insensíveis, de guetos pobres, medianos e ricos, cada vez mais insensíveis, quase insanos.&lt;br /&gt;E quando misturamos insensibilidades, insanidades e força temos tudo para a guerra. Urbana.&lt;br /&gt;As tropas medianas e ricas querem que a polícia mande bala, elimine. Os entrincheirados pobres não esperam a polícia, não contam com ela para representá-los nas ações, eles mesmos mandam bala e fogo. Um ódio recíproco que se alastra. Um governo constituído e outro paralelo, ambos sem lei, só força, insensibilidade e insanidade.&lt;br /&gt;O Governador quer ser presidente. O traficante quer ser o rei do tráfico, o mais malvado. Ambos prometem segurança e uma vida melhor, que nunca chega.&lt;br /&gt;Enquanto isso, Rogério está lá com 50% do corpo queimado, sem mulher e sem Vitória. Seu homônimo não terá um destino melhor.&lt;br /&gt;Quem se arrisca a indicar o próximo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113336448891892067?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113336448891892067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113336448891892067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/11/os-homnimos-e-destino.html' title='Os Homônimos e Destino'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113319219516438872</id><published>2005-11-28T13:35:00.000-02:00</published><updated>2005-11-28T13:36:35.176-02:00</updated><title type='text'>Em Água e Cinzas</title><content type='html'>Esta página está passando por uma reformulação. Como aquela obra que a gente faz sem dinheiro, isso está demorando uma eternidade. Dinheiro no meu caso chama-se tempo, já que o papel moeda eu tenho visto pouco. A idéia é torná-la mais interativa e dinâmica. Aliás, se algum desses adoráveis leitores que ainda esbanjam paciência visitando este blog puderem me ajudar com dicas de html agradeço imensamente.&lt;br /&gt;Sempre fui de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e pensar muitas coisas ao quadrado no mesmo tempo, mas tenho aprendido que a literatura não se presta a isso. Esse é um dos principais motivos da minha ausência no seu monitor com algum texto novo.&lt;br /&gt;Tenho andado pelas ruas com papéis nos bolsos, camisa saindo da calça, gravata torta e olhar perdido. Penso e escrevo. Anoto resumos, personagens e rimas. Não tem lugar nem hora. Às vezes esqueço dos papéis e quando releio não vejo mais sentido em nada. Acho que minhas idéias são como nuvens cansadas de esperar que se entregam ao primeiro vento e se dissipam.&lt;br /&gt;Há poucos dias li no jornal uma reportagem com J.K. Rowling onde ela conta suas aventuras e desventuras editoriais. Para meu consolo (pretensão!), o livro que abriu as portas da literatura e dos bancos à loura, foi idealizado numa viagem de trem lá por volta de 1990, resistiu ao esquecimento e foi inicialmente escrito em papéis avulsos nas mesas de um café comum. Após isso, Harry Potter (que eu não li) resistiu a uma separação da autora, uma profunda crise de depressão, falta de grana, mudanças de casas e de países até ser concluído na Escócia e publicado sete anos depois.&lt;br /&gt;Moral da história? Escrever é arte e como tal merece ser concretizada. As nuvens  estarão ao alcance se permitida sua condensação. Idéias fluindo, líquidas, transparentes como água que vem do céu. Transcendentes.&lt;br /&gt;Quem escreve, meus amigos, nunca morre nem deixa nada morrer no esquecimento, no tempo, na dor. &lt;br /&gt;Quem escreve, imortaliza-se por amor, sem cobranças de gratidão. Uns gostam, outros não, e as águas rolam.&lt;br /&gt;Se você não me achar por aqui e até pensar que eu morri, não sopre minhas cinzas. Deixe-as quietinhas no mesmo lugar. Eu volto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113319219516438872?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113319219516438872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113319219516438872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/11/em-gua-e-cinzas.html' title='Em Água e Cinzas'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113104469888088266</id><published>2005-11-03T17:03:00.000-02:00</published><updated>2005-11-03T17:04:58.900-02:00</updated><title type='text'>Anatomia de Fullana, O Coração</title><content type='html'>Contemplava a sobremesa que nem havia pedido. Um pudim com aquela ameixa em forma de coração. Negra, seca, retorcida e aparentemente doce.&lt;br /&gt;Passou quase o tempo todo calado e comeu sem gosto. Sofria a tristeza da perda. Definitiva.&lt;br /&gt;O almoço entre os dois amigos fora marcado de improviso. Não se viam há algum tempo e a euforia de um telefonema motivara o reencontro.&lt;br /&gt;O restaurante foi o de sempre.&lt;br /&gt;- Diga lá meu camarada! Saudaram-se&lt;br /&gt;Abraçaram-se calorosamente. Falaram bobagens, riram muito e pediram o almoço.&lt;br /&gt;- Faz tempo que não te vejo. Também, você sumiu.&lt;br /&gt;- Pois é, sumi mesmo. Mas conta aí. E o pessoal como vai?&lt;br /&gt;- Estão bem. Aquele bando de sacanas.&lt;br /&gt;- E o Barcelos?&lt;br /&gt;- Você soube do Barcelos?&lt;br /&gt;- Soube que está internado. Fiquei preocupado com ele.&lt;br /&gt;O amigo percebera que ele não sabia do ocorrido. Mudou o tom, parou de sorrir e largou o garfo sobre o prato.&lt;br /&gt;- Então você não soube do Barcelos.&lt;br /&gt;- Não?  Que houve?&lt;br /&gt;- Ele morreu.&lt;br /&gt;Parou num choque que lhe tomou todo o íntimo.&lt;br /&gt;- O Barcelos morreu?  Sabia que ele estava doente, mas morreu?&lt;br /&gt;- Pois é, foi há uns quinze dias. O enterro foi no dia seguinte. Infecção generalizada.&lt;br /&gt;- Não sabia. Eu gostava muito dele, era meu amigo há muitos anos.&lt;br /&gt;- Pensei que você soubesse. Me desculpe, mas imaginei que Fullana tivesse te avisado.&lt;br /&gt;- Não, não avisou.&lt;br /&gt;O almoço não foi mais o mesmo. Falaram um pouco mais. O amigo ficara visivelmente constrangido por não ter dado a notícia a tempo, mas também não compreendia porque Fullana não o fizera. Preferiu não comentar. Sabia do distanciamento incompreensível.&lt;br /&gt;Pediram a sobremesa de sempre, pudim de leite. Ele comeu o pudim enquanto observava a ameixa que ficou no prato.&lt;br /&gt;Despediram-se e o amigo se foi.&lt;br /&gt;Seguiu cabisbaixo ainda desnorteado pela notícia. O impacto pela perda do amigo era forte e a impossibilidade de prestar uma última e sincera homenagem desarticulou seus pensamentos.&lt;br /&gt;Mas nada se comparou à constatação da frieza do coração de Fullana que, mesmo diante da morte e da dor, não foi capaz de um gesto fraterno comunicando apenas a morte do amigo em comum.&lt;br /&gt;Caminhou pensando nos corações tristes e ignorantes que conhecera e lembrando daquela ameixa negra, seca, enrugada e aparentemente doce. E ela tinha a forma de um coração, de Fullana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113104469888088266?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113104469888088266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113104469888088266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/11/anatomia-de-fullana-o-corao.html' title='Anatomia de Fullana, O Coração'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-113033127821996210</id><published>2005-10-26T10:52:00.000-02:00</published><updated>2005-10-26T10:54:38.223-02:00</updated><title type='text'>Mentiras de Amor</title><content type='html'>Mente ao meu coração.&lt;br /&gt;Mente como mentistes outrora quando timidamente jurastes amor umas poucas vezes.&lt;br /&gt;Bem sei que não gostas de mentir, mas de que serve a verdade já constante, diária e persistente? A mentira pode nos trazer a falsa e agradável sensação de que vivemos imunes à dor.  Mente como mentistes nas poucas declarações de bem-querer escritas ou quase não ditas.&lt;br /&gt;- Eu não gosto de dizer eu te amo.&lt;br /&gt;Pura mentira, Fullana. Nua e entregue ao prazer dissestes com uma desenvoltura rouca e envolvente que proporcionou a doce ilusão da felicidade. Não precisastes olhar nos olhos, veio da alma um doce engano que de tão sincero pensastes enganar a si própria.&lt;br /&gt;Mas, entre esses enganos, amastes de verdade em breves instantes por uma vida inteira.&lt;br /&gt;Com medo do amor de verdade, fugistes.&lt;br /&gt;- Quero ser sua amante.&lt;br /&gt;Mentistes mais uma vez, optando por um amor erótico na tentativa de manter, na mentira,  o amor eterno experimentado. Medo da paixão.&lt;br /&gt;Na desconstrução dessa verdade, restou um sentimento diário, silencioso, de todo santo dia. A ira dos demônios: o amor.&lt;br /&gt;De muitos serás amante e a nenhum dirás eu te amo. Só a mim mentirás.&lt;br /&gt;Por isso, mente mais uma vez ao meu coração e eu me ponho de joelhos a teus pés pela tua mentira que me encanta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-113033127821996210?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113033127821996210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/113033127821996210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/10/mentiras-de-amor.html' title='Mentiras de Amor'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112929915277625756</id><published>2005-10-14T11:06:00.000-03:00</published><updated>2005-10-14T11:17:33.283-03:00</updated><title type='text'>Anatomia de Fullana, O Peito</title><content type='html'>Não és bom, nem és mau: és triste e humano...&lt;br /&gt;Vives ansiando, entre maldições e preces,&lt;br /&gt;Como se a arder no coração tivesses&lt;br /&gt;O tumulto e o clamor de um largo oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre, no bem como no mal padeces;&lt;br /&gt;E rolando mum vórtice insano,&lt;br /&gt;Oscilas entre a crença e o desengano,&lt;br /&gt;Entre esperanças e desinteresses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capaz de horrores e de ações sublimes,&lt;br /&gt;Não ficas com as virtudes satisfeito,&lt;br /&gt;Nem te arrependes, infeliz, dos crimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no perpétuo ideal que te devora,&lt;br /&gt;Residem juntamente no teu peito&lt;br /&gt;Um demônio que ruge e um deus que chora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa jóia não é minha. Seu título é &lt;em&gt;Dualismo&lt;/em&gt;, foi escrita por Olavo Bilac e publicada no livro &lt;em&gt;Tarde&lt;/em&gt; em 1919. Isso mesmo, há quase cem anos. Um dos textos mais fortes e humanos que já li e belo, muito.&lt;br /&gt;Apesar de impregnada em minha alma, somente Bilac conseguiu definir tão bem um lado oculto de Fullana, o peito. O abrigo, em seu tórax, de suas angústias e outros sentimentos não menos humanos que às vezes lhe fazem perder o brilho.&lt;br /&gt;Entre a luz da vida a irradiar oportunidades e os recantos da sua alma, o peito, dualista, permanece promovendo eclipses em seus sentimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112929915277625756?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112929915277625756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112929915277625756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/10/anatomia-de-fullana-o-peito.html' title='Anatomia de Fullana, O Peito'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112905330915872469</id><published>2005-10-11T14:48:00.000-03:00</published><updated>2005-10-11T14:56:01.093-03:00</updated><title type='text'>Referendos e Contradições</title><content type='html'>Recebi vários emails sobre o referendo do desarmamento. Confesso que acho a argumentação das correntes do SIM e do NÃO desmotivantes. Mas, saturado de tanto ler mensagens com esse tema, resolvi responder a um especial onde um amigo me expõe 20 motivos irônicos para votar NÃO. Pretendo votar no SIM, pelo desarmamento, mas admito mudar para o Não desde que esclarecidas algumas dúvidas provocadas pelos motivos expostos. Senão vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 1&lt;/strong&gt;: Descobri que a arma legal alimenta os bandidos. Todas aquelas AR-15, AK-47, granadas e bazucas que os traficantes do Rio usam foram roubadas de cidadãos honestos que compraram as armas legalmente. Da minha casa mesmo, por exemplo. Ano passado me roubaram quatro mísseis stinger.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dúvidas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: Quantas pessoas "de bem", trabalhadores, responsáveis, que você conheça, tem em casa um AR-15, AK-47 ou similar? Pode ser de menor poder de fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 2&lt;/strong&gt;: Descobri que todos os pais que têm armas de fogo costumam deixá-las carregadas e engatilhadas em cima do sofá da sala. Por isso que 94 milhões de crianças brasileiras morrem brincando com armas de fogo todos os anos.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dúvidas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: Quantas pessoas com as mesmas características da dúvida anterior, guardam suas armas descarregadas e escondidas em suas casas? As pessoas guardam suas armas descarregadas? Considerando que as situações de defesa são imprevisíveis, e uma arma ainda descarregada, a defesa estaria garantida? Se as armas estiverem guardadas e carregadas, qualquer pessoa está garantida contra acidentes, que também são imprevisíveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 3&lt;/strong&gt;: Descobri que todos os assaltantes de casa têm super poderes. Eles atravessam portas e paredes e se materializam imediatamente na sua frente e apontam uma arma para a sua cabeça enquanto você ainda está deitado, tornando impossível qualquer reação. Eles não perdem tempo e não fazem barulho arrombando portas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Alguém já experimentou arrombar a sua própria porta para ver se dá tempo de reagir a uma situação dessas? Considerando, inclusive, que a arma pode estar descarregada por medida de segurança de acidentes com sua família. Alguém conhece muitos casos de arrombamentos de portas enquanto a família está em casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 4&lt;/strong&gt;: Descobri que se eu vir ou ouvir algum bandido pulando a cerca e entrando no meu quintal, eu não vou conseguir afugentá-lo com um tiro para cima ou para o chão. Se ele ouvir o tiro, aí sim, é que ele vai ficar excitado e vai querer de toda forma entrar em casa e trocar tiros comigo. Eles adoram fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Alguém já experimentou isso? Ultimamente, os confrontos entre polícia e bandidos nos tem rendido cenas que não demonstram intimidação da parte supostamente infratora. Essa visão romântica de que um tiro para o alto resolve, nós aprendemos nos seriados de TV a ainda achamos que resolve. Mas, também aprendemos na TV e no dia a dia que bandidos já não agem sozinhos e não pulam muros como se fossem roubar galinhas. Aprimoraram-se. Estudam os hábitos da vítima, seus horários, sua família, e quando sentem-se confiantes e principalmente, quando menos esperamos, agem. Alguém saberia responder quantos conhecidos seus conseguiram evitar que alguém entrasse "no seu quintal" com essa técnica de "tiro para o alto", na atualidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 5&lt;/strong&gt;: Descobri que os 570 MILHÕES de reais investidos para realizar o referendo foram muito bem empregados. Afinal, porque que a gente vai gastar com segurança, quando se pode gastar num referendo? E dizendo SIM eles, nossos governadores, vão ver o quanto a gente adorou ter esse privilégio de exercer nosso direito como cidadão de decidir os rumos de nosso Brasil!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Alguém sabe para que serve um referendo? Quantas pessoas você conhece que não desejam, sinceramente, participar de decisões dos destinos do país e da sociedade? E não importa se concorde ou discorde com o destino. Quantas pessoas você conhece que preferem entregar esse destino nas mãos dos legisladores? Você confia neles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 6&lt;/strong&gt;: Descobri que se o NÃO ganhar, as armas de fogo vão imediatamente ficar 90% mais baratas e vai acabar a burocracia para a compra de uma. No dia seguinte à vitória do NÃO, qualquer pessoa (bandido ou não) vai poder ir numa loja de armas, comprar um 44 e oito caixas de munição, já vai sair armado e vai para o bar mais próximo para arrumar briga e me matar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: É isso que está sendo referendado? Não entendi assim. Entendi que, qualquer que seja o resultado, minha vida e a de milhões de outros brasileiros no dia seguinte ao referendo continuará a mesma. Insegura, desconfiada, descrente das políticas públicas de segurança, com medo de andar nas ruas, ouvindo tiros vindos das favelas e sem armas em casa. Seria diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 7&lt;/strong&gt;: Descobri que delegados e policiais civis militares e federais - que são em quase totalidade favoráveis ao NAO - não entendem N-A-D-A de violência e criminalidade. Quem manja mesmo do assunto são atores, sociólogos e dirigentes de ONGs internacionais.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Alguém sabe quanto ganha um policial? Alguém acredita que a polícia consiga dar conta da violência independente do referendo? Alguém acredita que o contingente policial é suficiente para isso? Se você estivesse no lugar da polícia, o que diria? Confesso que mesmo que pensasse em votar no NÃO (acho que alguém vai me convencer a mudar a partir destas dúvidas), se eu fosse policial diria: Meu filho, compre uma arma e se vira que eu não consigo te garantir nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 8&lt;/strong&gt;: Descobri que estrangeiros que lideram ONGs como a Viva-Rio têm muita experiência no assunto. Afinal, todo mundo sabe que a situação social, econômica e de criminalidade da França, Inglaterra e Estados Unidos (que é de onde eles vêm) é IGUALZINHA à realidade do Brasil. Não tenho a menor dúvida de que as teorias que eles têm vão funcionar direitinho aqui.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Alguém acredita que o fato de poder comprar ou não uma arma é determinante para que países como esses tenham suas condições sociais, econômicas e de segurança como referência de primeiro mundo? Esses países são mais armados que o Brasil, bem mais, mas alguém já perguntou à população se sentem-se seguros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 9&lt;/strong&gt;: Descobri que o governo quer que a gente vote sim. E o governo sempre pensa no nosso bem. Afinal, todo mundo sabe que a qualidade da saúde pública, ensino público, segurança pública, e etc vem melhorando cada vez mais, dia a dia.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Você sempre votou contra o Governo? Sempre a favor? Qual Governo? Se você vota pelo que o Governo quer, porque você vota? Precisa votação? Você acredita que o Governo (ou des-governo) tem crédito para influenciar seu voto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 10&lt;/strong&gt;: Descobri que todos os cidadãos de bem assim que acabarem suas munições vão manter suas armas eternamente sem munição, até se deteriorarem, nenhum vai buscar bala no mercado negro, e assim não corre o risco do mercado negro se fortalecer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Qual mercado negro que você conhece, no nosso país, é fraco? Qual o atrativo do mercado negro, o preço ou a ausência do produto? Você já comprou dolar no mercado negro? Já comprou carne? Você sabia que, mesmo sendo permitida a compra de moeda estrangeira (com limites) existe mercado paralelo de dolar? Você acredita que, quem compra em mercado negro qualquer produto (legal ou ilegal) o faz porque tem propensão a isso ou quer levar algum tipo de vantagem, independente de legislação ou punição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 11&lt;/strong&gt;: Descobri que se o SIM ganhar, não vão mais acontecer mortes banais. Maridos ciumentos só vão agredir as mulheres com travesseiros, torcidas organizadas vão se dar as mãos, facas e canivetes vão perder o fio, tijolos e paus vão ficar macios e os pitboys vão todos se converter ao budismo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Alguém acredita que maridos deixarão de ser ciumentos, ridículos e violentos em função do resultado do referendo? O referendo é para pacificar torcidas de qualquer natureza? Alguém já percebeu que o prazer enlouquecido dos pitboys é a agressão covarde em função de sua força física angariada em horas de vagabundagem nas academias e escolas de lutas? Quantos casos de pitboys que usaram armas em suas agressões você conhece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 12&lt;/strong&gt;: Descobri que o fato dos crimes por armas de fogo terem aumentado 500% na Inglaterra nos 6 anos após o desarmamento por lá foi uma coisa super normal, afinal, a população tá se expandindo, né? É normal que haja um aumento.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Dúvidas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;: Alguém sabe dizer o que significa um crescimento de 500% na Inglaterra e o mesmo percentual nos Estados Unidos? Alguém sabe dizer se o aumento dos crimes está relacionado diretamente com a restrição às armas(não existiu desarmamento)? Existe estatística que comprove isso? Existe percentual aceitável de crimes por armas de fogo? Se o crime for na sua família ou provocado por você, o percentual de 1% ou 500% vai fazer diferença para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 13&lt;/strong&gt;: Descobri que o jovem é a principal vítima da arma de fogo. Claro que isso não tem nada a ver com o fato de o jovem ser o maior usuário de drogas, e nem o fato de que quase 100% dos envolvidos no tráfico de drogas têm menos de 30 anos (porque morrem ou são presos antes). Isso é só coincidência.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Não entendi, confesso. Veja se é isso: o fato de os jovens serem as maiores vítimas de armas de fogo está relacionado com o fato de serem os maiores usuários do tráfico. É isso? Mas as armas já não são liberadas?. Se eu votar não essa estatística melhorará?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 14&lt;/strong&gt;: Descobri que no Texas - onde há quase uma arma por habitante - reduziu para quase a metade o numero o índice de crimes violentos nos últimos dez anos. Mas isso é porque nesses dez anos, o pessoal parou de comer carne vermelha e ouvir Bob Marley.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Então, se der uma arma para cada habitante vai reduzir à metade a quantidade de crimes violentos? Quanto é a metade dos crimes violentos no Brasil? É aceitável? O que é um crime não violento praticado por arma? Se eu ouvir todos os discos do Bob Marley, comendo só alface, ficarei imune à violência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 15&lt;/strong&gt;: Descobri que todo mundo que tem arma de fogo é um suicida em potencial. E a única causa do suicídio é a arma de fogo, e não a falta de perspectivas, falta de um ideal, falta de um sonho a buscar ou então distúrbios mentais como a depressão.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Você acha que o resultado do referendo vai interferir na quantidade de suicídios? Ele é fundamental para isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 16&lt;/strong&gt;: Se o SIM ganhar, as ONGs Inglesas vão mandar a Scotland Yard investigar todos os homicídios brasileiros. (Claro que é só uma hipótese, porque não haverá homicídios, mas se um dia acontecer...)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Não acredito nisso, é ironia, claro. Mas, me bateu uma dúvida. Eu votando NÃO aumenta a credibilidade da nossa polícia? Vou confiar mais? Isso está relacionado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 17&lt;/strong&gt;: Descobri que se algum bandido invadir a minha casa, basta eu ligar para o 190. A polícia sempre tem homens e viaturas sobrando e levará menos de 3 minutos para me atender.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Alguém já mediu o tempo que leva para reagir a um bandido invadindo a casa, considerando que a arma está descarregada (vide questão 2), ou mesmo carregada mas eu não ando com ela na cintura dentro de casa? E se o bandido invadiu a casa pelo cômodo onde está a arma? Devo ter uma arma em cada cômodo? E se minha arma falhar, tenho como medir o que acontecerá? Será pior ou melhor? Existe "melhor" ou "pior" numa situação dessas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 18&lt;/strong&gt;: Caso isso não aconteça, basta eu fazer o sinalzinho do "sou da paz" com as mãos e o ladrão vai saber que eu sou um sujeito legal, e então ele vai embora em paz sem levar nada e sem violência nenhuma. Eles sempre agem assim quando descobrem que você é da paz, e não um daqueles psicopatas malvados que são a favor do NÃO.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Então se eu votar no NÃO os bandidos pensarão que eu sou um "Psicopata Malvado"? Como faço para eles descobrirem? Espero acontecer? E se eles não se convencerem? E se eles forem mais Psicopatas e mais Malvados que eu? E se a minha Psicopatia e Malvadeza não me permitirem discernir sobre quem é bandido ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 19&lt;/strong&gt;: Caso o ladrão seja muito, mas muito malvadão, eu só preciso gritar por socorro. Em cinco segundos vão aparecer a Fernanda Montenegro, a Maitê Proença e o Felipe Dylon para me salvar e prender o bandido. Sem usar armas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Então, para minha garantia de segurança eu não posso só ser malvado, tenho que ser "muito malvadão"? É difícil ser muito malvadão? Me desculpem, mas nunca tive essa experiência consciente. É possível ser consciente, malvadão e ter uma arma na mão? Eu não me transformo em bandido assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo 20&lt;/strong&gt;: Se o SIM ganhar, o Brasil vai ser um país mais feliz. Que nem na novela!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dúvidas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: O referendo vai definir a minha felicidade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112905330915872469?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112905330915872469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112905330915872469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/10/referendos-e-contradies.html' title='Referendos e Contradições'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112810993271856685</id><published>2005-09-30T16:50:00.000-03:00</published><updated>2005-09-30T16:52:12.726-03:00</updated><title type='text'>Penha Circular</title><content type='html'>Ainda lembro do dia em que te conheci.&lt;br /&gt;Nossos sonhos se encontravam. A curiosidade nos impulsionava, sem controles, na direção do nosso nariz.&lt;br /&gt;Eu, sentado no banco de cimento na calçada empoeirada, gostava de ficar olhando os carros e os ônibus passarem. Gostava de ler, lá no alto do coletivo, o destino de cada um. Para onde levavam aquelas pessoas.&lt;br /&gt;Aos onze anos de idade experimentava uma ingênua curiosidade pelo destino.&lt;br /&gt;Às vezes, me distraía contando os táxis que passavam. Eram poucos naquela época. Uma contagem para nada, sem contar o tempo. Tempos de menino. Tempo que já estava sendo contado.&lt;br /&gt;Numa dessas distrações, envolvido em poeira e barulho de freio, o vento limpa o ar e me deparo com parte do seu rosto emoldurado pela janela do ônibus. Você, ainda menina, tinha a rua ao alcance de uma lúdica visão.&lt;br /&gt;Seus olhos brilhantes e aguçados decifram a calçada e me vêem.&lt;br /&gt;Da rua vejo apenas esses olhos que, pela expressão, sorriem para mim.&lt;br /&gt;Em ato reflexo corro e entro pela porta de trás. Subo as escadas apressadamente, pago a passagem e recebo uma ficha de plástico vermelha. Sento ao seu lado naquele banco.&lt;br /&gt;Você sorri discretamente, como sempre, e eu pronuncio um tímido oi. O novo sorriso me deixa mais à vontade. Contemplo você sem saber o porquê, um prazer que ainda conservo. Buscando iniciar uma conversa, pergunto para onde vai o ônibus. Lembro da sua infantil cara de espanto e num tom de voz quase confidencial respondeu:&lt;br /&gt;- Penha Circular.&lt;br /&gt;- Você mora lá?&lt;br /&gt;- Não, só quero saber onde é esse lugar – disse sorrindo. E você?&lt;br /&gt;- Também quero saber onde é – respondi sem pensar.&lt;br /&gt;Ah, as mentiras infantis! Podem construir sentimentos deliciosamente eternos.&lt;br /&gt;- Como é seu nome?&lt;br /&gt;- Fullana. Fullana Maria. E o seu?&lt;br /&gt;- Zé.&lt;br /&gt;- Zé? Só Zé? – E riu.&lt;br /&gt;E eu, meio sem jeito:&lt;br /&gt;- É, um Zé qualquer.&lt;br /&gt;Rimos muito e conversamos também. Aliás, como sempre.&lt;br /&gt;Não sei quanto tempo conversamos naquele ônibus, mas quando percebi já tinha retornado ao local de início daquela aventura e precisava deixá-la. A Penha Circular havia passado e continuávamos sem saber onde era. Mas dormi pensando em você, como sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112810993271856685?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112810993271856685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112810993271856685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/09/penha-circular.html' title='Penha Circular'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112740816041868310</id><published>2005-09-22T13:53:00.000-03:00</published><updated>2005-09-22T15:35:27.790-03:00</updated><title type='text'>Visitas Inoportunas</title><content type='html'>Recentemente li na Folha de São Paulo um artigo sobre fanatismo. Perdoe-me o articulista por não lembrar o seu nome, mas uma frase me chamou à atenção. Falava sobre o prazer dos moralistas em atribuir a castigos divinos as tragédias, sejam elas pessoais ou coletivas, que por infortúnio venham a recair sobre as vidas daqueles que são felizes e não comungam com seus ideais reacionários.&lt;br /&gt;Ora, estar livre de situações infelizes na vida é estar condenado ao não existir.&lt;br /&gt;Mas essas enfermas criaturas, imbuídas de uma missão pseudo-apostólica e não satisfeitas em assistir à tal fúria divina, saem ao mundo numa cruzada insana impondo seus semelhantes ao seu próprio julgamento.&lt;br /&gt;Quem lê este blog já pode ter percebido que periodicamente sou visitado por um leitor, provavelmente leitora, que se intitula Fullana ou assume outros nomes. Tal criatura atua incluindo inúmeros comentários desconexos e incompreensíveis, inclusive me ameaçando com a ira divina ou a sua própria. Não satisfeita, está procedendo da mesma forma em blogs de amigos e, pior, citando o meu nome.&lt;br /&gt;Entendo que o personagem Fullana seja fascinante e muitos desejem estar “na pele” dela, seja pela personalidade marcante ou pelos elogios descarados que o autor assume integralmente, numa sincera declaração de admiração e, às vezes, amor. É certo que alguém do mundo real serve de base ao personagem, alguns enredos e características. Nunca neguei. Mas prefiro Fullana na ficção e sua identidade ficará protegida assim eternamente. Ela nunca comentou no meu blog e sequer sei se ela o lê. Se comentasse, traduziria sua cultura, equilíbrio, discrição e, mesmo anônima, nunca importunaria ninguém me usando como referência, muito menos valendo-se de qualquer outra alusão religiosa.&lt;br /&gt;Assim, tenho me limitado a excluir os comentários que aparecem e sugiro o mesmo a quem se sentir importunado.&lt;br /&gt;Nessa temporada de Katrinas, Olgas, Ritas e outros, lembrei-me dos furacões com nomes femininos que já varreram a minha vida. Como bem definiu Fullana certa vez, sou flexível e talvez por isso tenha resistido a todos eles. Desafio à ira divina? Não penso nisso. Prefiro crer no amor, divino ou profano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112740816041868310?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112740816041868310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112740816041868310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/09/visitas-inoportunas.html' title='Visitas Inoportunas'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112688053169817588</id><published>2005-09-16T11:19:00.000-03:00</published><updated>2005-09-16T11:22:11.703-03:00</updated><title type='text'>Anatomia de Fullana, As Mãos</title><content type='html'>Eu nunca esqueço a primeira vez que você pegou na minha mão. Foi para atravessar a rua, num gesto despretensioso. Éramos amigos. Essas frases eram sempre repetidas por Fullana quando nossas mãos se encontravam.&lt;br /&gt;Você tem as mãos tão macias, grandes, delicadas e gostosas. Nossa, que carinhos! Frases repetidas pela sua doce voz.&lt;br /&gt;Talvez ela nunca tenha percebido, nem eu, que as minhas mãos eram apenas reflexos das suas. Que aprenderam carinhos no tato daquelas mãos suaves e calmas. Suavíssimas.&lt;br /&gt;Como um espelho, refletiu movimentos e sutilezas num lesbianismo involuntário expresso nos carinhos recíprocos que nos proporcionaram.&lt;br /&gt;Ah, as suas mãos Fullana! Ainda as vejo acariciando minha fronte traduzindo paz e num mesmo movimento, em outro tempo, afagando meu falo em carícias preparatórias a um prazer quase eterno.&lt;br /&gt;Mãos que ainda curam e seduzem. Mãos que despertam o prazer de um simples contato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112688053169817588?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112688053169817588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112688053169817588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/09/anatomia-de-fullana-as-mos.html' title='Anatomia de Fullana, As Mãos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112601088405287488</id><published>2005-09-06T09:43:00.000-03:00</published><updated>2005-09-06T09:48:04.056-03:00</updated><title type='text'>Álbum de Fotografias II - Anjo</title><content type='html'>Fullana achava o Ademar um bom sujeito. Quase nunca de mau humor. Era daqueles que raramente deixavam de rir. Não aquele riso chato, impertinente, mas o riso dos alegres, dos felizes, dos gordos. Sorriso farto, recheado, com molhos e sobremesas.&lt;br /&gt;Ademar pesava cento e cinqüenta quilos que nunca limitaram aquela desenvoltura característica dos bem relacionados. Transitava com facilidade em meios heterogêneos. Relacionava-se com políticos, religiosos, vizinhos, amigos de infância e todo tipo de gente. Era uma criatura social, não discriminava ninguém e estava sempre pronto para uma conversinha. Tinha bom papo.&lt;br /&gt;Amava a boa mesa. Quando Fullana queria ver o Ademar feliz era só colocar um bom prato de comida na frente dele, de preferência cheio, bem cheio. Ele sorria e mandava:&lt;br /&gt;- Você está querendo agradar o gordo, né? E gargalhava antes da primeira garfada.&lt;br /&gt;Era religioso. Um homem de fé. Mas entregava-se ao pecado da gula sem remorsos. Até feliz.&lt;br /&gt;Às vezes víamos o Ademar distribuindo santinhos e mensagens religiosas aos amigos, sempre com desenvoltura e gestos pastorais. Mas o que gostava mesmo era movimentar a turma do escritório nas ações sociais. Recolhia alimentos, roupas, agasalhos, brinquedos, tudo encaminhado a instituições que cuidavam de desvalidos. Era um homem bom, um incansável, um anjo.&lt;br /&gt;Mas tinha um gosto especial por outro pecado. A luxúria.&lt;br /&gt;Adorava uma sacanagem. Falou em sacanagem, o Ademar estava lá. Sempre rindo muito, alegre. Sentia-se numa segunda casa em qualquer prostíbulo. Era tratado com um carinho quase familiar pelas prostitutas às quais chamava de primas. Ciceroneava os amigos novatos indicando atributos, desempenho e aptidões de cada mulher de aluguel.&lt;br /&gt;Numa das últimas quedas, um amigo convidou o Ademar para uma festinha particular. Entrou em estado de ansiedade aguda.&lt;br /&gt;- É uma suruba? Quantas mulheres? Não quero nem que Deus me ajude.&lt;br /&gt;Esfregava as mãos enquanto revirava os olhos.&lt;br /&gt;Fullana preferia fingir que de nada sabia.&lt;br /&gt;À noite o Ademar estava lá. Bebendo e entregando-se ao seu pecado predileto cercado de jovens dadivosas.&lt;br /&gt;Chegou em casa já madrugada e entrou na ponta dos pés.&lt;br /&gt;No dia seguinte estava no trabalho pontualmente e lá pelo meio da manhã foi visto entregando papéis delicados em forma de pergaminhos aos colegas. Fullana não se conteve.&lt;br /&gt;- Que é isso Ademar?&lt;br /&gt;- São convites para um encontro de casais com Cristo que estou promovendo.&lt;br /&gt;E olhou Fullana com cara de cão triste. As olheiras da noitada eram evidentes.&lt;br /&gt;- Tu não tem vergonha não? Vai para a orgia e volta com essa cara de pau? Seu safado!&lt;br /&gt;Ademar tinha resposta para tudo. Disfarça e a puxa Fullana pelo braço para um canto do escritório.&lt;br /&gt;- Olha aqui. Dos sete pecados eu tiro cinco de letra. Só perco em dois. Cinco a dois pro papai aqui, é goleada minha querida.  Hoje é dia de feijoada, vamos almoçar juntos?&lt;br /&gt;E sorriu o seu melhor sorriso.&lt;br /&gt;Era um anjo, quase decaído.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112601088405287488?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112601088405287488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112601088405287488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/09/lbum-de-fotografias-ii-anjo.html' title='Álbum de Fotografias II - Anjo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112567809634813186</id><published>2005-09-02T13:19:00.000-03:00</published><updated>2005-09-02T13:21:36.353-03:00</updated><title type='text'>Anatomia de Fullana, Os Pés</title><content type='html'>Na vitrine os pequenos refletores voltavam-se para uma peça única. Em metal brilhante, a jóia descansa sob um pedestal acetinado. Na displicência da beleza incomparável, se oferece num adorno de rubis que interagem em simbiose de brilhos e glamour. Uma jóia branca e vermelha.&lt;br /&gt;Num flash viajo aos pés de Fullana. Exibidos em sandálias que os expunham como aqueles pedestais da joalheria. Lindos e delicados pés, brancos como o ouro daquela jóia que não ousava competir com eles. Igualmente adornados, numa variação criadora digna dos mais audaciosos fetiches. Uma hora com unhas rosas qual turmalinas, outras esverdeadas como esmeraldas, ou negras, desafiadoras, poderosamente arrebatadoras.&lt;br /&gt;Vejo esses pés firmes atravessando ruas ou dançando em salões, na condução dos meus, menos hábeis nessa arte. É verdade que nossos passos nunca seguiriam um caminho único. Às vezes corriam em direções opostas. Em outras caminhavam em paralelos que, independente da velocidade, nunca se encontrariam.  Mas esses lindos pés já se aproximaram de tal forma dos meus que muitas vezes confundiram-se em carícias mutuamente submissas.&lt;br /&gt;Na vitrine da minha lembrança, os pés de Fullana descansam sobre os lençóis após o amor, transfigurados numa jóia de ouro branco adornada por unhas tingidas de rubi que já passearam por meu corpo.&lt;br /&gt;Esses pés que tanto beijei. E que beijo, neste momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112567809634813186?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112567809634813186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112567809634813186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/09/anatomia-de-fullana-os-ps.html' title='Anatomia de Fullana, Os Pés'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112508941766160463</id><published>2005-08-26T17:50:00.000-03:00</published><updated>2005-08-26T17:50:17.666-03:00</updated><title type='text'>Anatomia de Fullana, A Boca</title><content type='html'>&lt;div style="float: right; margin-left: 10px; margin-bottom: 10px;"&gt; &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/61508004@N00/37427999/" title="photo sharing"&gt;&lt;img src="http://photos21.flickr.com/37427999_e964087c88_m.jpg" alt="" style="border: solid 2px #000000;" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-size: 0.9em; margin-top: 0px;"&gt;  &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/61508004@N00/37427999/"&gt;O Beijo, Rodin&lt;/a&gt;  &lt;br /&gt;  Originally uploaded by &lt;a href="http://www.flickr.com/people/61508004@N00/"&gt;jaugusto1&lt;/a&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;Quando te conheci nossas bocas sorriram. Distantes alguns metros, limitaram-se a exibir uma discreta simpatia numa troca gentil. Nos seus ofícios só sabiam falar. Falavam-se o necessário. &lt;br /&gt;Na arte de falar e sorrir conquistaram-se numa troca de afetos e tonalidades. Já eram conversas e alegres sorrisos. Tinham alegria em falarem-se. &lt;br /&gt;Nessa proximidade da conquista os aromas foram incorporados ao conjunto de sensações que passariam a me fazer lembrar de você. &lt;br /&gt;Seguindo a construção afetiva, já regada a paixão, sabores passaram a freqüentar nossas bocas em beijos desajeitados num primeiro momento, mas que fizeram-nas se moldarem uma à outra de tal forma, que hoje beijo-te mesmo com tua boca ausente. &lt;br /&gt;E com os sabores vieram as texturas. Tão diversas que espalharam prazer em deliciosos beijos por todo o nosso corpo.&lt;br /&gt;Hoje, mesmo que nossas bocas não troquem sequer um som, desejam-se como sempre, num eterno beijo imortalizado por você, Fullana.&lt;br clear="all" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112508941766160463?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112508941766160463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112508941766160463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/anatomia-de-fullana-boca_26.html' title='Anatomia de Fullana, A Boca'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112490738839154236</id><published>2005-08-24T15:13:00.000-03:00</published><updated>2005-08-24T15:24:24.736-03:00</updated><title type='text'>Aviso aos Navegantes</title><content type='html'>Aos que ainda se dão ao trabalho de ler este blog, alguns com uma certa habitualidade e paciência monástica, peço que não se assustem caso percebam o desaparecimento de alguns textos (o que já pode ter acontecido).&lt;br /&gt;Iniciei a elaboração de meu primeiro livro de contos e vou aproveitar alguns enredos, reescrevê-los, juntá-los a outros inéditos e colocar meu bloco na rua.&lt;br /&gt;Àqueles ansiosos (que pretensão!), que aguardam um livro sobre Fullana Maria, minha eterna musa inspiradora, informo que esse já está em andamento.&lt;br /&gt;Devido à necessidade produtiva de inéditos, talvez altere um pouco as características básicas deste blog escrevendo outras coisas, em outros formatos. Aliás, vou me valer de uma idéia do &lt;a href="http://brancoleone.blogspot.com/"&gt;Branco Leone &lt;/a&gt;e aceitar (PEDIR) sugestões de temas para eu escrever e publicar neste blog. Vamos lá, participem dessa aventura a várias mãos que, articuladas com criatividade, poderão  nos proporcionar muito prazer. Aviso: Não é sexo grupal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112490738839154236?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112490738839154236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112490738839154236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/aviso-aos-navegantes.html' title='Aviso aos Navegantes'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112473793624410638</id><published>2005-08-22T16:10:00.000-03:00</published><updated>2005-08-22T16:12:16.250-03:00</updated><title type='text'>Aprendendo</title><content type='html'>Abandono hoje os contos para contar uma outra história. Real, mas daquelas que poderiam passar despercebidas não fosse a existência de criaturas teimosamente especiais.&lt;br /&gt;Há oito meses cumpro um ritual quase islâmico de peregrinação à minha Meca, meu oráculo, à casa de meu pai.&lt;br /&gt;Infelizmente, como alguns sabem, um homem que caminhava diariamente, tinha pressão arterial normal, bem melhor que a minha, auxiliava na manutenção de três creches, e lidava lá com suas imperfeições, teve o cérebro varrido por um acidente vascular cerebral hemorrágico e isquêmico que lhe consumiu um terço de massa cinzenta tornando-a inoperante.&lt;br /&gt;Esse homem, que hoje só tem dois terços do cérebro a lhe comandar os movimentos, pensamentos, desejos e funções vitais, parecia, aos meus olhos, transformado em outro homem. Hemiplégico, sem condições de movimentação sequer para virar-se na cama, passou a merecer atenção especial de amigos, vizinhos e parentes.&lt;br /&gt;            Mas, na seqüência da vida, a rotina de cada um foi tomando seu espaço. O tempo foi passando e os amigos aparecendo menos, os vizinhos igualmente, os parentes da mesma forma. Cada um seguindo às necessidades de suas vidas.&lt;br /&gt;            Mesmo estando em casa, cercado de um mínimo conforto e atendimento, aquela limitação tornou-se mais evidente. Há tempos eu sentia um incômodo em vê-lo naquela situação mas não percebia que também participava de tudo. Tinha passado a visitar um doente e não mais o meu pai. Sempre a rotina nos anestesiando.&lt;br /&gt;            A partir dessa percepção e numa tentativa de livrar-me da culpa, propus um domingo diferente, sem imaginar que aquele velho homem ainda me reservava mais um ensinamento. Juntei os netos, ele e passamos um domingo como há oito meses não passávamos. Fizemos almoço juntos, saímos de carro e passeamos na rua, brincamos com  cachorros, discutimos futebol, falamos mal da família, tudo com dificuldades e limitações, mas foi divertido.&lt;br /&gt;            Deixei-o dormindo um sono traqüilo e voltei para minha casa. À noite, o telefone toca. É ele.&lt;br /&gt;- Oi meu filho. Estou ligando para te agradecer uma coisa. Quando eu pensei que a vida tinha acabado, você me mostrou que não.&lt;br /&gt;            Mandou-me um beijo, desejou boa noite e desligou sem me deixar falar nada. Não falaria.&lt;br /&gt;Sem saber, quem mais uma vez me mostrava algo era ele, meu pai.&lt;br /&gt;Com um teço do cérebro morto, ainda me ensina coisas das mais importantes. Do amor.&lt;br /&gt;Porque estou escrevendo isso? Porque meu pai sempre me inspirou as melhores coisas. As piores, eu aprendi sozinho mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112473793624410638?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112473793624410638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112473793624410638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/aprendendo.html' title='Aprendendo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112438427211199942</id><published>2005-08-18T13:56:00.000-03:00</published><updated>2005-08-18T14:53:59.523-03:00</updated><title type='text'>Gesto Salvador</title><content type='html'>Se não for ao templo não vai sair. Recebeu a ameaça e ficou sem saber o que fazer. Enrolou-se no lençol, tal qual uma burka, com os olhos negros de fora, indignado. Tinha ensaio com sua banda de rock, adolescente como ele. Teve vontade de gritar mas convenceu-se de que não adiantaria. Preferiu abraçar a guitarra que compartilhava a cama.&lt;br /&gt;Resignado como sempre, concordou. Tá bom, eu vou. Mas depois vou sair, negociou pensando que estava equilibrando a situação. Vai lá, menino. Talvez te convidem para tocar no grupo da igreja, argumentou a senhora, convicta de que estava oferecendo-lhe um caminho melhor. Ele torceu a boca e preferiu não comentar.&lt;br /&gt;Passaram algumas horas e lá estava aquele menino cabeludo entrando no templo religioso. Nunca tinha imaginado ir num lugar daqueles.&lt;br /&gt;Rapidamente foi cercado por animados religiosos que se encarregaram de encorajá-lo a aceitar o Senhor. Ele apenas sorria educadamente. Ofereceram água e colocaram-no na primeira fila sentado sem muito aperto. Apesar da sua aparente displicência, percebeu o burburinho daqueles que tinham como certo um relato futuro de conversão. O menino que nem se preocupava com isso, estava ali sentado como quem toma um comprimido para não ter dor de cabeça.&lt;br /&gt;Um senhor de terno ocupa uma pequena tribuna, cumprimenta a todos e dirige um olhar especial a ele, que não chega a abalar-se. Era tranqüilo.&lt;br /&gt;Ao convite para o louvor, um conjunto dispara seus instrumentos eletrônicos numa melodia feita para chorar. Não chegou a entender o que cantavam mas percebeu claramente que as cordas si e mi da guitarra estavam desafinadas e que o baterista se atrapalhava no contra-tempo. Achou que a cantora poderia ter problemas vocais se continuasse abusando dos gorjeios e ressonâncias. Mas, não era a banda dele.&lt;br /&gt;O orador falou durante uma hora, o que lhe rendeu um pouco de sono que só foi quebrado quando aquele senhor começou a falar numa língua estranha, incompreensível, que parecia ter mais consoantes que vogais. Disseram ser a língua do senhor. Teve vontade de perguntar porque o senhor falava numa língua que ninguém entendia mas não deu tempo, o conjunto começou uma nova música.&lt;br /&gt;Após oito hinos, dois sermões, muitos louvores, sono e a bunda dormente, sentiu terminado seu compromisso. Levantou-se, arrumou a velha calça jeans, os cabelos e dirigiu-se à saída do templo quando foi abordado por um grupo.&lt;br /&gt;- E então, você aceitou Jesus?&lt;br /&gt;O menino sorriu timidamente e, contemporizando:&lt;br /&gt;- Vou pensar, tá legal?&lt;br /&gt;O grupo, ainda esperançoso, pediu que pensasse com carinho.&lt;br /&gt;Já no portão, recebe um aceno de todos com um até o próximo encontro.&lt;br /&gt;Educadamente ele sorri e num gesto quase automático ergue a mão direita fechada em punho, levanta o indicador e o dedo mínimo despedindo-se com um aceno em forma de chifres.&lt;br /&gt;Roqueiro, traiu-se num último gesto para decepção geral entre os obreiros. Coisas da sinceridade juvenil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112438427211199942?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112438427211199942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112438427211199942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/gesto-salvador.html' title='Gesto Salvador'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112421510840849230</id><published>2005-08-16T14:55:00.000-03:00</published><updated>2005-08-16T14:58:28.413-03:00</updated><title type='text'>Inércia e Destino</title><content type='html'>Naquela tarde de sol, ele sentou na areia e ficou lá olhando o mar. O céu, nesses dias de inverno, ficava incrivelmente azul e o sol em nada lembrava àquele dos dias de praia cheia. O sol era também de inverno. Morno, doce, parecendo chá do final de tarde.&lt;br /&gt;O mar estava particularmente esverdeado e no horizonte confundia-se com o azul do céu. Talvez mera tonalidade.&lt;br /&gt;Lembrou-se do edredom de dupla face que usava para cobrir-se nessas noites de inverno. Uma vez azul, outra verde. Macio como a pele de Fullana.&lt;br /&gt;Uma onda mais forte traz a espuma morna, comum no inverno dessas praias do Rio, que envolve os seus pés para depois desfazer-se em gotas de sal.&lt;br /&gt;A mesma onda traz uma rosa branca ainda bela, deixando-a na areia. Ele admira aquela beleza alva imersa novamente em outra beleza esverdeada. Uma nova onda aproxima um pouco mais aquela rosa dos seus pés, que passa a merecer uma atenção dividida com o mar.&lt;br /&gt;Um ou outro espinho roça a pele provocando uma dor quase lúdica, nada grave, daquelas de brincadeira de criança.&lt;br /&gt;Aquele contato de pele, físico, sensível nos poros, contraste entre flor e espinho, lhe aviva a presença dela.&lt;br /&gt;Antes que conseguisse pegar-lhe firme na mão, uma nova onda de espuma varre a flor da areia depositando-a já distante dele.&lt;br /&gt;Havia esquecido do mar, do céu, das cores. Só havia o branco. Das espumas, da rosa, dela.&lt;br /&gt;Pensa em levantar-se e buscá-la, mas conta que talvez o mar pudesse trazê-la novamente para junto de si.&lt;br /&gt;Uma fatalidade. Nesse tempo, uma esteira barulhenta recolhe a flor num golpe de fúria mecânica arremessando-a num imenso compartimento metálico, estraçalhada e parcialmente soterrada por um pouco de areia e água do mar. Era o fim.&lt;br /&gt;Agora, aquela bela flor compartilha o ambiente comum àqueles que aguardam o seu triste fim, em decomposição.&lt;br /&gt;Na metáfora das transformações do amor, experimentaram o mesmo destino. Ela por inércia, ele por deixar de pegar-lhe firme na mão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112421510840849230?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112421510840849230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112421510840849230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/inrcia-e-destino.html' title='Inércia e Destino'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112368604798154930</id><published>2005-08-10T11:58:00.000-03:00</published><updated>2005-08-10T12:04:38.520-03:00</updated><title type='text'>Tentando Aprender a Lavar Roupa</title><content type='html'>"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.&lt;br /&gt;Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; &lt;strong&gt;a palavra foi feita para dizer&lt;/strong&gt;."&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Graciliano Ramos&lt;/strong&gt;, em entrevista concedida em 1948&lt;br /&gt;Salve Mestre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112368604798154930?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112368604798154930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112368604798154930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/tentando-aprender-lavar-roupa.html' title='Tentando Aprender a Lavar Roupa'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112360484663706229</id><published>2005-08-09T13:25:00.000-03:00</published><updated>2005-08-09T13:27:26.646-03:00</updated><title type='text'>Absolutismo</title><content type='html'>Agosto entrou absoluto. Lembrei de sua presença já no dia primeiro.&lt;br /&gt;Agosto entrou com uma absoluta falta de tempo para escrever.&lt;br /&gt;Absoluta falta de vontade de escrever.&lt;br /&gt;Absoluta falta de inspiração para escrever.&lt;br /&gt;Absoluta falta de graça para escrever.&lt;br /&gt;Talvez dia quinze melhore. Nossa Senhora da Glória.&lt;br /&gt;No sincretismo, Iemanjá. Dos mares, dos cabelos longos, da sedução. A grande mãe de todos os Orixás, da fartura de amor e matéria, nossa herança d’além do Atlântico.&lt;br /&gt;Agosto entrou com Fullana Maria investida de poderes absolutos, sem limites, exercendo de fato e de direito os atributos da soberania.&lt;br /&gt;Agosto, mês do desgosto. Não! Do oposto. Muito gosto. De Fullana. Saborosa.&lt;br /&gt;É uma rainha. Do céu, do mar, da Glória. Quase santa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112360484663706229?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112360484663706229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112360484663706229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/absolutismo.html' title='Absolutismo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112316275679747099</id><published>2005-08-04T10:37:00.000-03:00</published><updated>2005-08-04T10:43:53.366-03:00</updated><title type='text'>A Verdadeira Cor</title><content type='html'>Não tenho coragem de furar fila.&lt;br /&gt;Tenho vergonha de fazer xixi na rua, questão de saúde pública.&lt;br /&gt;Me esforço para não acelerar o carro quando alguém liga a seta e indica que vai ocupar um lugar à minha frente no engarrafamento.&lt;br /&gt;Não tenho vontade de roubar e acho o roubo deplorável.&lt;br /&gt;Torço para não achar nada na rua e experimentar a angústia de ter que devolver, por estar consciente de que isso é o correto e de que o meu achado pode estar fazendo muita falta a alguém que pensa como eu, ou mesmo que pense diferente.&lt;br /&gt;Não persigo ambulâncias ou carros de bombeiros tentando chegar antes dos outros no trânsito.&lt;br /&gt;Jogo na loteria e quero ganhar desde que por acaso ou sorte.&lt;br /&gt;Não ultrapasso em acostamento quando o trânsito está engarrafado.&lt;br /&gt;Não acredito em perfeição, já que tenho dificuldades em definir Deus de uma forma compreensível.&lt;br /&gt;Penso que só a própria pessoa sabe definir sua dor.&lt;br /&gt;Quanto ao amor, é indefinível, mas sensível em plenitude, mesmo que à distância.&lt;br /&gt;Entendo que só a educação salva porque permite elaborações, associações, conclusões, concordâncias e discordâncias. Senso crítico.&lt;br /&gt;Tento compreender as fraquezas humanas, sem compactuar com elas, mas somente após ter passado meu ódio que, felizmente, passa rápido.&lt;br /&gt;Acho que o tempo cura tudo.&lt;br /&gt;Pouca coisa é melhor que sexo, com quem desejamos.&lt;br /&gt;Acredito que é possível o bem comum.&lt;br /&gt;Armas poderiam ser banidas.&lt;br /&gt;Minhas atitudes às vezes são desastrosas, mas corrigíveis.&lt;br /&gt;Minhas declarações às vezes inconsistentes, mas devo tentar explicá-las.&lt;br /&gt;Minha fé sofre vacilações, mas persiste depois que durmo.&lt;br /&gt;Não fumo simplesmente porque fumar mata e não quero matar ninguém.&lt;br /&gt;Não quero levar vantagem em tudo.&lt;br /&gt;Acredito nas oportunidades iguais a todos, como bem disse &lt;a href="http://ordisiraluz.zip.net/"&gt;Ordisi&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Essa é a verdadeira cor da minha bandeira, que pode estar tingida, sob qualquer matiz.&lt;br /&gt;A cor fica a cada gosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112316275679747099?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112316275679747099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112316275679747099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/verdadeira-cor.html' title='A Verdadeira Cor'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112299439368199524</id><published>2005-08-02T11:52:00.000-03:00</published><updated>2005-08-02T15:08:37.783-03:00</updated><title type='text'>Bandeiras</title><content type='html'>Minha primeira bandeira, lembro que era vermelha. Achei-a na lata de lixo do vizinho.&lt;br /&gt;Levei-a para casa escondido embaixo da camisa, morrendo de medo de levar uma surra da minha mãe quando ela soubesse que eu andava bisbilhotando as latas de lixo. Curiosidade infantil.&lt;br /&gt;Tinha um símbolo estranho pintado.&lt;br /&gt;Eu era muito menino, mas lembro daquela bandeira vermelha que eu amarrava atrás da minha bicicleta num cabo de vassoura velho e saía pedalando, olhando para trás e vendo-a tremular ao vento. Fazia isso escondido porque não saberia dizer para minha mãe a origem da mesma e fatalmente pressentia a tal surra.&lt;br /&gt;Mas como ela era bonita. Às vezes me servia de capa para eu ensaiar vôos magníficos e heróicos em defesa de sei lá o quê. Com ela eu também voava na minha santa ingenuidade.&lt;br /&gt;A mesma bandeira vermelha servia para brincar de espantar moscas dentro de casa, na mais absoluta falta do que fazer e de brinquedos. Da mesma forma, servia para eu me fantasiar de diabo e assustar minha irmã em noites de falta de energia elétrica. Ela era uma parte da minha alegria.&lt;br /&gt;Um dia minha mãe descobriu a bandeira.&lt;br /&gt;- Menino, que bandeira é esta? Sacudiu na minha cara.&lt;br /&gt;- Eu achei na rua e peguei para brincar. Argumentei com a voz embargada já sabendo o fim da estória.&lt;br /&gt;- Você está querendo prejudicar o seu pai? Tá?&lt;br /&gt;E tomei o inevitável tapa, que nem doeu. A dor maior foi ver minha mãe ateando fogo à minha bandeira vermelha que se consumiu rapidamente. As cinzas foram parar no lixo.&lt;br /&gt;Somente muito tempo depois, já adolescente, compreendi o ato de minha mãe. Naquele ano de 1964, com a ditadura militar avançando, uma bandeira vermelha com um símbolo socialista, tremulando atrás de uma bicicleta, seria problema certo para toda a família.&lt;br /&gt;Muitos anos depois, uma nova bandeira vermelha chegou às minhas mãos. Dessa vez, com uma estrela. Cheia de significados tal qual a primeira.&lt;br /&gt;Sem a surra ameaçadora da minha pobre mãe a me assombrar, peguei-a. Coloquei-a na janela de casa. Levei-a tremulando pela cidade, ainda num velho cabo de vassoura.&lt;br /&gt;Aquela bandeira era um depositório de esperanças. Esperanças tantas que nem daria para escrever, sob pena de esquecer das principais.&lt;br /&gt;Mas, já não sou tão menino. Foram muitas histórias vividas e assistidas. Ingenuidade corrompida.&lt;br /&gt;Minha mãe já não incendeia bandeiras nem me dá surras, mas a decepção pelo destino da minha segunda bandeira vermelha é a mesma.&lt;br /&gt;Hoje, ao sair de casa, dobrei-a com cuidado e, sem ódio, abri o latão laranja de lixo e joguei-a lá dentro.&lt;br /&gt;Nesse universo de angústia, decepção e realidade, fiquei imaginando que minha mãe, se pudesse, juntaria as cinzas da primeira bandeira e, num sopro mágico, daqueles que só as mães têm, a reconstituiria e me entregaria sugerindo:&lt;br /&gt;- Continue lutando, meu filho. Trabalhe.&lt;br /&gt;A rua estava cheia de crianças sorridentes. Caminhei alguns metros até o carro e antes de entrar resolvi voltar. Abri o latão e peguei a bandeira lá de dentro. A meninada ficou olhando sem entender porque aquele homem de terno estava remexendo o lixo.&lt;br /&gt;Quis evitar apenas que algum menino curioso pudesse pegá-la para brincar, amarrando-a em uma velha bicicleta e viesse a levar uma surra de sua mãe, nesses tempos de vergonha.&lt;br /&gt;A minha bandeira continuará sendo a vermelha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112299439368199524?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112299439368199524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112299439368199524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/08/bandeiras.html' title='Bandeiras'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112249044791349123</id><published>2005-07-27T15:51:00.000-03:00</published><updated>2005-07-27T15:58:42.066-03:00</updated><title type='text'>A Pedido</title><content type='html'>Parecia alucinação. Andava pelos cantos, com um humor péssimo.&lt;br /&gt;No início, ouvia vozes e percebia vultos. Vultos femininos, graças a Deus, mas vultos sempre incomodam.&lt;br /&gt;Com o tempo escasseando cada vez mais, me empenhei no trabalho com a habilidade de um malabarista de sinal.&lt;br /&gt;Vinha acumulando horas de trabalho consecutivas, chegando à marca de vinte horas por dia. E foram vários dias. Centenas de ligações, dezenas de reuniões, cálculos, laudos e atendimentos a clientes.&lt;br /&gt;Quando percebi, o trabalho já estava no sangue e nem parecia que eu estava dormindo pouco, comendo mal e envelhecido mais dez anos em apenas dois meses. Dez anos é uma diferença significativa na minha idade. A pressão subiu e o resto todo caiu. Alguém perguntará, que resto? Sei lá, quando se trabalha sem parar tudo vira resto.&lt;br /&gt;Julgando-me perturbado, as vozes se fizeram mais constantes, soprando aos meus ouvidos histórias diversas com personagens e situações igualmente diferentes, que eu tentava rascunhar.&lt;br /&gt;Os vultos assumiram cores e formas conhecidas já numa adorável alucinação. Era Fullana, sempre presente.&lt;br /&gt;Um dia colocava suas mãos nos meus ombros para eu perceber suas unhas pintadas de negro. Em outro, sentava e cruzava suas longas e belas pernas, em movimentos circulares e propositais que me permitiam ver a cor de suas peças mais íntimas, em tecido ou sem ele.&lt;br /&gt;No auge das aparições, sentou-se na minha mesa entre o monitor do computador e eu. Abriu as pernas, pegou meu rosto com suas mãos e aproximou-se até quase me tocar. Com um leve sorriso questionou:&lt;br /&gt;- Você não vai escrever mais? Não?&lt;br /&gt;Admiti a falta de tempo e minha insatisfação com isso.&lt;br /&gt;- Tenho tentado mas não consigo tempo. Não queria parar, mas...&lt;br /&gt;- Filhinho, nós temos uma relação que não vai acabar assim. Somos cria um do outro, nos alimentamos. Você nunca me deixou na mão.&lt;br /&gt;- Mas Fullana, minha querida, estou com dezoito textos inacabados e ...&lt;br /&gt;Ela me interrompeu, olhou-me nos olhos, molhou os lábios com a língua e disparou:&lt;br /&gt;- Estou com fome. Escreve, vai.....&lt;br /&gt;Arranjei um tempo.&lt;br /&gt;Fullana transforma a falta de tempo em ficção e se impõe. Pura realidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112249044791349123?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112249044791349123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112249044791349123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/07/pedido.html' title='A Pedido'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112187534011020078</id><published>2005-07-20T13:00:00.000-03:00</published><updated>2005-07-21T11:47:38.836-03:00</updated><title type='text'>A Idade e o Ciúme</title><content type='html'>Acordou cedo. Meio preguiçoso, esticou-se e ficou sentado na cama alguns minutos. Dormiu sentado e acordou com a segunda investida do despertador.&lt;br /&gt;Cambaleando, levantou e foi direto para o chuveiro numa tentativa de acordar.&lt;br /&gt;Acordou.&lt;br /&gt;Short vermelho, camiseta olímpica, um tênis de última geração e aquela maldita barriguinha saliente.&lt;br /&gt;Partiu para a sua corrida matinal, antes do trabalho. Na verdade, era a sua primeira corrida matinal após muitos anos de inatividade, mas ele nunca admitiria isso aos amigos.&lt;br /&gt;Ficou exausto, óbvio. Sentiu-se um verme ao retornar para casa, após percorrer os míseros dois mil metros do percurso, tropeçando nas pedras portuguesas da calçada.&lt;br /&gt;- Estou acabado. Acho que fiquei velho. Resmungou.&lt;br /&gt;Fullana tentou animá-lo:&lt;br /&gt;- Que é isso? Você está ótimo. Daqui a pouco você está tirando esse percurso de letra. Porque você não se inscreve da meia maratona de masters?&lt;br /&gt;- Pois é, corrida de velho! Irritou-se.&lt;br /&gt;Fullana disfarçou e foi para o banheiro morrer de rir. Ele estava arrasado, era verdade, e rir na frente dele uma maldade.&lt;br /&gt;Ele tomou novo banho, vestiu-se elegantemente, numa tentativa de elevar a moral, e foi trabalhar ainda um pouco cansado.&lt;br /&gt;Fullana tentou melhorar as coisas com um beijo na saída de casa.&lt;br /&gt;- Nossa! Que gato!&lt;br /&gt;Ele miou para ela, na tentativa de não perder seu habitual bom humor. Saíram juntos.&lt;br /&gt;Pegaram o metrô. Com o vagão um pouco cheio, um rapaz levanta-se e lhe oferece o banco laranja, preferencialmente destinado aos idosos. Todos olham para ele. Na verdade, talvez poucos tenha atentado para a situação, comum no metrô, mas ele se acha observado pelo planeta inteiro. Fullana, obviamente, olhou para o lado oposto, prendendo o riso.&lt;br /&gt;Ele agradeceu e recusou a oferta. Era educado. Outras pessoas entraram e saíram do vagão. O banco laranja ficou lá, vazio, como que esperando por ele.&lt;br /&gt;Tomou força a idéia da velhice.&lt;br /&gt;A manhã passou e esqueceu um pouco o assunto.&lt;br /&gt;No almoço, entra numa loja de doces onde é atendido por uma linda moça.&lt;br /&gt;- Posso ajudá-lo, senhor? Sorriu a jovem, insinuando-se numa falsa servidão.&lt;br /&gt;Aquela inocência perversa, segundo ele, liquidou qualquer intenção. “Ajudá-lo” e “senhor” foram duas palavras que soaram cruéis naquele dia. E logo daquela menina com carinha de anjo e olhar de diaba.&lt;br /&gt;Era sincero, comentou com Fullana e ouviu um sonoro:&lt;br /&gt;- Bem feito, seu cachorro.&lt;br /&gt;Arrependeu-se. Fullana não esqueceria aquilo.&lt;br /&gt;A tarde demorou a passar. Precisava encontrar forças para superar a idéia obsessiva da velhice.&lt;br /&gt;Quarenta e oito anos não é idade de velho, pensava quase convencido.&lt;br /&gt;Chegou em casa depois de Fullana. Jantaram juntos num meio silêncio.&lt;br /&gt;Ligou a televisão, coisa que nem sempre fazia, e lá estava uma reportagem do maldito telejornal. Uma animada senhora convidava as pessoas a ingressarem num clube da terceira idade. Teceu todas as vantagens e foi auxiliada pelo repórter:&lt;br /&gt;- O que precisa para entrar no clube?&lt;br /&gt;- Apenas muita disposição e ter mais de quarenta e cinco anos. Sorriu a animada velhinha.&lt;br /&gt;Ele arriscou um olhar para Fullana. Ela encheu as bochechas tentando prender o riso, mas não resistiu, morreu de rir.&lt;br /&gt;- Vai lá se matricular, seu pedófilo das docerias.&lt;br /&gt;Ele se calou e pensou em comprar um pijama.&lt;br /&gt;Ao dormir, Fullana deu o golpe final:&lt;br /&gt;- Vou fechar a janela. Você está com o corpo quentinho e pode pegar um golpe de ar. Pneumonia em idoso é um problema e duvido que aquele anjinho safado da doceria saiba cuidar de doente. E velho.&lt;br /&gt;Ele preferiu fingir que estava dormindo. Ela virou para o lado e sorriu. Era pura provocação, o ciúme já tinha passado.&lt;br /&gt;Apagou a luz e discretamente encostou o corpo no dele. Ele estava quentinho mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112187534011020078?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112187534011020078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112187534011020078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/07/idade-e-o-cime.html' title='A Idade e o Ciúme'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112136202485587587</id><published>2005-07-14T14:25:00.000-03:00</published><updated>2005-07-14T14:33:22.843-03:00</updated><title type='text'>Eu e Fullana - I</title><content type='html'>No telefone, ouço a voz de Fullana indignada:&lt;br /&gt;- Você sabe que não gosto de televisão, não sabe?&lt;br /&gt;- Nem de novela?&lt;br /&gt;- Deteeeeeesto novela. Mas não muda de assunto, Zé. Ontem, resolvi assistir ao Jornal Nacional.&lt;br /&gt;- Tá sem programa? Podemos sair. Insinuei.&lt;br /&gt;- Já te disse que só podemos ser amigos. Tenho um pressentimento ruim.&lt;br /&gt;Fullana era enigmática, às vezes.&lt;br /&gt;- Deixa eu contar a minha história? Irritou-se.&lt;br /&gt;Calei-me e preferi ouvir o que tinha a dizer.&lt;br /&gt;Na gostava de telejornais. Achava que não acrescentavam nada e eram mensageiros do sadismo.&lt;br /&gt;Mas ontem, enquanto lixava as belas unhas preparando-as para a pintura, ficou atenta à televisão, no telejornal das oito da noite.&lt;br /&gt;A primeira reportagem foi sobre corrupção no governo. Demorou uns cinco minutos e já emendou em outra, sob corrupção também. A terceira foi igualmente sobre corrupção.&lt;br /&gt;Fullana levantou-se e pegou um caderninho para anotar. Disse que resolveu fazer uma estatística dos temas apresentados no tal telejornal nacional.&lt;br /&gt;Atenta e criteriosa para não falhar em alguma classificação registrou oito reportagens sobre corrupção, três sobre tragédias diversas, uma sobre crime ambiental, outra sobre cambio negro com ingressos para o futebol, que lhe rendeu alguma dúvida quanto à classificação. Prática como sempre, já impaciente, registrou como crime.&lt;br /&gt;Para aliviar, entrou a previsão do tempo. Relaxou um pouco quando chamou a bela menina do tempo de galinha. Tinha motivos. Com um sorriso que as aves não possuem, a bela anunciava uma frente fria com temporal para o fim de semana. Fullana, que gostava de combinar a cor das unhas com suas intenções, mudou de esmalte. Chamou a bela da TV de galinha novamente, na despedida, com um sorriso malicioso no canto da boca.&lt;br /&gt;Registrou ainda uma última notícia esportiva.&lt;br /&gt;Na exibição da vinheta de encerramento, apurou os seus registros. Foram quinze reportagens, todas de fazer chorar. Nenhuma sobre artes, nem educação, nem nada de bom. Ficou a impressão de que não existia nada de bom neste país.&lt;br /&gt;- Ai, Zé! Me senti uma porcaria, num país de porcaria. Tô com vontade de esganar toda essa mediocridade.&lt;br /&gt;- Só posso te dizer uma coisa, vou escrever sobre isso. Posso?&lt;br /&gt;Fullana sorriu e mudou o tom da voz.&lt;br /&gt;- Pode. Mas com uma exigência....&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- Diz que eu chamei aquela horrorosa de galinha. Um beijo.&lt;br /&gt;Desligou às gargalhadas. Foi à geladeira, tomou um copo de leite. Soltou os cabelos e deitou em seu travesseiro de plumas de pato para seu sono de rainha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112136202485587587?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112136202485587587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112136202485587587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/07/eu-e-fullana-i.html' title='Eu e Fullana - I'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112109405714001327</id><published>2005-07-11T12:00:00.000-03:00</published><updated>2005-07-11T12:00:57.153-03:00</updated><title type='text'>Álbum de Fotografias</title><content type='html'>Repassava um antigo álbum de fotografias com uma certa nostalgia, daquelas de quem não tem muito a fazer. Vida vazia, talvez.&lt;br /&gt;Parou para observar a foto de uma grande amiga. Daquelas amigas de muitos anos que compartilharam muitos momentos e gozavam de uma intimidade quase maternal. Até dormiam juntas. Sim, era como uma mãe, especial.&lt;br /&gt;Com o olhar desviado para lugar nenhum, lembrou, ao mesmo tempo, de muitos momentos. Daquelas viagens que o pensamento dá. Ela partilhara todas as separações de Fullana sempre pronta a consolar. Da última, foi apenas mensageira. Confidente e influente na formação da opinião dela como devem ser as amigas.&lt;br /&gt;Retornou ao álbum e virou a página.&lt;br /&gt;Outra foto de uma linda mulher. Uma beleza européia de cabelos louros finlandeses. O olhar da foto, de um incrível azul, transparecia melancolia. Sorria mas parecia não sorrir, faltava a alegria do sorriso. Novamente o olhar de Fullana torna-se distante. Pensa naquela figura belíssima que já havia colecionado alguns amores. Passaram pelo corpo e pela vida mas não ficaram. Solitariamente bela.&lt;br /&gt;Passa rapidamente algumas folhas do álbum. Passeiam pela sua visão, agora atenta, inúmeras figuras. Personagens conhecidos que compartilham aquelas páginas da mesma forma que compartilham a sua vida. São amigos, parentes, figurantes, alguns vazios. Fotos que foram rasgadas. Provavelmente de ex-amores, não se lembrava mais. Fullana não deixava vestígios de amores passados.&lt;br /&gt;Chega à última página. Estava vazia há pouco tempo. Apesar da foto rasgada e ausente, ainda lembrava do sorriso dele.&lt;br /&gt;Novamente os olhos se perdem em algum lugar. Não chora. Sorri, lembrando das brincadeiras e promessas dele, dizendo que apareceria para ela, mesmo depois de morto, se ela deitasse com outro homem.&lt;br /&gt;Ele não morreu, mas também não apareceu, como sempre prometera.&lt;br /&gt;Retorna ao álbum, e vira a última página numa imensa sensação de infelicidade e solidão, comum em todas as fotos.&lt;br /&gt;Suspirou e lamentou que ele não tivesse aparecido, isso poderia ter mudado o seu destino. Mesmo assim, deixou a última página em branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112109405714001327?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112109405714001327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112109405714001327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/07/lbum-de-fotografias.html' title='Álbum de Fotografias'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112057264705917244</id><published>2005-07-05T11:09:00.000-03:00</published><updated>2005-07-14T10:23:51.380-03:00</updated><title type='text'>Intenso</title><content type='html'>Sonhei-te princesa,&lt;br /&gt;depois rainha.&lt;br /&gt;Sonhei-te santa,&lt;br /&gt;depois puta, devassa,&lt;br /&gt;Todas somente minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas santas são de todos,&lt;br /&gt;rainhas são de todos,&lt;br /&gt;putas são de todos.&lt;br /&gt;E todos pensam tê-las só para si.&lt;br /&gt;Somos tolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas amo-te esse amor&lt;br /&gt;cortesão, medieval,&lt;br /&gt;servo e senhora,&lt;br /&gt;ama e senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão intenso, tão intocável amor,&lt;br /&gt;que leva o inferno à vida e, depois,&lt;br /&gt;da vida ao paraíso,&lt;br /&gt;desfazendo toda a dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112057264705917244?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112057264705917244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112057264705917244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/07/intenso.html' title='Intenso'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-112007695877798209</id><published>2005-06-29T17:27:00.000-03:00</published><updated>2005-06-29T17:29:18.783-03:00</updated><title type='text'>Declarações</title><content type='html'>Todo dia dos namorados e em outras datas comemorativas, daquelas que só casais apaixonados lembram, era a mesma coisa.&lt;br /&gt;- Me escreve um cartão? Pedia ele.&lt;br /&gt;- Comprei um presentinho lindo para você. Desconversava Fullana.&lt;br /&gt;- Só aceito com cartão.  Unzinho só.&lt;br /&gt;- Ah, sou tímida para escrever. Pode ser depois?&lt;br /&gt;Fullana fazia cara de filhote de cão abandonado e ele desistia. Não era possível resistir. Amansava ouvindo aquela voz quase rouca.&lt;br /&gt;Ele gostava de declarações de amor.&lt;br /&gt;- Diz que me ama.&lt;br /&gt;Ela, suavemente acariciando o rosto dele, apenas sorria com uma fina ironia e dizia:&lt;br /&gt;- Mas você já sabe.&lt;br /&gt;- Sabe o quê? Ele reclama docemente.&lt;br /&gt;- Tudo.&lt;br /&gt;- Tudo o quê? Insiste.&lt;br /&gt;- As coisas, ora.&lt;br /&gt;- Que coisas? Suplica.&lt;br /&gt;- Todas.&lt;br /&gt;Exausto em sua argumentação, desiste mais uma vez.&lt;br /&gt;Conformado, encontrou-a animadamente no último dia dos namorados. Beijos, carícias e presentes. Já contava com as habituais juras de amor implícitas mas, com surpresa, recebe dois cartões.&lt;br /&gt;Fica radiante feito criança. Ela, numa falsa timidez, observa a leitura.&lt;br /&gt;No primeiro cartão, endereçado a ele mesmo, em duas pequenas linhas ela declarava seu carinho e alegria por tê-lo ao seu lado. A carinhosa objetividade de Fullana.&lt;br /&gt;No outro cartão, inserido num vistoso envelope azul, ela derramava-se em declarações amorosas e picantes, mesmo pornográficas, em mais de vinte linhas. Estava endereçado ao Lindo, nome carinhoso com o qual se referia ao órgão sexual do namorado. Coisas de Fullana.&lt;br /&gt;Num estranho sentimento dicotômico, ficou sem saber se gostava ou não dos cartões. Mas gostou. Quem não gostaria?&lt;br /&gt;Declarações eternas, únicas, marcadas na própria anatomia. Generosidade de Fullana.&lt;br /&gt;Ficou a certeza de uma coisa: tímida para escrever ela não era.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-112007695877798209?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112007695877798209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/112007695877798209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/declaraes.html' title='Declarações'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111988920374352950</id><published>2005-06-27T13:15:00.000-03:00</published><updated>2005-06-27T13:21:40.553-03:00</updated><title type='text'>1000 Desculpas</title><content type='html'>Quem lê este blog já deve ter percebido que não é meu propósito escrever sobre assuntos pessoais. Sempre achei a Internet um território fascinante e ao mesmo tempo perigoso. Todos nós que nos aventuramos neste território estamos expostos a muitas coisas, boas e ruins. A Internet é um grande big brother. Redundância.&lt;br /&gt;Na última segunda-feira escrevi um texto comemorativo intitulado “Você é 1000” onde, entre outros agradecimentos, agradecia a presença de um leitor desconhecido mas assíduo.&lt;br /&gt;Infelizmente, aquele foi o último dia de acesso desse leitor. Nunca mais voltou a esta página. Confesso que me senti muito mal. Não pela desistência dele em ler a página, é um direito de todos, mas por ter ficado a impressão da perda de privacidade.&lt;br /&gt;De repente, eu tornei público um interesse que era privado, o dele. Se ele quisesse, se colocaria em público num comentário.&lt;br /&gt;Procuro sempre respeitar a liberdade e a privacidade de todos e falhei logo com esse leitor.&lt;br /&gt;Devo um sincero pedido de desculpas pela minha indiscrição. Precisamos ser éticos.&lt;br /&gt;Se um dia, você, meu caro amigo/amiga, voltar a ler este blog, entenda que foi um erro de principiante, um afoito entusiasmado. Nunca pretendi tirá-lo de seu anonimato, até porque não sei quem és.&lt;br /&gt;Para não incorrer nesse erro novamente resolvi retirar da página o recurso tecnológico que me permitiu tal precário conhecimento. A partir de hoje, quem ler este blog estará protegido pelo anonimato, em respeito à privacidade de todos nós.&lt;br /&gt;1000 Desculpas se te fiz algum mal. Estás no lado esquerdo. Do peito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111988920374352950?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111988920374352950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111988920374352950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/1000-desculpas.html' title='1000 Desculpas'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111946162982260975</id><published>2005-06-22T14:32:00.000-03:00</published><updated>2005-06-22T14:33:49.826-03:00</updated><title type='text'>Dizendo</title><content type='html'>Não tenho nada a dizer&lt;br /&gt;sobre alegria, nem dor.&lt;br /&gt;Melhor distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nada a dizer&lt;br /&gt;sobre corpo, prazer,&lt;br /&gt;cabelos, seios&lt;br /&gt;e tua pele de poucos pelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho e não quero dizer&lt;br /&gt;sobre o quanto aperta o peito&lt;br /&gt;deitar num leito&lt;br /&gt;sem teu cheiro de flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho nada a dizer&lt;br /&gt;sobre lágrimas,&lt;br /&gt;paixão,&lt;br /&gt;morte&lt;br /&gt;do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto.&lt;br /&gt;Digo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111946162982260975?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111946162982260975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111946162982260975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/dizendo.html' title='Dizendo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111927740270091899</id><published>2005-06-20T11:10:00.000-03:00</published><updated>2005-06-20T11:52:03.286-03:00</updated><title type='text'>Você é 1000</title><content type='html'>Pois é, lembro da época que trabalhava com o &lt;a href="http://www.e-nutil.blogspot.com/"&gt;Grimble&lt;/a&gt; (ele ainda não tinha adotado esse pseudônimo estranho) e eu admirava os textos que ele escrevia. Admiro até hoje e ainda leio coisas antigas. João chegava no trabalho com um olhar de zumbi, pálido, magricelo como sempre, olheiras profundas e um passo que deixava marcas no carpete. Parecia que andava com aquelas sandálias que soltam as tiras.&lt;br /&gt;- O que eu estava fazendo ontem mesmo? Perguntava ele invariavelmente, como se nós, colegas de trabalho, soubéssemos.&lt;br /&gt;Não lembrava de onde recomeçar o serviço do dia anterior. Eu ria e perguntava:&lt;br /&gt;- Mas cara, o que você ficou fazendo a noite toda? Parece que vive na sacanagem.&lt;br /&gt;- Pô, fiquei escrevendo até quatro da manhã.&lt;br /&gt;Eu admirava aquilo. O cara tinha talento, escrevia bem e o melhor: Todos nós, que trabalhávamos juntos, gostávamos de ler os textos dele. Sempre foi muito bom ler aquelas histórias que não sabíamos de onde saíam e animadamente discutirmos, dar palpites e ver a cara dele. Cara de bobo. De sono e de prazer. O mundo dá voltas.&lt;br /&gt;Hoje encontrei registrado no contador de acessos deste blog o número 1000. Ficou registrada a presença do milésimo leitor. Não sei de quem se trata e na verdade isso não é fundamental porque todos os mil leitores tem a mesma importância senão não seriam mil.&lt;br /&gt;A todos esses mil leitores quero deixar meu abraço representando-os em &lt;a href="http://brancoleone.blogspot.com/"&gt;Branco Leone &lt;/a&gt;(um dos primeiros a me dar força), &lt;a href="http://www.e-nutil.blogspot.com/"&gt;Grimble&lt;/a&gt; e outros amigos.&lt;br /&gt;Um beijo ao Zé, esse filho sempre presente em críticas e elogios.&lt;br /&gt;De todos esses mil leitores, devo um especial agradecimento a um leitor desconhecido mas que sem dúvidas é o meu maior leitor. Não sei quem é. Não sei se é homem ou mulher. Só sei o endereço ip de sua máquina (que não me serve para muita coisa), que usa Windows NT, e que acessa ao blog em média cinco vezes por dia, às vezes mais, embora o contador só registre uma vez. Nunca deixou comentários mas pelo visto gosta do que escrevo. Pela sua presença, pelo carinho de me ler, pelo estímulo que você me dá mesmo sem saber, você é especial.&lt;br /&gt;Devo ainda muitos desses leitores a ela, Fullana Maria, essa personagem fantástica, que preservo no anonimato, fictícia e real, capaz de atitudes que muitos de nós gostaríamos de ter e inspiradora de muitos casos que ainda vou contar. Com erros e acertos, mas apaixonante. VOCÊ é minha maior inspiração. Outro dia respondi uma pergunta sobre apaixonar-se por um personagem. Confesso: Sou apaixonado por Fullana.&lt;br /&gt;Quero agradecer ao meu caro amigo &lt;a href="http://www.e-nutil.blogspot.com/"&gt;Grimble&lt;/a&gt; que, sem saber (nem eu sabia), me contaminou com o vício de escrever em noites mal dormidas e dizer que hoje estou com aquela sua cara de bobo. De sono, mas com um enorme prazer.&lt;br /&gt;Não tenho muito mais a dizer, só histórias para contar e um enorme&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#33ff33;"&gt;MUITO OBRIGADO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111927740270091899?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111927740270091899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111927740270091899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/voc-1000.html' title='Você é 1000'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111892628464520491</id><published>2005-06-16T09:49:00.000-03:00</published><updated>2005-06-16T09:51:24.653-03:00</updated><title type='text'>Coincidências da Fé</title><content type='html'>Entrou na igreja. Experimentava um estranho aperto no peito. Não sabia se era angústia, tristeza, mágoa ou saudade. Talvez fossem todos os sentimentos juntos, talvez fosse o nada, o vazio, um daqueles sentimentos de perda pela morte.&lt;br /&gt;Olhou para o pedinte de olhar distante sentado no primeiro degrau do templo. Viu-se num espelho.&lt;br /&gt;Sentou num banco e ficou ali parado, com o mesmo olhar do pedinte, aguardando o início da cerimônia.&lt;br /&gt;Entrou o padre, devidamente paramentado em branco, ouro e lilás. Benzeu-se e, antes de iniciar a missa, estranhou a única presença na igreja. Toda a igreja vazia naquela tarde de maio e apenas aquele homem sentado ali, naquele segundo banco.&lt;br /&gt;Na continuidade de suas funções sacerdotais, celebrou,  em nome do Pai, a missa em pedido de graças por uma mulher cujo nome lhe causava estranheza.&lt;br /&gt;Ele assistiu à missa em luto de amor e permaneceu sentado no banco após o final.&lt;br /&gt;Na sua solidão sente a presença de alguém.&lt;br /&gt;- A missa foi pedida pelo senhor? Pergunta o simpático padre.&lt;br /&gt;- Foi sim.&lt;br /&gt;- Que bonito, pedir graças por uma pessoa.&lt;br /&gt;- Na verdade queria pedir uma missa em memória dela. Como se ela já tivesse morrido há trinta dias.&lt;br /&gt;- Que lástima! Fullana Maria morreu?&lt;br /&gt;- Acho que não. Mas gostaria que tivesse morrido, dentro de mim.&lt;br /&gt;O padre levanta-se e vai embora achando-o louco. Padres não amam mulheres, dizem.&lt;br /&gt;Ele continua ali, nos seus pedidos para esquecê-la. Distraído, lembra dos cabelos de Fullana, seu corpo, suas mãos macias e suaves, seus gemidos e setenta e tantos prazeres. Flagra-se em insistentes súplicas para que Ela retorne.&lt;br /&gt;Continuou ali, pedindo como o homem de olhar perdido da entrada. Só um milagre curaria aquela ausência. Não acreditava em milagres.&lt;br /&gt;Enquanto isso, Fullana orava em silêncio em frente ao pequeno altar instalado no seu quarto, sobre a sua gaveta de calcinhas. Só os santos, cúmplices no amor, sabiam o que pedia. Mas condoeram-se em flagrá-la igualmente.  Coincidências da fé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111892628464520491?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111892628464520491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111892628464520491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/coincidncias-da-f.html' title='Coincidências da Fé'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111876550130978950</id><published>2005-06-14T13:08:00.000-03:00</published><updated>2005-06-14T13:11:41.316-03:00</updated><title type='text'>Sentimento Cívico (*)</title><content type='html'>Não conseguia esconder a expectativa quando sentou diante da TV. Ao mesmo tempo experimentava um certo alivio, afinal, após grande tempo de indecisão, sentia que naquele momento iria definir o seu voto.&lt;br /&gt;Era um dia daqueles debates políticos entre candidatos transmitido pela TV, um momento antológico, na opinião de Arturzão. Apesar de divertir-se com os candidatos se engalfinhando, não declarava isso, preferia manter a cínica postura cívica de quem vai decidir o destino da cidade com seu voto.&lt;br /&gt;No seu ritual democrático, colocou a cerveja gelada ao lado do sofá, acomodou o cachorro junto de si e sentiu um calafrio quando ouviu a vinheta de abertura do programa.&lt;br /&gt;Estavam lá os cinco candidatos. Mas estranhou a falta de dois. Sabia que eram sete os candidatos a prefeito. Tentou identificar os ausentes. Só constatou a falta de um. Um tal que falava em não votar em burguês. Nunca tinha visto o candidato e isso fazia uma confusão na cabeça de Arturzão. Mas isso não importava muito, o maior problema para Arturzão era não saber o que era burguês. Não dizia isso a ninguém, por vergonha. Pensava sempre em algum tipo de salame ou sanduíche. Ficou meio decepcionado com a ausência do candidato. Achava que iria conhecê-lo e finalmente entender o que era “ser burguês”. Deu de ombros, não ia votar nele mesmo.&lt;br /&gt;Nas suas saborosas goladas de cerveja, vai apreciando o desenrolar das perguntas. Se esforça, mas não consegue entender muito bem as respostas. Sempre achava que os políticos tinham uma habilidade em responder sem responder. Já tentara fazer isso nos tempos de escola mas sempre se dera mal. Era zero na certa. Como isso podia dar certo para eles? Pensava. Mas dava. Eles continuavam os mesmos, não respondiam nada, e se ofendiam muito.&lt;br /&gt;Começou a ficar divertido.&lt;br /&gt;O atual prefeito chama o ex-prefeito de ladrão. Isso mesmo, ladrão. O outro reage e chama o atual de mentiroso e ladrão também. E ficam nisso. Vermelhos parecendo dois tomates. Arturzão ainda ficou na duvida se era de raiva ou de vergonha. Era um ingênuo.&lt;br /&gt;Continuava atento, mas já não tinha a mesma esperança.&lt;br /&gt;Arturzão se contorce de rir quando um candidato se refere ao corte de cabelo da única candidata do sexo feminino, numa tentativa de ridicularizá-la. Que importância tinha isso para a cidade? Pensou. Nenhuma, mas era engraçado.&lt;br /&gt;Enquanto se divertia aumentava a angústia. Começou a só ver os defeitos. Um tinha cara de cachorro a outra, cabelo de cachorro. Que horror!&lt;br /&gt;Um era bispo, mas de santo não tinha nada. Tinha cara de oportunista.&lt;br /&gt;Lembrava da sogra, uma crente de carteirinha que conhecia toda a bíblia decorada e usava saias até os tornozelos. A crente fazia questão de tornar público que não votaria no bispo porque ele precisava decidir se queria ser bispo ou político. Para essa velha dizer isso de um irmão dela, esse não devia ser flor que se cheirasse, pensava.&lt;br /&gt;Continua em sua cervejinha e ao final da terceira garrafa Arturzão inevitavelmente  adormece junto ao cachorro, já no tapete da sala. Quando acorda o programa já terminou. Arrasta-se para a cama com um sentimento estranho, uma situação não resolvida.&lt;br /&gt;Passa os poucos dias até a eleição matutando sobre o que fazer. A angústia se transforma numa tristeza enorme. Queria se sentir realmente um brasileiro, escolhendo o governante da sua cidade.&lt;br /&gt;No dia da votação, diante da urna eletrônica, Arturzão chora feito criança, com saudades do tempo da votação em cédula de papel, onde poderia, numa hora dessas, manifestar sua brasilidade descontente escrevendo um sonoro palavrão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Nesses tempos de Roberto Jefferson e outras quadrilhas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111876550130978950?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111876550130978950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111876550130978950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/sentimento-cvico.html' title='Sentimento Cívico (*)'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111842057728778605</id><published>2005-06-10T13:20:00.000-03:00</published><updated>2005-06-10T15:16:18.786-03:00</updated><title type='text'>Namorados, Alegria e Sorvetes</title><content type='html'>Caminhava pelo corredor do Shopping entre balões em forma de coração. Rubros como a paixão, pensava. Em alguns cartazes estava escrita uma data, doze de junho. Me dei conta de que estava chegando o dia dos namorados. O comércio faz de tudo para vender, pensei novamente. Tolice minha, só se vende aquilo que alguém queira comprar. É uma lei. Oferta e procura.&lt;br /&gt;Numa curiosidade observei que as lojas tinham um certo movimento de pessoas. Comprando presentes para seus namorados, imaginei. São muitos namorados e namoradas investindo em algo que passa despercebido aos vendedores e a nós, pobres consumidores, durante todo o ano. Não vem embrulhado em papel bonito e brilhante. Não tem tamanho definido. Tem sempre um valor proporcional à intensidade do desejo de sentir-se feliz. Investem.&lt;br /&gt;Eles investem no amor. Amor que se materializa em presentes, cartões, beijos, abraços, olhares, risos, promessas e, às vezes, fracassos.&lt;br /&gt;Mesmo sabendo que podem fracassar, investem sem balanços de perdas e ganhos. Querem amar.&lt;br /&gt;Quem ama muito, investe muito, é feliz muito, tudo muito, inclusive pode perder muito. Mas quem quer pensar em perder quando ama? Ah, quando se ama nunca se perde. Amorável ingenuidade.&lt;br /&gt;Namorados amam e são alegres, riem de tudo. O amor é alegre.&lt;br /&gt;Enquanto comprava um sorvete, olhava, sentados num banco, o casal de namorados que ria animadamente, interminavelmente. Dava vontade de rir junto sem mesmo saber o porquê. O amor contagia.&lt;br /&gt;Uma mulher observava ao lado. Não se contém.&lt;br /&gt;- Minha filha, cutucou a menina, você ri tanto, não cansa? Você deve ser muito feliz, não? Irritou-se.&lt;br /&gt;A menina silenciou olhando para a mulher, olhou para o namorado, riram juntos novamente, levantaram e sairam rindo, claro.&lt;br /&gt;A mulher, que talvez esquecera a juventude do amor, ficou olhando, sem resposta. Talvez só lembrasse dos fracassos. Talvez deixado a felicidade escapar. Talvez desistido de investir num novo ou velho amor. Estava imunizada.&lt;br /&gt;Peguei o meu sorvete, lembrei da criatura amada, sorri com os meninos e o lambi deliciosamente, lentamente, saborosamente. Passei aquele sorvete pela boca, mordendo-o delicadamente, beijando-o discretamente, em público. Era Ela, sempre Ela.&lt;br /&gt;Terminei sorrindo, lunatizado, sob olhares estranhos, insistindo em amar sem medo de investir. Alegre contágio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111842057728778605?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111842057728778605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111842057728778605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/namorados-alegria-e-sorvetes.html' title='Namorados, Alegria e Sorvetes'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111806245628184011</id><published>2005-06-06T09:51:00.000-03:00</published><updated>2005-06-06T09:54:16.286-03:00</updated><title type='text'>Monossílabos</title><content type='html'>Tu és o bem,&lt;br /&gt;voz que é luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão boa,&lt;br /&gt;qual céu, ar, mar.&lt;br /&gt;Lar, cor.&lt;br /&gt;Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus ais, uis, Zés, meus são.&lt;br /&gt;Sim, tens a mim. Teu, só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes me surpreendo com os monossílabos.&lt;br /&gt;Eles podem dizer muito.&lt;br /&gt;Palavras, mesmo que mínimas, devem ser ditas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111806245628184011?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111806245628184011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111806245628184011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/monosslabos.html' title='Monossílabos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111781659038116436</id><published>2005-06-05T19:00:00.000-03:00</published><updated>2005-06-05T19:01:07.416-03:00</updated><title type='text'>Prantos Fingidos</title><content type='html'>Ela sentou e chorou. Prantos fingidos.&lt;br /&gt;Como fingidos foram os dias que se passaram. Pareciam dias, mas eram noites intermináveis de solidão e vazio.&lt;br /&gt;Dançou, bebeu, sorriu, beijou. Beijos fingidos, molhados em tristeza e saudade, no limiar do pranto. Sincero.&lt;br /&gt;Uma busca de nada, do nada, já que havia conhecido tudo, abandonado tudo. Mostrava um sofrer. Sofrimento fingido.&lt;br /&gt;Nessas noites e dias gozou sem fingir, embora tenha fingido sem o saber, quando pensava ter prazer em braços que não os meus.&lt;br /&gt;Desejei tua morte. Puro fingimento.&lt;br /&gt;Não quero que você morra para não compartilhar a terra que nos cobrirá. Te desejo vida eterna. Distância eterna. Já vivemos em mundos diferentes. Verdades.&lt;br /&gt;Num último desejo, também não quero tuas cruéis fingidas lágrimas respingando em meu túmulo. Teu pranto de pseudo-amor, muito mais remorso que dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111781659038116436?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111781659038116436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111781659038116436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/prantos-fingidos.html' title='Prantos Fingidos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111764062710428343</id><published>2005-06-01T12:42:00.000-03:00</published><updated>2005-06-01T12:50:02.056-03:00</updated><title type='text'>Devolva, meu amor!</title><content type='html'>Pulou o muro do cemitério e saiu correndo. Atravessou a rua suando frio sem saber ao certo a quem temer. Achava que temia a tudo, era um temor generalizado.&lt;br /&gt;A terra ainda insistia em correr entre os dedos. Que desperdício, pensava. Material tão nobre caindo ali pela rua. E os carros passavam por cima.&lt;br /&gt;Correu uns vinte minutos e nem sentiu o tempo passar.&lt;br /&gt;Chegou em casa a pé. Preferiu assim.&lt;br /&gt;Os dedos da mão já doíam de tanto tempo fechados. Mas valeu à pena., lá estava a terra verdadeiramente prometida. Prometida para Mãe Isaurinha do Cruzeiro.&lt;br /&gt;Aquela terra tirada do fundo do cemitério, à noite, ainda úmida, era tudo que precisava para conseguir o que queria.&lt;br /&gt;Tinha conhecido Mãe Isaurinha através de um papel impresso que um menino alto, magricelo e desdentado insistiu em lhe entregar. Nunca aceitava esses papéis entregues em esquinas e sinais de trânsito, mas naquele dia ouviu um chamado. Coisa do destino. Era um místico.&lt;br /&gt;Já não suportava mais a falta que Fullana Maria lhe fazia e buscava solução.&lt;br /&gt;Confiava na macumba prometida por Mãe Isaurinha. Fascinação.&lt;br /&gt;Macumba com terra de cemitério era tiro e queda, era certo.&lt;br /&gt;Em casa, depositou a terra sobre uma folha de papel e deixou-a sobre a cômoda.&lt;br /&gt;Apagou a luz e deitou-se, ainda fascinado e ofegante, imaginando os momentos felizes que reviveria com Fullana. Nem percebeu que a mão ainda estava suja de terra.&lt;br /&gt;Adorando à distância o pequeno monte, percebe um pequeno facho de luz irradiando em sua direção. Verde. Imagina tratar-se de algum grão cristalizado refletindo a pouca luminosidade da janela. Vira-se para o lado numa tentativa de dormir. A mente efervescente não permite. Aquela luz verde parecia ter invadido seu cérebro pelas retinas. Misturava imagens de Fullana com luzes verdes num turbilhão alucinatório. Não suporta, levanta e vai verificar que reflexo era aquele.&lt;br /&gt;Enfia o dedo na terra e constata:&lt;br /&gt;- Um anel? Surpreende-se.&lt;br /&gt;Meio enferrujado e com uma velha pedra verde. Arrepia-se, sua frio, tem crises de cólicas viscerais. Minutos que pareciam uma eternidade.&lt;br /&gt;O que fazer? Não queria ficar com aquilo em casa. Vai que o dono quer de volta? Pensou arrependido. Nessas horas o controle escapa. Uma voz feminina lhe vinha à mente, como que a lhe soprar aos ouvidos:&lt;br /&gt;- Devolva, meu amor! Insistia a voz macia. Macia até demais.&lt;br /&gt;- Vou devolver isso agora. Decidiu.&lt;br /&gt;Remexeu a terra no papel e encontra o pior, uma unha pintada de vermelho, desbotado já. Foi a gota d’água. Quase chorou.&lt;br /&gt;Fechou o papel na mão e saiu de casa rumo ao cemitério. Correu mais vinte minutos que pareciam nunca passar. Olhou o muro que dessa vez parecia mais alto, difícil de pular. Puro cansaço e adrenalina.&lt;br /&gt;Pulou assim mesmo, caiu do outro lado e quebrou um anjo cinzento com cara de desilusão. A mesma cara dele. Tateou no cemitério escuro sem lembrar onde colocar a terra de volta. Abaixa-se entre duas covas e abre o papel num ritual de pavor e destino. As pernas tremem enfraquecidas. Uma luz violenta brilha nos seus olhos, cega-o, era o fim. Grita por Mãe Isaurinha já em prantos e desmaia sobre o monte da mesma terra úmida, com o foco da lanterna em sua cara.&lt;br /&gt;Acorda novamente com flashes de luz, ainda atordoado.&lt;br /&gt;Um homem sério de farda apressa-se em esclarecer:&lt;br /&gt;- Meu amigo, acordou? O Sr. vai ter que se explicar, artigo 210 do Código Penal, profanação de sepultura. Entendeu?&lt;br /&gt;Mesmo atordoado, achou melhor assim e acabou contando seu drama para o delegado que foi solidário. Eram homens que amavam.&lt;br /&gt;No dia seguinte, Fullana Maria ficou triste ao vê-lo na primeira página de um jornal popular sob a manchete: “MACUMBEIRO DO AMOR ACABA NA CADEIA”. Não era bem esse o sucesso planejado mas ela sentiu-se amada, isso ela sentiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111764062710428343?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111764062710428343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111764062710428343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/06/devolva-meu-amor.html' title='Devolva, meu amor!'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111746359717725538</id><published>2005-05-30T11:32:00.000-03:00</published><updated>2005-05-30T11:33:17.183-03:00</updated><title type='text'>Má Intenção</title><content type='html'>Brigaram feio. Não era a primeira vez, mas contava que não seria a última. Essas coisas de ir empurrando até ver onde dará.&lt;br /&gt;Dormiram um em cada quarto e pela manhã não se falaram.&lt;br /&gt;A vida tem surpresas.&lt;br /&gt;Chegou no trabalho tarde e ligou para ela.&lt;br /&gt;- Fullana está?&lt;br /&gt;- Desculpe-me senhor, mas Fullana não veio trabalhar hoje.&lt;br /&gt;Achou estranho, ela não era de faltar.&lt;br /&gt;Na dúvida esperou um pouco e ligou para casa. Nada, ninguém atendia.&lt;br /&gt;- Ela deve estar zangada. Pensou alto.&lt;br /&gt;Quando chegou em casa à noite não encontrou ninguém. Não encontrou nada dela. Tinha ido embora durante o dia e levado todos seus pertences.&lt;br /&gt;Deixou um bilhete dizendo que a chave estava embaixo do tapete, bateu a porta e se foi enquanto ele trabalhava pensando que ela estava apenas zangada. Tolinho.&lt;br /&gt;Ele ficou com cara de bobo e dormiu com a mesma cara.&lt;br /&gt;No dia seguinte telefonou. Ela estava.&lt;br /&gt;- Aluguei um apartamento de temporada para morar. Não quero mais.&lt;br /&gt;Fullana era decidida.&lt;br /&gt;Ele sentiu-se bem, solteiro novamente. Voltou para casa feliz mesmo sabendo que em breve sentiria saudades.&lt;br /&gt;Agora o assédio àquela vizinha da rua ficaria mais fácil.&lt;br /&gt;Foi ao banheiro, lavou as mãos e abriu o pequeno armário para ver o que precisaria repor.&lt;br /&gt;Não faltava nada, ela não tinha levado nada. Saiu cantarolando, parou no corredor, voltou. Abriu o armário e constatou:&lt;br /&gt;- Cadê o tubo de lubrificante? Cadê o KY?&lt;br /&gt;Fullana havia levado. Deixou tudo menos o lubrificante. Sabia fazer ele subir pelas paredes mesmo ausente.&lt;br /&gt;Acabou a felicidade, esqueceu a vizinha.&lt;br /&gt;- Aquela cachorra estava mal intencionada. Filha da Puta.&lt;br /&gt;Esbravejou em vão. Estava consumado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111746359717725538?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111746359717725538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111746359717725538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/m-inteno.html' title='Má Intenção'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111703833597830506</id><published>2005-05-25T13:14:00.000-03:00</published><updated>2005-05-25T13:28:29.310-03:00</updated><title type='text'>Benditos os Malditos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“ Eu não tenho uma personalidade; eu sou um coquetel, um conglomerado, uma manifestação de personalidades.&lt;br /&gt;Em mim, a personalidade é uma espécie de furunculose anímica em estado crônico de erupção; não passa meia hora sem que nasça uma nova personalidade.&lt;br /&gt;Desde que estou comigo mesmo, é tal a aglomeração das que me rodeiam, que minha casa parece um consultório de uma quiromante de moda. Há personalidades em todas as partes: no vestíbulo, no corredor, na cozinha, até na privada.&lt;br /&gt;Impossível ter um momento de trégua, de descanso! Impossível saber qual é a verdadeira!&lt;br /&gt;Embora me veja forçado a conviver na promiscuidade mais absoluta com todas elas, não me convenço de que me pertençam.&lt;br /&gt;Que tipo de contato podem comigo – pergunto-me – todas essas personalidades&lt;br /&gt;inconfessáveis, que fariam ruborizar a um carniceiro? Deveria permitir que se me&lt;br /&gt;identifique, por exemplo, com este pederasta murcho que não teve nem a coragem de se realizar, ou com este cretinóide cujo sorriso é capaz de congelar uma locomotiva?&lt;br /&gt;O fato de que se hospedem no meu corpo é suficiente, no entanto, para enfermar-me de indignação. Já que não posso ignorar sua existência, quisera obrigá-las a que se ocultem nas pregas mais recônditas de meu cérebro. Mas são de uma petulância... de um egoísmo... de uma falta de tato...&lt;br /&gt;Até as personalidades mais insignificantes se dão uns ares de transatlântico. Todas, sem nenhuma espécie de exceção, se julgam com direito a manifestar um desprezo olímpico pelas outras e, naturalmente, há brigas, conflitos de todo tipo, discussões que nunca terminam. Em vez de confraternizar, já que têm que viver juntas, pois não, senhor!, cada uma pretende impor sua vontade, sem tomar em conta as opiniões e os gostos das outras. Se alguma tem uma ocorrência que leve às gargalhadas, no mesmo instante sai qualquer outra, propondo-me um passeio ao cemitério. Nem bem aquela deseja que me deite com todas as mulheres da cidade, esta se empenha em demonstrar-me as vantagens da abstinência, e enquanto uma abusa da noite e não me deixa dormir até de madrugada, a outra me desperta com o amanhecer e exige que me levante junto com as galinhas.&lt;br /&gt;Minha vida resulta assim uma prenhez de possibilidades que nunca se realizam, uma explosão de forças encontradas que se entrechocam e se destroem mutuamente. O fato de tomar a menor determinação me exige um cúmulo tal de dificuldades, antes de cometer o ato mais insignificante necessito por tantas personalidades de comum acordo, que prefiro renunciar a qualquer coisa e esperar que se extenuem discutindo o que vão fazer comigo, para ter, pelo menos, a satisfação de mandá-las todas juntas à merda. “ &lt;span style="font-size:78%;"&gt;(*)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Invejo esse texto, escrito em 1932 e sempre atual porque humano.&lt;br /&gt;É um daqueles que gostaria de ter escrito. Sem falsos pudores.&lt;br /&gt;Benditos os malditos, vanguardistas. Só eles podem abalar o império da mediocridade.&lt;br /&gt;Baudelaire, Rimbaud.&lt;br /&gt;Bendito seja Oliverio Girondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) De Espantapájaros. (1932)&lt;br /&gt;Oliverio Girondo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111703833597830506?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111703833597830506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111703833597830506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/benditos-os-malditos.html' title='Benditos os Malditos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111685217892787603</id><published>2005-05-23T09:42:00.000-03:00</published><updated>2005-05-23T09:42:58.936-03:00</updated><title type='text'>Esquecendo as Descobertas</title><content type='html'>Namoravam. Um amor lindo. Daqueles quase eternos, sujeitos a desencontros e intrigas. Sempre a inveja humana.&lt;br /&gt;Trocavam carícias diárias num mar da doçura.&lt;br /&gt;Pequenas cenas de ciúmes. Independentes.&lt;br /&gt;Gostava das mãos masculinas, mas as dele.....&lt;br /&gt;Que coisas suaves. Suavíssimas.&lt;br /&gt;Macias, sempre a percorrer seu corpo, suas pernas.&lt;br /&gt;Impressionava a habilidade dele em dirigir com uma das mãos, enquanto a outra lhe buscava o clitóris, subindo pelas pernas em carícias sublimes. Pequenas infrações no trânsito. Justificadas.&lt;br /&gt;Descobriu com ele o poder de sedução de seus cabelos. Nem imaginava isso. Gemeu carinhosamente o nome dele todas as vezes que ele a puxou pelos cabelos para junto do seu corpo nu. Doce domínio, doce prazer.&lt;br /&gt;Sempre que o vento atirava-os para trás, sentia aquelas mãos sempre suavíssimas. Não gemia em público, mas suspirava, mesmo diante de um novo amor.&lt;br /&gt;Fullana passou a usá-los longos, mesmo quando ele foi embora. Não queria perder aquele encanto.&lt;br /&gt;Descobriu os prazeres de sua boca em beijos deliciosos, públicos, interminavelmente doces.&lt;br /&gt;Ele insistiu nas maravilhas que sua boca poderia proporcionar num sexo oral.&lt;br /&gt;- Deixa eu te chupar. Você vai gostar.&lt;br /&gt;- Sinto cócegas. Fullana argumentava fingindo-se tímida.&lt;br /&gt;Não deixou. Não tinha gostado de outras vezes. Deixou-se levar pelos incompetentes.&lt;br /&gt;Não deixou aquela boca mostrar-lhe tudo que podia lhe dar. Nem ouvindo-a.&lt;br /&gt;Um dia veio a arrepender-se do tempo que passara. As mãos e bocas nunca mais foram iguais àquela. Nem as declarações de amor.&lt;br /&gt;Os cabelos? Foram cortados. Não tinham mais uso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111685217892787603?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111685217892787603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111685217892787603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/esquecendo-as-descobertas.html' title='Esquecendo as Descobertas'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111660242834273840</id><published>2005-05-20T12:16:00.000-03:00</published><updated>2005-05-20T12:20:28.346-03:00</updated><title type='text'>E Daí?</title><content type='html'>Hoje acordei Ariano. Sou de Áries sim, e daí?&lt;br /&gt;Acordei enfiando o pé na porta e depois pedindo licença.&lt;br /&gt;Lembrei Cazuza, peço licença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pra quem não sabe amar,&lt;br /&gt;fica esperando&lt;br /&gt;alguém que caiba no seu sonho”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pra pessoas de alma bem pequena&lt;br /&gt;Remoendo pequenos problemas&lt;br /&gt;Querendo sempre aquilo&lt;br /&gt;Que não têm”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Você nunca ouviu falar em maldição&lt;br /&gt;Nunca viu um milagre&lt;br /&gt;Nunca chorou sozinha num banheiro sujo&lt;br /&gt;Nem nunca quis ver a face de Deus.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A tua piscina está cheia de ratos&lt;br /&gt;Suas idéias não correspondem aos fatos&lt;br /&gt;O tempo não pára”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O meu amor foi embora e só deixou pra mim um bilhetinho todo azul&lt;br /&gt;com seus garranchos”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Mas se você achar que eu estou derrotado&lt;br /&gt; Saiba que ainda estão rolando os dados&lt;br /&gt; Porque o tempo, o tempo não pára “&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Somos iguais em desgraça”&lt;br /&gt; “Só as mães são felizes”&lt;br /&gt; “Todo amor que houver nessa vida”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ser teu pão, ser tua comida”&lt;br /&gt; “Faz parte do meu show”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tenho ascendente em peixes. O dia vai nascer feliz.&lt;br /&gt;E daí?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111660242834273840?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111660242834273840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111660242834273840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/e-da.html' title='E Daí?'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111600990247811803</id><published>2005-05-13T15:42:00.000-03:00</published><updated>2005-05-13T15:45:02.486-03:00</updated><title type='text'>Renascendo</title><content type='html'>Eram mais de quinze dias de tristeza. Aquilo já estava incomodando.&lt;br /&gt;- Espera aí rapaz! Que é isso? Pensava.&lt;br /&gt;Existe uma patologia que define esse negócio do cara falar com ele mesmo, mas não estava ligando para isso.&lt;br /&gt;- Que você fez para estar nessa situação? Deixa de ser bobo, vá à luta. Insistia consigo mesmo.&lt;br /&gt;Ficava lá, parado, pensando. Parecia um bobo mesmo. Para quem não o conhecesse era um bobo.&lt;br /&gt;Cansou de esperar. A sua natureza astrológica aflora. Às favas o ascendente, era evidente o signo solar.&lt;br /&gt;Levantou, tomou um banho demorado.&lt;br /&gt;Ligou o rádio. Transcreveu num bilhete, uma letra de música de Francis Hime e Chico:&lt;br /&gt;“ &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Mas devo dizer que não vou lhe dar o enorme prazer de me ver chorar, nem vou lhe cobrar pelo seu estrago...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;”&lt;br /&gt;Passou a limpo e mandou para ela, mesmo sem saber se leria. Isso já não tinha importância. &lt;br /&gt;Tomou um chope com amigos, falou de futebol e mulheres. Já de saída, perguntaram por Fullana. Ele praguejou feliz.&lt;br /&gt;- Aquilo não vale uma gota da minha porra!&lt;br /&gt;Os amigos estranharam, mas riram, solidários. Ele era franco.&lt;br /&gt;Voltou para casa e masturbou-se, pensando nela, claro.&lt;br /&gt;O amor não passa tão rápido assim. Devagar com o andor.&lt;br /&gt;Também não chorou mais, isso é verdade. Estava renascendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111600990247811803?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111600990247811803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111600990247811803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/renascendo.html' title='Renascendo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111581908336951610</id><published>2005-05-11T10:35:00.000-03:00</published><updated>2005-05-11T10:44:43.376-03:00</updated><title type='text'>Canção</title><content type='html'>Infelizmente, o tempo me recolocou no arame. Meu pai teve uma breve crise. Felizmente, dessa vez mais esperto, pulei junto com ele, seguramos firme e acredito que ele logo estará melhor. Mas as marcas ficam. O susto da perda, a angústia da decisão, o cansaço do corpo.&lt;br /&gt;Sem saber onde buscar forças abri um livro, virtual, e me deparei com essa pérola da Cecília Meireles. Nossa, que coisa linda! Realmente, não podemos deixar o amor passar. Seja ele qual for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Canção&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Cecília Meireles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te fies do tempo nem da eternidade&lt;br /&gt;que as nuvens me puxam pelos vestidos,&lt;br /&gt;que os ventos me arrastam contra meu desejo!&lt;br /&gt;Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,&lt;br /&gt;que amanhã eu morro e não te vejo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demores tão longe, em lugar tão secreto,&lt;br /&gt;nácar de silêncio que o mar comprime,&lt;br /&gt;ó lábio, limite do instante absoluto!&lt;br /&gt;Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,&lt;br /&gt;que amanhã eu morro e não te escuto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aparece-me agora, que ainda reconheço&lt;br /&gt;a anêmona aberta na tua face&lt;br /&gt;e em redor dos muros o vento inimigo...&lt;br /&gt;Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,&lt;br /&gt;que amanhã eu morro e não te digo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111581908336951610?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111581908336951610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111581908336951610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/cano.html' title='Canção'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111566193972653345</id><published>2005-05-09T15:02:00.000-03:00</published><updated>2005-05-09T15:09:41.036-03:00</updated><title type='text'>Suíte 102</title><content type='html'>- Ai, meu Deus! Não gosto de Motel.&lt;br /&gt;- Porque?&lt;br /&gt;- Tem uma vibração pesada. Parece que tem maus fluidos. Posso levar um turíbulo?&lt;br /&gt;- Turíbulo? Para quê? Ele levou um susto.&lt;br /&gt;- Para dar uma defumadinha antes. Pode? Fullana derramava-se em charme.&lt;br /&gt;Ele sorria, achava que era piada. Ela insistia na necessidade de defumar o ambiente antes de entregarem-se ao amor num motel.&lt;br /&gt;- Não sou de freqüentar esses ambientes, acho que vou estranhar.&lt;br /&gt;- Ta bom, pode levar. Concordava ele.&lt;br /&gt;Foram. Estava disponível a suíte 102.&lt;br /&gt;Entraram sem turíbulo, nem defumador. Esqueceram. Era de menor importância.&lt;br /&gt;Despiram-se entre beijos e carícias. Ela molhou os cabelos a pedido dele. Tinha tara nos cabelos molhados dela. Ela alimentava.&lt;br /&gt;Entregaram-se ao sexo erótico e amoroso. Amavam-se e desejavam-se.&lt;br /&gt;Ela, como sempre, gozando setenta e tantas vezes. Ele, nem tantas. Às vezes apenas uma única vez, suficiente para experimentar o doce prazer dela a banhar-se nele.&lt;br /&gt;Ele era um show, Fullana afirmava. Ela dava o show, ele admirava.&lt;br /&gt;O tempo passou sem perceberem. O tempo e o turíbulo já não tinham a menor importância. O motel sim, era sempre o mesmo.&lt;br /&gt;Sempre que chegavam, a suíte 102 estava lá, arrumada, com suas paredes em tom de verde suave, sua iluminação discreta e aquela banheira dupla esperando o casal. Estavam em casa.&lt;br /&gt;Mesmo assim, sempre exaustos após o sexo, ela fazia questão de velar, abraçada, o rápido sono dele. Era para protegê-lo dos maus fluídos.&lt;br /&gt;Que mulher!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111566193972653345?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111566193972653345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111566193972653345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/sute-102.html' title='Suíte 102'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111521741925155431</id><published>2005-05-04T11:33:00.000-03:00</published><updated>2005-05-04T11:39:43.393-03:00</updated><title type='text'>Malditas Correntes</title><content type='html'>Nunca gostei nem acreditei em correntes. Por isso resolvi ignorar Santos Passos e Branco Leone. Mas, considerando que: minha mulher brigou comigo, minha conta virou, o carro enguiçou e o único cachorro que conheço está me estranhando, vou capitular. Lá vai….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ex-Libris da Tugosfera&lt;br /&gt;Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?&lt;br /&gt;Para botar fogo, nenhum. Na pior das hipóteses servem para calçar a porta quando venta. Mas tem umas coisinhas que bem que merecem, em especial livros de auto-ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?&lt;br /&gt;Já, aliás, estou. Fullana Maria é um personagem de ficção. Imprevisível, incerta, insaciável (goza 72 vezes) e inverídica, infelizmente assim se fez. Gosto dos personagens do Suassuna. Quando menino gostava dos personagens do Carlos Zéfiro. Carregava alguns livrinhos dentro da cueca, para esconder da minha mãe, claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual foi o último livro que compraste?&lt;br /&gt;Mitologia dos Orixás. Um livro de mitologia africana que não deixa nada a desejar a qualquer outra mitologia.&lt;br /&gt;Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna. Comprei num sebo, velho, usado, maravilhosamente fantástico e delicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que livros estás a ler?&lt;br /&gt;Sempre leio vários livros ao mesmo tempo. Estão todos lá, marcados mas parados . Uma hora dessas eu continuo. Tenho tentado escrever mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que cinco livros levarias para uma ilha deserta?&lt;br /&gt;Como se trata de uma ilha deserta levaria livros que me demandassem muito tempo.&lt;br /&gt;Humano, demasiado humano. Nietzsche.&lt;br /&gt;Romance da Pedra do Reino, Ariano Suassuna.&lt;br /&gt;Trilogia Suja de Havana, Pedro Juam Gutiérrez.&lt;br /&gt;Vários livrinhos do Carlos Zéfiro, para meus momentos de solidão.&lt;br /&gt;Marcadores de livros com fotos de Fullana Maria, para meus momentos de inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?&lt;br /&gt;Primeiro, para &lt;a href="http://ideiasemdesalinho.blogs.sapo.pt/"&gt;DespenteadaMental&lt;/a&gt;: porque sabe tudo de poesia e um pouquinho mais.&lt;br /&gt;Segundo, para &lt;a href="http://palavrap.zip.net/"&gt;palavra p, da Ana Peluso&lt;/a&gt;: porque não a conheço , mas leio sempre. É fera, muito boa de se ler e deve ter o que dizer.&lt;br /&gt;Terceiro, pro &lt;a href="http://e-nutil.blogspot.com/" target="_blank"&gt;Grimble&lt;/a&gt;: porque não respondeu ao Branco Leone e espero que responda a esta, senão, é praga dobrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111521741925155431?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111521741925155431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111521741925155431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/malditas-correntes.html' title='Malditas Correntes'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111504041803454168</id><published>2005-05-02T10:24:00.000-03:00</published><updated>2005-05-02T10:26:58.033-03:00</updated><title type='text'>Amor pelos Retratos</title><content type='html'>Te amei intenso,&lt;br /&gt;como intenso é o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te amei e te amo&lt;br /&gt;Enquanto amor houver&lt;br /&gt;Mesmo sufocado em travesseiro de macela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ausente, te amo pelos retratos&lt;br /&gt;Impregnados pela tua presença,&lt;br /&gt;ainda coloridos em imagens de amor&lt;br /&gt;que agora é preto e branco.&lt;br /&gt;Gravados num tempo&lt;br /&gt;que nunca irá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retratos espalhados pela cama,&lt;br /&gt;pelas paredes, pelo chão,&lt;br /&gt;pelo vento a te chamar,&lt;br /&gt;pelo tempo de espera,&lt;br /&gt;pelo nada,&lt;br /&gt;por um amor vão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111504041803454168?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111504041803454168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111504041803454168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/05/amor-pelos-retratos.html' title='Amor pelos Retratos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111478014230393228</id><published>2005-04-29T09:57:00.000-03:00</published><updated>2005-04-29T10:09:02.303-03:00</updated><title type='text'>Bicho de Sete Cabeças</title><content type='html'>Não resisti a esta pérola do Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e Renato Rocha.&lt;br /&gt;Os bichos de sete cabeças estão aí mesmo, povoando nossas vidas e nossas mentes, muitas vezes criados por elas próprias. Para pensar na cama.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não dá pé, não tem pé nem cabeça&lt;br /&gt;Não tem ninguém que mereça, não tem coração que esqueça&lt;br /&gt;Não tem jeito mesmo&lt;br /&gt;Não tem dó no peito, não tem nem talvez&lt;br /&gt;Ter feito o que você me fez, desapareça&lt;br /&gt;Cresça e desapareça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem dó no peito, não tem jeito&lt;br /&gt;Não tem ninguém que mereça, não tem coração que esqueça&lt;br /&gt;Não tem pé, não tem cabeça&lt;br /&gt;Não dá pé, não é direito&lt;br /&gt;Não foi nada, eu não fiz nada disso e você fez um&lt;br /&gt;Bicho de sete cabeças&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111478014230393228?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111478014230393228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111478014230393228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/04/bicho-de-sete-cabeas.html' title='Bicho de Sete Cabeças'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111324247413039046</id><published>2005-04-11T14:56:00.000-03:00</published><updated>2005-04-11T15:01:14.133-03:00</updated><title type='text'>Aplausos</title><content type='html'>Naquela dia especial, pegou um táxi para ir ao trabalho. Atrasada, pediu ao motorista que se apressasse um pouco, explicando-lhe o motivo. Foi prontamente atendida. Pedido com tamanha doçura não merecia contestação.&lt;br /&gt;Ao chegar, verifica no taxímetro o valor e oferece o dinheiro ao condutor. Sua mão delicada fica estendida no ar. O motorista recusa o pagamento:&lt;br /&gt;- A senhora me deu o prazer de sua presença no meu táxi. Não tenho como cobrá-la.&lt;br /&gt;Ela sorri, agradece e segue ao trabalho. Não era a primeira vez.&lt;br /&gt;Atravessava aquela praça diariamente no trajeto entre a rua e o local de trabalho. Junto à calçada, aquela habitual fila de meninos pretendentes a empregos parou uma animada conversa sobre o futebol. Afinal, Ela passava.&lt;br /&gt;Vestido solto, cabelos longos, vermelhos.&lt;br /&gt;Não caminhava, desfilava.&lt;br /&gt;Os pequenos aspirantes a boys, tomados pela cena, aplaudem animadamente sua passagem.&lt;br /&gt;- Parabéns, doutora! Derramam-se num coro.&lt;br /&gt;Ela recebe o elogia meio desconfiada mas sorri discretamente. Era sincero.&lt;br /&gt;Desse povo vêm os verdadeiros elogios, já diziam em Madureira.&lt;br /&gt;Firma o passo de princesa e sente o frescor do vento subir pelas pernas sem meias, nem peças íntimas.&lt;br /&gt;Chega à sua mesa, pega o telefone e faz uma ligação.&lt;br /&gt;- Tudo certinho? Preenche o espaço com sua voz.&lt;br /&gt;Ele, do outro lado, responde que sim com carinho.&lt;br /&gt;Ela senta, relembra a noite anterior, a manhã, e tem a súbita vontade de transar com ele na escada de emergência do prédio.&lt;br /&gt;- Pena você estar tão longe... Suspira.&lt;br /&gt;Ele não entende. Gosta, mas não imagina o desejo.&lt;br /&gt;Ela se recompõe, manda beijos e se entrega ao dia, esperando pela noite.&lt;br /&gt;Tinha o poder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111324247413039046?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111324247413039046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111324247413039046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/04/aplausos.html' title='Aplausos'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111100891713689503</id><published>2005-03-16T18:32:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T21:17:25.546-03:00</updated><title type='text'>Uma vez Flamengo.......</title><content type='html'>Conheceram-se na rua, perto do estádio do Maracanã, numa tarde de FlaFlu.&lt;br /&gt;Ele tomava uma água de coco gelada, enquanto não desgrudava os olhos dela.&lt;br /&gt;Já ela, comia um churrasquinho com farofa, alternando saborosos goles de uma cerveja igualmente gelada, também de olho nele, discretamente, mas com desejo.&lt;br /&gt;Naquele grupo de torcedores, a maioria exibindo suas camisas do Flamengo, eram uma ilha. Num daqueles momentos mágicos, em que parece só existirem os dois.&lt;br /&gt;Não dava para resistir. Buscaram-se para uma conversa, instintivamente, como se já fossem velhos conhecidos.&lt;br /&gt;- Animada para o jogo? Perguntou ele, dando o pontapé inicial.&lt;br /&gt;- Bem, para ser sincera, não estava pensando em ir ao jogo. Parei aqui e resolvi comer alguma coisa.&lt;br /&gt;Uma defesa aparente. Na verdade, um ataque contundente.&lt;br /&gt;Conversaram animadamente sobre futebol, mas ela preferia sexo. Acabou convencendo-o a não ir ao jogo. Ele se fingiu convencido, mas já tinha desistido há muito tempo. O papo era bom.&lt;br /&gt;Achou meio estranho quando ele comparou sua beleza a um gol do Zico, aquele do campeonato não sei de que ano. Enquanto ele narrava o tal gol animadamente, ela preferia imaginá-lo puxando-a selvagemente pelos cabelos.&lt;br /&gt;Depois de umas dez cervejas ele só falava no tal do Zico e nada de entrar no único assunto que a interessava naquele momento: irem para a cama.&lt;br /&gt;- Será que, de tanto falar em futebol, ele já me vê como homem? Questionou-se.&lt;br /&gt;Era decidida e numa última tentativa, já anoitecendo, resolve ser fatal e chama-lo para sair.&lt;br /&gt;Ele, surpreso, dá-lhe um beijo e concorda.&lt;br /&gt;Ela não gosta muito do beijo. Tinha gosto de cerveja e cheiro de churrasquinho. Mas, fazer o que? Pensou. Já tinha investido tanto que achou melhor ir em frente.&lt;br /&gt;Entregam-se ao prazer.&lt;br /&gt;Ela pede que ele use camisinha. Fica mais à vontade assim.&lt;br /&gt;Ele pega alguma coisa na carteira e atende ao pedido dela.&lt;br /&gt;E entregam-se com desejo. Ela quer mais. Ele, nem tanto.&lt;br /&gt;Ela queria domínio e fantasia. Ele, não queria fazer feio.&lt;br /&gt;Ela deseja algo mais volumoso e anatômico. Ele, nem imaginava isso.&lt;br /&gt;No auge do prazer, o golpe fatal. Um som, parecendo um toque de celular, insiste em tocar o hino do Flamengo. Acaba com a sua concentração e empenho, antes do fim.&lt;br /&gt;Recorre ao acompanhante que sorri:&lt;br /&gt;- É a minha camisinha sonora. Não é legal?&lt;br /&gt;Ela, pasma, se recusa a acreditar. Pede para ver.&lt;br /&gt;Lá está ela, preta e vermelha. E ainda tocando o maldito hino.&lt;br /&gt;Vai ao banheiro, veste-se, prende os cabelos e sai silenciosamente.&lt;br /&gt;Na porta, ouve a pergunta do parceiro:&lt;br /&gt;- Que foi amor? Não gostou?&lt;br /&gt;- Eu sou Tricolor.&lt;br /&gt;E foi embora. Deixando a única resposta que lhe ocorrera.&lt;br /&gt;Chora de raiva.&lt;br /&gt;Tinha perdido a partida para um time pequeno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111100891713689503?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111100891713689503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111100891713689503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/03/uma-vez-flamengo.html' title='Uma vez Flamengo.......'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-111030623274234434</id><published>2005-03-08T15:10:00.000-03:00</published><updated>2005-03-08T15:23:52.743-03:00</updated><title type='text'>Às Mulheres</title><content type='html'>Comprovadamente, a vida veio das águas.&lt;br /&gt;Das águas vieram, então, as mães.&lt;br /&gt;Igualmente das águas, Iemanjá emerge num mito de geração e sedução.&lt;br /&gt;Ferramentas preciosas na renovação do ciclo da vida.&lt;br /&gt;Só às mulheres a natureza proveu essa credencial. Seduzir e criar.&lt;br /&gt;Sábia criação.&lt;br /&gt;Afinal, criaturas maravilhosas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-111030623274234434?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111030623274234434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/111030623274234434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2005/03/s-mulheres.html' title='Às Mulheres'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-110349581684566127</id><published>2004-12-19T20:34:00.000-02:00</published><updated>2004-12-19T20:36:56.846-02:00</updated><title type='text'>O arame e o tempo</title><content type='html'>  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;Foi à cozinha fazer uma vitamina de frutas mas não começou. Voltou à sala, sentou numa cadeira de balanço e pegou o telefone. Pretendia ligar para alguém. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;O cérebro enevoou, turvou-se e ele lentamente, sem possibilidade de controle, escorregou da cadeira ao chão e lá ficou imóvel, dos pés à cabeça. Ou melhor, do cérebro aos pés. Assim meu pai sofreu um Acidente Vascular Cerebral grave.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;O tempo o havia colocado num fio de arame para uma caminhada precisa, sem margens a erros ou vacilações, inevitável e sem volta.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Logo ele, amigo de uma vida inteira, que pela eterna dedicação me fez vê-lo como o maior de todos, imbatível, abatido pelo tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;Como não conseguiria fazer de outra forma, passei a acompanhar-lhe os passos, momento a momento, nesse tão estreito caminho, como que querendo orientar-lhe para não cair do fio mesmo sabendo que a cada um cabe o caminhar. Não posso pegar na sua mão como tanto ele fez comigo mas posso torcer pela generosidade do tempo e do arame, que lhe divide dois mundos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;Felizmente, existe uma feliz e inexplicável lucidez que nos permite conversar. Recados, elogios às enfermeiras, os resultados do futebol, pagar contas, passaram a constituir assunto fundamental. O único indicador que o tempo nos deixou foi esse, o nível de lucidez. Por aí observamos como está essa caminhada pelo fio de arame.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;Quanto ao fim disso tudo, somente o tempo tem a resposta e infelizmente ainda não me soprou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;O tempo, que antes já marcava cada passo, me impossibilitou de continuar escrevendo e publicando aqui. Não que faltem idéias, muito pelo contrário, mas falta ele, o tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;Assim me mantenho atento e esperando para em breve,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;poder contar mais essa história. Espero que com final feliz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;Um forte abraço a todos os amigos, um bom Natal e, se sobrar um tempo, torçam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-110349581684566127?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/110349581684566127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/110349581684566127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/12/o-arame-e-o-tempo.html' title='O arame e o tempo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109932889715117592</id><published>2004-11-01T19:31:00.000-03:00</published><updated>2004-11-01T14:31:47.546-03:00</updated><title type='text'>Pelo Olhar</title><content type='html'>Pelo olhar, o diretor de cinema costuma apreciar a cidade de uma maneira  incomum. Tirar os óculos, no caminho para casa, lhe proporciona a verdadeira viagem, onde a alma vai bem adiante do corpo paralisado.&lt;br /&gt;Dentro do táxi, com as imagens desfocadas se movimentando à frente, fica admirando a cidade como uma  mancha de luzes multicoloridas cheias de  movimento. Aquela experiência quase lisérgica, só o olhar poderia proporcionar.&lt;br /&gt;Também pelo olhar, os amantes fazem as mais secretas e intensas declarações. Silenciosas. Uma linguagem de almas, onde o prazer do amor não encontrava palavras. Se as encontrasse, não seriam suficientes. Acariciam, seduzem, pedem mais, declaram: Estou contigo! Os olhares se bastam. Cúmplices.&lt;br /&gt;Pelo olhar os dois caminhavam pela calçada. O branco, na frente, ia mais rápido, talvez por ser mais novo. O negro, atrás, esforçava-se num aparente cansaço, persistindo em seguir o companheiro. Às vezes se distanciavam tanto que nem pareciam estar juntos. Mas, assim que percebia,  a criatura branca parava e olhava para trás, buscando o outro. Ficava ali parada até que seu olhar encontrasse o atrasado companheiro. Enquanto seus olhos acompanhavam os esforçados passos apressados da criatura negra, ela esperava pacientemente, sem nunca desviar o olhar.  Quando ocorria novamente a aproximação, os dois paravam, olhavam-se e seguiam, num caminhar para não sei onde. A cena se repetia em intervalos de tempo, sempre quando um perdia o outro de vista.&lt;br /&gt;Era evidente aquele interesse fraterno. Existia um certo carinho naqueles olhares. Companheirismo talvez.&lt;br /&gt;Caminham até que param e deitam-se na calçada suja. Um próximo ao outro, olhando-se. Um pedindo descanso, o outro concordando.&lt;br /&gt;Até aqueles dois cachorros, que para muitos não passariam de vira-latas abandonados naquela rua, se entendiam pela linguagem do olhar. Sem latir. Sempre o olhar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109932889715117592?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109932889715117592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109932889715117592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/11/pelo-olhar.html' title='Pelo Olhar'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109888328998149840</id><published>2004-10-27T10:14:00.000-03:00</published><updated>2004-10-27T10:21:29.983-03:00</updated><title type='text'>Princesas e Plebeus</title><content type='html'>Se havia uma coisa com a qual ela sonhava, era com príncipes. Daqueles maravilhosos, altos , fortes, gentis, com voz aveludada e mãos macias.&lt;br /&gt;Sim, os príncipes tinham mãos macias. Nos filmes, sempre os via tirando as luvas ao descer dos cavalos ou ao guardar a espada. Imaginava-os sempre com aquelas mãos macias e grandes, prontas para os carinhos.&lt;br /&gt;Os príncipes eram educados, incapazes de uma atitude grosseira e, é claro, sempre era ela a princesa.&lt;br /&gt;Nos sonhos de Gininha, sempre se imaginava entregue àquelas mãos perfumadas que lhe acariciavam. Os príncipes eram os mais belos do reino, sonhava, mesmo acordada.&lt;br /&gt;Gininha era uma bela menina. Com o frescor adolescente na pele morena, despertava o interesse de muitos rapazes. Mas, na sua realidade, o real papel estava reservado a Buzuca, o mais belo rapaz da escola. Não havia mais bonito. Na falta de outros requisitos, ele era o príncipe.&lt;br /&gt;No fundo sentia um certo incômodo pelo nome do seu escolhido. Na verdade, nem sabia seu nome.&lt;br /&gt;Buzuca? Pensava, parecia nome de cachorro. O apelido era tudo que sabia do seu príncipe, naquela paixão à distância.&lt;br /&gt;Já Buzuca, nem imaginava que poderia ser coroado. Olhava com um certo interesse para ela, igualmente à distância. Mas histórias de príncipes e princesas só conhecia superficialmente e estavam muito distante de sua realidade. Só pensava em futebol e em namorar todas as meninas do planeta.&lt;br /&gt;Numa tarde, tomada de coragem, confabula com amigas e consegue que uma, mais atirada, seja a intermediária entre seus sonhos e seu príncipe. Resolve investir na sua paixão.&lt;br /&gt;Após algumas trocas de recados, resolvem marcar um encontro.&lt;br /&gt;No dia especial, lá está Gininha vestindo-se diante do espelho. Escova os negros e longos cabelos, de princesa. Já se vê nos braços confortáveis e carinhosos de Buzuca, num beijo cinematográfico.&lt;br /&gt;Sai de casa em passos rápidos, dominada pela ansiedade juvenil. Chega ao portão da escola e avista seu príncipe, no alto da ladeira que a conduziria dali até o prédio do estabelecimento, o local do encontro.&lt;br /&gt;Ele a vê e se apressa em vir na sua direção. Que gentil, pensou ela, também caminhando ao encontro do rapaz.&lt;br /&gt;Buzuca começa e esboçar um sorriso, já imaginando os comentários invejosos dos amigos que tanto desejavam aquela morena como namorada.&lt;br /&gt;Caminhando na direção daquele encontro, num ato impensado, quase reflexo, que poderia até passar despercebido, cospe para o lado e coça a região escrotal. Uma coçada quase esportiva, despretensiosa, totalmente deselegante. É, ele tinha dessas manias.&lt;br /&gt;Gininha instantaneamente para, estática. Um frio glacial lhe percorre todo o corpo. As náuseas são inevitáveis. O asco lhe toma junto com a decepção. Naquele momento Buzuca perdera o encanto. Era um plebeu.&lt;br /&gt;Gininha vira as costas e parte numa corrida desenfreada, louca para chegar em casa e desabar em choro no travesseiro cor de rosa. Fica lá horas, em prantos, testemunhados pelo sapo de louça à cabeceira.&lt;br /&gt;Buzuca ficou lá, parado, sem entender nada.&lt;br /&gt;Realmente, ele não entendia nada de princesas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109888328998149840?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109888328998149840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109888328998149840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/10/princesas-e-plebeus.html' title='Princesas e Plebeus'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109881754562389427</id><published>2004-10-26T17:02:00.000-03:00</published><updated>2004-10-27T10:34:24.790-03:00</updated><title type='text'>Carismático</title><content type='html'>Namoravam.&lt;br /&gt;Jurandir era um homem elegante, carinhoso. Fino no trato.&lt;br /&gt;Falante e bem articulado sabia colocar as palavras nos lugares e momentos certos. Os piores palavrões assumiam sonoridade clássica, marcante. Era um estrategista e conhecedor da linguagem. Sabia usar a palavra tanto nos discursos inflamados quanto nos mais íntimos momentos de amor. As palavras fazem parte de um universo particular, gabava-se.&lt;br /&gt;Amava Dorotéia. Uma doce e suave mulher, de pés e mãos igualmente suaves e decotes sempre generosos.&lt;br /&gt;Naquela mulher se destacava o belo rosto, tenro e juvenil, e uma linda boca que sempre envolvia Jurandir na mais profunda sedução. A beleza daqueles lábios desequilibravam o enamorado parceiro lhe causando uma eterna dúvida quanto a ser dominado pela sua beleza ou pelas lembranças dos prazeres proporcionados. Às vezes se via solitariamente sorridente, acometido pela feliz dúvida.&lt;br /&gt;Entregavam-se ao amor, em tépidas tardes. Numa dessas, lá estavam os amantes em trocas de carícias muito íntimas. Dorotéia, totalmente entregue, gemia o nome do amado, numa sensação de prazer nunca experimentada, única. Jurandir lá, atuante, com uma convicção inabalável quanto à sua condição máscula. Chegam ao clímax com ele sentindo-se o próprio amante latino.&lt;br /&gt;Após o amor, observam-se mutuamente numa troca de afagos. Dorotéia observa o corpo nu do amado quase hipnotizada. Contempla em especial o falo do parceiro e seus olhos brilham como num encantamento. Jurandir tenta capitalizar:&lt;br /&gt;- Gostou? O que você tanto admira?&lt;br /&gt;Dorotéia, com uma simplicidade objetiva:&lt;br /&gt;- É tão..... tão......, carismático.&lt;br /&gt;Jurandir sorri meio amarelo buscando um sinônimo. Logo ele, tão articulado com as palavras, não conseguia entender a simplicidade dela.&lt;br /&gt;- Carismático? Como assim?&lt;br /&gt;- É, carismático. Carismático e Flexível. Dorotéia se desmancha num doce elogio.&lt;br /&gt;Carismático era difícil de entender, mas flexível lhe soou com uma bomba. Naquela tarde viu sua convicção abalada. Sem a compreensão do universo de Dorotéia, passou o resto dos seus dias na dúvida quanto ao significado daquelas palavras.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109881754562389427?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109881754562389427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109881754562389427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/10/carismtico.html' title='Carismático'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109848183795296363</id><published>2004-10-22T18:47:00.000-03:00</published><updated>2004-10-25T13:56:48.316-03:00</updated><title type='text'>Sempre às Sextas:</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;Recôndita Nudez&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;Margarida - &lt;a href="http://ideiasemdesalinho.blogs.sapo.pt"&gt;Idéias em Desalinho&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://ideiasemdesalinho.blogs.sapo.pt"&gt; &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Há no teu corpo,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;num halo que me incendeia,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;uma luz que se insinua&lt;/p&gt;&lt;p&gt;e vem ao meu encontro,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;aqui, onde me sabes sempre nua.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109848183795296363?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109848183795296363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109848183795296363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/10/sempre-s-sextas.html' title='Sempre às Sextas:'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109784645370069052</id><published>2004-10-15T10:17:00.000-03:00</published><updated>2004-10-15T10:20:53.700-03:00</updated><title type='text'>Sempre às Sextas: Taxista </title><content type='html'>de José Paulo Antunes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Enquanto a voz de Cartola, saindo do radinho de pilha, confortava a noite chuvosa do taxista Josué, ele buscava por passageiros em ruas do subúrbio do Rio. Tarefa nada fácil quando seus vidros estão embaçados pela chuva e os bracinhos modestos de passageiros em potencial se escondem embaixo de marquises para não se molhar.&lt;br /&gt;      Na rua desde às 7 da manhã, naquela altura do campeonato, Josué já esquecera um pouco da profissão. "Passeava" pelas ruas, pensando - na morte da bezerra?! - e idealizando a sua caminha quente e aconchegante... zzZZZzzz... Acorda!&lt;br /&gt;      Era nessa hora que ele pensava na "patroa", e seus 3 filhos, esperando por ele. Ela, queria uma bolsa nova, o mais velho, precisava de livros pra faculdade. Enfim, precisava fazer dinheiro.&lt;br /&gt;E lá iam seus olhos de lince, buscando polegares desesperados por transporte "sequinho".&lt;br /&gt;      "Que dia é hoje?! Segunda-feira?! Engraçado... Tem pouco movimento. Será que é feriado?! Dia de algum santo?! Ah, mas santo no Rio, só São Sebastião. Nome engraçado, Sebastião... zzZZZzzz..." Acorda!&lt;br /&gt;      "Ô Josué?! Que está havendo contigo hoje?! Nem bebeu e tá nessa preguiça toda. Nem parece macho pô! Só por causa desse friozinho, você fica aí pensando em café, cama, cobert... zzZZZzzz..." Bruuummm!!!&lt;br /&gt;      E lá se foi o táxi de Josué, adentrando os tapumes - de uma obra de rua - que entraram em seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109784645370069052?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109784645370069052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109784645370069052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/10/sempre-s-sextas-taxista.html' title='Sempre às Sextas: Taxista '/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109725991654514110</id><published>2004-10-08T14:43:00.000-03:00</published><updated>2004-10-08T15:35:37.823-03:00</updated><title type='text'>Sempre às Sextas apresentra:</title><content type='html'>Com os amigos alfabetizados que ainda lêem (nesse triste país onde existem aqueles que não sabem ler e outros que não querem ler), quero dividir uma agradável descoberta.&lt;br /&gt;No imenso mundo novo chamado internet encontra-se de tudo. Vendedores, compradores, divulgadores, falsos ou péssimos pudores, uns desocupados e outros muito ocupados.&lt;br /&gt;Nesse universo selvagem, constatei a existência de muitos inteligentes e talentosos escritores que, num aparente contra-senso, me inibem e estimulam a continuar escrevendo.&lt;br /&gt;Assim, às sextas-feiras, vou reservar um espaço para publicar textos desses outros escritores.&lt;br /&gt;É surpreendente como tem gente boa.&lt;br /&gt;Sempre às sextas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;Sobre Ciência e Sapiência&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffcc33;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;Rubens Alves&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas pessoas não gostam do que escrevo. Dizem que o que eu faço não é ciência, é literatura. É verdade. Faz tempo que me mudei da caixa de ferramentas para a caixa de brinquedos. O que me aborrece é que esses que não gostam do que escrevo pensam que somente a ciência tem dignidade acadêmica. Houve mesmo o caso de uma candidata a mestrado que teve seu projeto recusado por me citar demais e por propor um assunto que não era científico. Psicóloga e pedagoga, ela sabia por experiência própria do poder do olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tantos olhares diferentes! Há olhar de desprezo, de admiração, de ternura, de ódio, de vergonha, de alegria... A mãe encosta o filhinho na parede e, a um metro de distância, lhe estende os braços e diz sorrindo: "Vem". Encorajada pelo olhar, a criança, que ainda não sabe andar, dá seus primeiros passos. Há olhares que dão coragem. E há olhares que destroem. Por exemplo, aquele olhar terrível da professora que encara a criança de um certo jeito, sem nada dizer. Mas a criança entende o que o seu olhar está dizendo: "Como você é burra...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há olhares que emburrecem. Voltando à metáfora do pênis, há olhares que o tornam impotente, tanto no sentido literal como no sentido metafórico. Acho que era isso que a Adélia Prado tinha em mente quando escreveu maliciosamente: "E o meu lábio zombeteiro faz a lança dele refluir".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olhar é real. É real porque produz efeitos reais. O olho é também real. Sobre ele, pode-se ter conhecimento científico. Há uma ciência dos olhos. Há uma especialidade médica que se dedica a eles: a oftalmologia. Mas, por mais que procuremos nos tratados de oftalmologia referências ao olhar, não encontraremos nada. O olhar não é objeto de conhecimento científico. Nem tudo o que é real pode ser pescado com as redes metodológicas da ciência. Há objetos que escapam pelos buracos de suas malhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será possível fazer uma ciência dos olhares? Tratá-los estatisticamente? Não tem jeito. Aí a proposta de uma tese sobre o olhar foi rejeitada sob a justa alegação de que não era científica. E não era mesmo. Mas o fato é que os olhares são reais! O estudo dos olhos é tarefa da ciência. E por isso eu sou agradecido. Neste momento, estou usando óculos para escrever. Sem eles, eu só veria borrões. Mas eu me dedico ao olhar, para que meus olhos sejam sábios. O olhar é uma música que os olhos tocam. Coisa de poeta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os poetas que falam sobre os olhares. (Eu escrevi "São os poetas que sabem sobre os olhares", mas logo corrigi. Todo mundo sabe sobre os olhares. Todo mundo observa atentamente os olhares, porque são eles, e não os globos oculares, que sinalizam a vida e, especialmente, o amor. Mas só os poetas sabem falar sobre eles.) Escrevo para mudar olhares. Isso não é ciência. É arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há olhos perfeitos que são armas mortíferas. Jesus se referiu a esses olhos e sugeriu que deveriam ser arrancados. Os olhos, eles mesmos, são estúpidos. Eles não têm o poder para discriminar as coisas dignas de serem vistas das coisas não-dignas de serem vistas. Para eles, tanto faz ver um programa idiota de televisão ou uma tela de Johannes Vermeer. A capacidade de discriminar não pertence aos olhos. Pertence ao olhar. Mas isso exige uma luz interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os olhos não serviram como metáforas, falarei sobre pianos. Mais precisamente, sobre os pianos Steinway, os mais perfeitos, que estão nas grandes salas de concerto do mundo. Os pianos Steinway são produzidos de forma absolutamente rigorosa e científica. Tudo neles tem de ter a medida exata. Todos têm de ser absolutamente iguais, para que o pianista não estranhe. Mas um piano, em si mesmo, é estúpido. Falta-lhes o poder de discriminação. Os pianos obedecem tanto ao toque de um macaco, de um louco ou do Nelson Freire. Os pianos não são fins em si mesmos. São ferramentas. São construídos para tornar possível a beleza da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a beleza não é um objeto de conhecimento científico. Ninguém pode ser convencido a gostar de Bach por meio de raciocínios científicos. E não me consta que algum dos especialistas em construção de pianos da fábrica Steinway jamais tenha dado um concerto. Ciência eles têm. Mas falta-lhes a arte. Para que o piano produza beleza, há os pianistas. Mas os pianistas nada sabem sobre a ciência da construção dos pianos. O que eles sabem é tocar piano, coisa que não é científica... Os fabricantes de piano moram na caixa de ferramentas. Os pianistas, na caixa de brinquedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença está entre "ciência" e "sapiência". Os teólogos medievais diziam que a ciência era uma serva da teologia. Parodiando, eu digo que a ciência é uma serva da sapiência. A ciência é fogo que aumenta o poder dos homens sobre o mundo. A sapiência usa o fogo da ciência para transformar o mundo em comida, objeto de deleite. Sábio é aquele que degusta. Mas, se o cozinheiro só conhecer os saberes que moram na caixa de ferramentas, é possível que o excesso de fogo queime a comida e, eventualmente, o próprio cozinheiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubem Alves - Folha (sinapse) - 28/09/2004&lt;br /&gt;Texto do blog &lt;a href="http://registrosmeus.blogspot.com"&gt;registrosmeus&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109725991654514110?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109725991654514110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109725991654514110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/10/sempre-s-sextas-apresentra.html' title='Sempre às Sextas apresentra:'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109664496906993485</id><published>2004-10-01T12:33:00.000-03:00</published><updated>2004-10-04T15:54:06.990-03:00</updated><title type='text'>A bela é a fera</title><content type='html'>Era uma mulher fina e elegante. Usava sandálias de saltos altos que sempre deixavam à mostra seus belos e delicados pés. Pezinhos daqueles que dão vontade de beijar eternamente. Pés de menina, apesar de madura.&lt;br /&gt;Não andava, desfilava. Nada intencional, era na maior naturalidade.&lt;br /&gt;Os vestidos de seda, sempre generosos nos decotes, escondiam com uma certa displicência o corpo bem cuidado que só as mulheres de classe possuem. Aquelas belas das colunas sociais.&lt;br /&gt;Transparecia uma elegância imperial. Coisa de nobreza que só aqueles que acreditam na reencarnação saberiam explicar.&lt;br /&gt;Era uma mulher, e se existem características que são marcantes nas mulheres, uma é o talento para bons negócios.&lt;br /&gt;Adentrou o supermercado proporcionando momentos de raro prazer aos carregadores, vigilantes, supervisores de caixa e outros funcionários do sexo masculino. Seu perfume, atrevidíssimo, buscava os admiradores já paralisados com a sua presença e provocava uma certa inveja nas mulheres, outra característica marcante nelas. Mas nem se apercebia disso.&lt;br /&gt;Era uma mulher comum e estava ali para o comum papel de buscar suprimento para a família. No seu displicente caminhar ouve o aviso de uma promoção relâmpago. Morangos a setenta centavos a caixa. Com o dinheiro escasso, seu talento para os bons negócios se aguçara. Baratíssimo, pensou. Instintivamente correu para a banca dos morangos.&lt;br /&gt;Tal qual ela, porém, muitas outras correram, inclusive as invejosas da portaria, afinal, eram morangos a apenas setenta centavos. Um bom negócio. E lá se foi, correndo, aquela perfumada dama.&lt;br /&gt;Diante da banca de morangos, o instinto falou mais forte. A reencarnação foi subjugada. Lutava com suas semelhantes pelas caixas de morangos mas experimentou a força da maioria. Aquelas descabeladas com camisetas de políticos, pés encardidos e cheirando a cebolas perceberam que havia uma estranha no ninho, a dama perfumada, e se empenharam nos empurrões. Mas aquela bela mulher, sentindo-se ameaçada de não conseguir seus morangos a setenta centavos, resolveu partir para a briga e literalmente perdeu a linha. Empurrou, cutucou, estapeou e xingou. Por momentos achou que rosnava para uma gorda que fazia uma barreira impedindo-a de chegar aos tão desejados morangos.&lt;br /&gt;Chega em casa triunfal com três caixas da saborosa fruta. Decidida, toma um banho morno, prepara um prato de morangos com chantilly e se aconchega em seus lençóis de cetim para saboreá-los.&lt;br /&gt;Na apuração dos resultados do negócio, lucrou um Real e vinte centavos. Entre as perdas em combate, um salto quebrado e uma mancha da fruta no vestido de seda.&lt;br /&gt;Prejuízo? Claro que não. A auto-estima nunca estivera tão bem diante da vitória sobre as invejosas.&lt;br /&gt;Sem perceber, adormeceu como um anjo, com os lábios avermelhados e doces.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109664496906993485?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109664496906993485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109664496906993485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/10/bela-fera_109664496906993485.html' title='A bela é a fera'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109656009413058197</id><published>2004-09-30T12:56:00.000-03:00</published><updated>2004-10-02T13:27:45.740-03:00</updated><title type='text'>Estranha Felicidade</title><content type='html'>Odorico cutucou o escritor e mandou a pergunta:&lt;br /&gt;- Me diga, como é que você faz para escrever?&lt;br /&gt;- Pego a caneta e escrevo. Saio escrevendo. Respondeu o paciente e meio aéreo escritor.&lt;br /&gt;- Não é isso, quero saber de onde vêm as idéias.&lt;br /&gt;Odorico tinha um certo ar acadêmico. Simples, cruzava as pernas como as mulheres elegantes, mas escorregava numa velha mania suburbana de palitar os dentes. Era questionador e ferino. Parecia sempre buscar algo com o olhar calmo. Nunca encontrava. Não se sabe se o escritor era paciente ou ausente, como se vivesse em um outro mundo. Mesmo assim, cuidava para não deixar Odorico sem resposta.&lt;br /&gt;- As idéias? Vêm de muitos lugares. Das lembranças de coisas que já vivi, do que me contaram, fatos que testemunhei e coisas que invento ou que são sopradas pelo invisível. Sabia que às vezes os textos saem assim? Rapidamente e do nada.&lt;br /&gt;- Êpa! Agora arrepiei. Sacudiu-se Odorico. E tentou definir:&lt;br /&gt;- Você é daqueles homens que os ocultos falam através de você? Dizendo coisas que não é você que está falando mas sim eles?&lt;br /&gt;- Não Odorico, isso é coisa de fofoqueiro. Brincou o escritor.&lt;br /&gt;- Não tente me enrolar, não. Agora já sei, você é um medium.&lt;br /&gt;- O que é isso? Aterrizou o escritor.&lt;br /&gt;E Odorico, com seu ar acadêmico, partiu para a explicação.&lt;br /&gt;- Médium é o sujeito que fala pelos que não podem mais falar. Os que já foram dessa para uma melhor, entende? E isso vale para quem escreve também. E quer saber? O que você escreve não tem valor nenhum, vem do oculto. És um impostor.&lt;br /&gt;Pobre escritor. Ficou meio atordoado e quase convencido. Será mesmo que nada do que escrevia tinha valor? De onde vinham tantas idéias? Toca o telefone.&lt;br /&gt;- Seu cachorro. Quem é essa aí do conto de hoje? Não sou eu. Você nunca me disse isso? Quem é essa vagabunda? Seu miserável!&lt;br /&gt;Outra paulada. Talvez Odorico tivesse razão, numa emergência, melhor culpar o além.&lt;br /&gt;- Sei lá amorzinho. Isso é coisa do oculto. Sabia que eu sou médium? Perguntou sem muita convicção.&lt;br /&gt;Ela bate com o telefone na cara dele. Chegou a doer. Odorico testemunha a cena e até concorda com o amigo, mas prefere não se envolver. Retira-se meio decepcionado.&lt;br /&gt;Com os pensamentos embaralhados, o escritor pega o jornal de Domingo onde lê “ os escritores são assim mesmo, têm alucinações, ouvem vozes. Sofrem de uma espécie de esquizofrenia, quase sempre benigna”. Relaxa sorridente, com o consolo de outra escritora.&lt;br /&gt;Entre médium, farsante ou cafajeste, conforta-se em padecer dessa feliz enfermidade esquizofrênica.&lt;br /&gt;Nota: O texto transcrito foi retirado da coluna Contos Mínimos, de Heloisa Seixas, Revista de Domingo do JB, edição de 05/9/2004.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109656009413058197?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109656009413058197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109656009413058197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/09/estranha-felicidade.html' title='Estranha Felicidade'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109362637823911954</id><published>2004-08-27T14:03:00.000-03:00</published><updated>2004-08-27T14:06:18.240-03:00</updated><title type='text'>Frustrações Olímpicas</title><content type='html'>Tomavam um chope num bar qualquer. Daqueles geladinhos, colarinho branco igual Chantilly. Chopinho daqueles que não servem para nada além de jogar conversa fora.&lt;br /&gt;Conversas perigosas. Nessas, acabam sendo ditas verdades contundentes.&lt;br /&gt;Sorriem quando avistam um cartaz convidando para o encontro anual da Confraria do Peru Sadio.&lt;br /&gt;Estranha confraria. Na verdade ficam em dúvida quanto a tratar-se de uma peça publicitária ou convite de algum bloco carnavalesco composto por animados foliões fálicos.&lt;br /&gt;- Faço parte dessa confraria. Engraçou-se ele, com segundas intenções.&lt;br /&gt;Ela corresponde:&lt;br /&gt;- Claro meu amor, você é o vice-presidente.&lt;br /&gt;Silêncio tumular. Uma bomba atômica para quem nasceu em Madureira.&lt;br /&gt;Não resistiu:&lt;br /&gt;- Espere aí amorzinho, se eu sou o vice, quem é o presidente?&lt;br /&gt;Na cabeça dele o presidente seria superior ao vice. Considerando a confraria isso era uma afronta. E pior, afirmado pela própria mulher.&lt;br /&gt;Tinha uma certa razão, mas ficou sem resposta. Ela apenas sorriu e acariciou-lhe a face.&lt;br /&gt;Cínica.&lt;br /&gt;Ninguém soube se era um sorriso de ironia ou apenas um disfarce. Escapismo.&lt;br /&gt;Resolveu mudar de assunto para não aguar o chope. Olimpíadas era o tema. Comentava uma reportagem publicada em algum lugar que discorria sobre a beleza dos atletas olímpicos, quando ela disparou:&lt;br /&gt;- Queria tanto conhecer um esgrimista. E suspira.&lt;br /&gt;E ele novamente se oferece:&lt;br /&gt;- Você já conhece um.&lt;br /&gt;Se sente poderoso.&lt;br /&gt;E ela, na sua diabólica ingenuidade:&lt;br /&gt;- Claro meu querido, adoro seu punhal. Mas eu queria conhecer um esgrimista mesmo. Daqueles de espada, sabe?&lt;br /&gt;Ele definitivamente se cala. Não era o seu dia.&lt;br /&gt;Ganhou duas medalhas de prata.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109362637823911954?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109362637823911954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109362637823911954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/08/frustraes-olmpicas.html' title='Frustrações Olímpicas'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109294250326114057</id><published>2004-08-19T16:07:00.000-03:00</published><updated>2004-08-19T16:08:23.260-03:00</updated><title type='text'>Anafrodisíaco</title><content type='html'>Viviam num amor profundo. Carinhoso e erótico.&lt;br /&gt;Tinham prazer até no olhar, coisa de apaixonados.&lt;br /&gt;Por sugestão dela, descobrem um lugar bucólico, na serra, ideal para uma noite de amor inesquecível.&lt;br /&gt;Nesses momentos, surgem aquelas fantasias que só os amantes tem. Aqueles que gostam mesmo do amor, do prazer.&lt;br /&gt;Ela, se via em lençóis macios, aquecida pelas pernas dele, pelos braços, pela barriguinha dele. Os que amam, padecem de bela miopia e não vêem defeitos em seus pares. Imaginava-se, ainda, em delirantes orgasmos múltiplos, dominada pelo companheiro objeto de seus desejos. Sonhos nunca declarados.&lt;br /&gt;Ele, começava pelo sexo. Via-se como um alazão andaluz, poderoso, viril, gozando de um prazer múltiplo. O seu próprio e outro contemplativo, admirado em ver sua adorável parceira gemendo, quase louca de prazer.&lt;br /&gt;Também imaginava um bom vinho, um bom jantar, beijinhos e carícias.&lt;br /&gt;Ainda eram fantasias, mas sabiam que poderiam concretizá-las, os olhares que se cruzavam atestavam isso.&lt;br /&gt;E foram.&lt;br /&gt;Chegam e são recepcionados pelo proprietário. Um senhor de meia idade, voz flácida e trejeitos que não chegavam a comprometer, embora essa combinação invariavelmente conduza a desconfianças preconceituosas. Mas, um somelier.&lt;br /&gt;Apresentou-lhes a adega e a mulher. Essa sim, induzia a certezas indescritíveis. Tinha porte de devassa. Olhar lascivo, cabelos negros pintados e corpo bem cuidado. Cuidava da cozinha. Talvez das panelas e dos demais ajudantes.&lt;br /&gt;Instalam-se.&lt;br /&gt;Enquanto bebem um bom vinho, imaginam o jantar. Já era tarde e um bom jantar  precipitaria os prazeres que a noite prometia.&lt;br /&gt;Ela sugere com ingênua sofisticação:&lt;br /&gt;- Adoro Canard. Você gosta?&lt;br /&gt;- Nunca comi. É pato? Pergunta ele na sua simplicidade.&lt;br /&gt;- É. Então, hoje você vai experimentar. Você vai adorar. Empolga-se ela.&lt;br /&gt;Ele aceita, embora não fosse muito amigo de emplumados à mesa. Coisas do amor.&lt;br /&gt;Preparam-se e acomodam-se à mesa. Bela mesa. Bem ornamentada, bucólica também.&lt;br /&gt;Na entrada um vinho branco acompanha um prato com um alimento tão disfarçado que não pode ser identificado. Coisas da lasciva cozinheira. Não era saboroso, na verdade encheu um pouco, mas isso não importava. O importante era o amor presente e o prazer por vir.&lt;br /&gt;Chega o Canard. Dourado, um doce molho escorria pelo peito magnífico.&lt;br /&gt;Ele pensou nela. Quase teve uma ereção.&lt;br /&gt;Acompanha um rouge de boa safra.&lt;br /&gt;Comem. Também não era saboroso. Pesa muito na barriga. Não tinham comido nem metade do ex-penado animal e sentiam-se como se tivessem comido um avestruz. Cheios, pesados, indispostos.&lt;br /&gt;Maldizem a ninfomaníaca morena das panelas e seus garotões ajudantes.&lt;br /&gt;Vão para o quarto. Preparam-se. Perfumes e roupinhas cheirosas, prontas para serem arremessadas para longe.&lt;br /&gt;Beijam-se e tentam algumas palavras estimulantes. Evidente impossibilidade.&lt;br /&gt;Sucumbem. Sem perceberem, dormem abraçados. Sem sexo.&lt;br /&gt;Pela manhã, em silêncio, tomam café, pagam uma gorda conta e vão embora. Querem deixar aquele lugar onde, aparentemente, só acontece sexo na cozinha.&lt;br /&gt;No carro ele tenta justificar:&lt;br /&gt;- Me desculpe, não consegui nem tentar nada, apaguei completamente. Você sabe que não sou assim, mas dessa vez.....&lt;br /&gt;E ela:&lt;br /&gt;- Gente, que é isso? Nem acredito. Não vi nada. Acho que dormi antes de você.&lt;br /&gt;Entreolham-se e afirmam juntos:&lt;br /&gt;- Foi o filho da puta daquele pato.&lt;br /&gt;Ao andaluz e sua potra, abatidos por um “canard”, restaram sonoras gargalhadas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109294250326114057?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109294250326114057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109294250326114057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/08/anafrodisaco.html' title='Anafrodisíaco'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109233358634187313</id><published>2004-08-12T14:56:00.000-03:00</published><updated>2004-08-12T14:59:46.340-03:00</updated><title type='text'>Iblis(*)</title><content type='html'> Estranha aquela tribo. Uma criatura sentada no chão, num canto. Vestida de negro. Cabelos negros. Não parecia ter a alma negra. Talvez estivesse tingida, intencionalmente.&lt;br /&gt;Aliás, muito estranha era aquela tribo. Agrupados, vestidos de negro num ambiente onde a presença da luz era tímida.&lt;br /&gt;Todos, ou a maioria, com cabelos longos. Longos e bem cuidados. Tanto, que não era possível distinguir os meninos das meninas.&lt;br /&gt;Mas, eu transitava com desinibição entre eles. Me sentia estranho por isso.&lt;br /&gt;À minha frente, uma figura pintada em vermelho na parede negra, meio humano, sem face, foice na mão, assume posição ameaçadora, trevosa. Mas, nenhum dos presentes parecia sentir-se ameaçado.&lt;br /&gt;Apagam as poucas luzes. E enquanto bombardeiam fumaça no ambiente, surgem cinco figuras louras no palco. Louros. Eram Finlandeses. &lt;em&gt;Childrem of Bodom&lt;/em&gt;. Que diabos é isso? Indaguei. Iblis II sorriu.&lt;br /&gt;A turba agita-se quase em êxtase. Levantam punhos, com gritos de Yeah!&lt;br /&gt;Muitos decibéis de Rock despejados.&lt;br /&gt;E balançam os cabelos para um lado. E balançam para o outro. E repetem. Repetem. Todos acompanham e aprovam com gritos, Yeah!&lt;br /&gt;Por momentos lembro das propagandas de condicionador. Diabólicos, sedutores. Mas é um outro Rock’n Roll. Talvez um &lt;em&gt;Menudo Rock&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Não compreendi muito o que cantavam, ou rosnavam. Identifiquei uns cinqüenta e sete &lt;em&gt;Fuck You&lt;/em&gt; e outros trinta e poucos Mother Fuck, coitadas das mães.&lt;br /&gt; E enquanto os louros e suas cabeleiras tentavam parecer diabólicos para a sua tribo, Iblis II sorria ironicamente daquela santa ingenuidade.&lt;br /&gt;Reconheço presente, um tanto melancólico, sentado em seu velho trono &lt;em&gt;Gibson&lt;/em&gt; o velho Iblis Pai. Roqueiro das antigas, dos tempos de Jimi, Janis, Led, Deep, Black e outros que ainda alimentam as gerações, inclusiva a minha.&lt;br /&gt;Compreendi então porque me sentia tão à vontade. Intimamente eu era um pouco pai daqueles inocentes roqueiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) Ibis é um nome atribuído ao Demônio no Alcorão.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109233358634187313?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109233358634187313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109233358634187313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/08/iblis.html' title='Iblis(*)'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109146440931507573</id><published>2004-08-02T13:30:00.000-03:00</published><updated>2004-08-02T13:38:57.676-03:00</updated><title type='text'>Psicologismo</title><content type='html'>   Outro dia fiz um comentário sobre as conversas com amigos psicólogos. Tenho uma opinião pública sobre o assunto.&lt;br /&gt;   Na medida que as pessoas vão estudando, concluem o curso, a maioria começa a ficar chata. Isso mesmo, chatas.&lt;br /&gt;   Óbvio que a terminologia técnica é necessária e mesmo indispensável para o meio acadêmico e profissional. Uniformiza a comunicação além de obedecer a trâmites relativos ao método.&lt;br /&gt;   Mas, pior que se tornarem chatas, começam a te olhar como se estivessem dissecando sua alma, localizando suas neuroses com precisão cirúrgica, prontas para te aprovarem ou reprovarem.&lt;br /&gt;   Lembro que minha primeira aula, no curso de Psicologia, foi de Antropologia Cultural. O professor, um sujeito paradoxalmente sério e engraçado, fez a seguinte pergunta aos 40 e poucos alunos presentes: Porque você escolheu cursar Psicologia?&lt;br /&gt;   As respostas foram sensacionais, mas me impressiona até hoje o seguinte: metade dos alunos, de várias faixas etárias, responderam que tinham escolhido o curso porque queriam se entender melhor (sic!). Se entender melhor, isso mesmo.&lt;br /&gt;   Da metade que sobrou, que achava que já se entendia, a maioria esmagadora afirmou que tinha optado pelo curso porque muitos amigos e colegas afirmavam que eram pessoas que gostavam de ouvir os outros. Atenção, se você não gosta de ouvir os outros isole-se no Tibet e esqueça a Psicologia.&lt;br /&gt;   Uma minoria afirmou que tinha optado por essa profissão porque acreditava que lhes atenderia como tal. Eu, obviamente, menti. Fiz coro com a minoria. Achei melhor. Já pensou se eu digo que tinha optado pelo curso por prazer, porque achava que estudar a mente humana e suas manifestações seria estimulante? Pensariam que tinha um maluco na sala. Eu mesmo me sentiria o maluco da classe.&lt;br /&gt;   Mas, a nota triste, muitos daqueles que não se entendiam ou que eram ótimos para ouvir os outros, conseguem concluir o curso. Continuam sem se entender. A Psicologia entrando por um ouvido e saindo pelo outro, como dizia minha avó em Madureira.&lt;br /&gt;   Abrem um “consultório” e começam a fazer bobagem, ou melhor, a atender os “&lt;em&gt;pacientes&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;   Daí em diante ninguém adoece, somatiza. Ninguém transa, libera a libido. Os pobres dos viciados no fumo têm fixação na fase oral (essa é ótima). Ninguém fala, verbaliza. Não se fala, verbaliza-se. Não se dá opinião, oferece-se alternativas. Ninguém fica triste, sofre angústia.&lt;br /&gt;Parece a “&lt;em&gt;rebimboca da parafuseta&lt;/em&gt;”.&lt;br /&gt;   Traduzindo, é para não entender mesmo, é do tipo “&lt;em&gt;deixa que eu entendo, você é um neurótico&lt;/em&gt;” ( como se fosse ofensa, o cara se sente pior ainda).&lt;br /&gt;   Não precisa nem aprofundar, pergunte o que é. A maioria se enrola.&lt;br /&gt;   No final você vira um código indecifrável e deixa de ser simplesmente gente.&lt;br /&gt;   Quem perde? A Psicologia, que tem comprometido seu papel maior de colaborar para o ser humano sentir-se mais feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Um brinde ao inconsciente, pelo menos ele é sincero: me trata como um idiota.&lt;br /&gt;Beijos&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109146440931507573?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109146440931507573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109146440931507573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/08/psicologismo.html' title='Psicologismo'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109111508235199599</id><published>2004-07-29T12:29:00.000-03:00</published><updated>2004-07-29T12:31:22.350-03:00</updated><title type='text'>Posso Faltar Hoje? </title><content type='html'>Então tá. &lt;br /&gt;Hoje não vim... (Vim também é uma palavrinha esquisita) &lt;br /&gt;Amanhã é sexta. &lt;br /&gt;Um brinde antecipado. &lt;br /&gt;Beijos &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109111508235199599?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109111508235199599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109111508235199599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/07/posso-faltar-hoje.html' title='Posso Faltar Hoje? '/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109102919445843224</id><published>2004-07-28T12:17:00.000-03:00</published><updated>2004-07-28T12:44:26.706-03:00</updated><title type='text'>Que seja feita a Luz.......</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Gosto das coisas claras, bem explicadas.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Sempre achei exotéricos e cientistas uns caras complicados da gente entender. &lt;br /&gt;Tenho uns amigos que quando começam a conversar sobre Psicologia, me matam de rir. É um tal de "projetar o significado e o significante", "introjetar" (Êpa, nem pensar! Em Madureira, só quando a gente bricava de médico com as primas, dos outros, claro!), e por aí vai. E pior, ainda está todo mundo estudando, então vira o Samba do Crioulo Doido. &lt;br /&gt;Tudo bem, vocabulário técnico para o meio próprio. Mas num chopinho? Depois vai reclamar na justiça. Não entendeu? amanhã eu explico. &lt;br /&gt;Mas como sou fã da clareza e da simplicidade, estou transcrevendo um texto do &lt;strong&gt;Ragnarok&lt;/strong&gt;, escrito em&amp;nbsp; 1997. &lt;br /&gt;Agora vejam vocês, o filho nasce, a gente vê ele sair da barriga chorando muito (aliás, metade do corpo ainda estava dentro da barriga da mãe e ele já estava chorando "Rock and Roll, Éeeehhhh...."), escolhe um nome de imperador, Cesar Augusto. O tempo passa e ele se autodenomina Ragnarok, ou Rag. Coisas da clareza e da simplicidade.... &lt;br /&gt;O texto não é original, retirei-o do blog da Leleca (Queria saber quem é Leleca, mas tudo bem, aí vai o crédito) &lt;br /&gt;Mas é isso, lá vai o texto do meu filho fantástico (um deles). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Teoria da Hermenêutica&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é HERMENÊUTICA? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui se segue a explicação por Ragnarok partindo-se dos princípios de Análise Qualitativa, provenientes do século XIV, quando a alquimia do ouro se expandia nos âmbitos sócio-político-econômicos da Idade Média, abalando os alicerces da sociedade feudal - por sua vez exponencial - os preâmbulos de anidridos anfóteros no paradoxo côncavo habitual de nossas refeições obtém-se carbânions e cátions hidrofóbicos.Dispondo apenas das avançadas técnicas siderais de Análise Qualitativa, que tem como essência formações citoesqueléticas híbridas e complementares, não rola. Repete-se: não rola. Sob a luz da teoria atômica de Dalton, é plausível que uma série de fatores mneumonicamente psicossomáticos catalisem reações adversas, contrariando todos os pensamentos aristotélicos e os prismas Markovnikovianos. É válido ressaltar que Einstein verificou experimentalmente que as fenilhidrazonas sujeitas a lapidações propedênticas sucessivas de ressonâncias magnético-pneumáticas a nível de radiatividade JAMAIS apresentarão qualquer vestígio residual de isomeria ótica. Tecnologicamente, é um processo viável. Por isso mesmo, demonstra-se a equação fundamental da Física Quântica sobre a existência dos cinturões de estabilidade nas reações nucleares:Onde: E = mc2c é o produto da constante de Fareday pelo número de Avogadro ao cubo, isto é, a cabeça de Newton;m é a maçã plutoniana combinada ao hidroxônio de Lewis.Por outro lado, por que razão fazer uma fertilização in vitro no corredor do primeiro andar? Ou no quinto andar? Esta questão só os alunos com alto poder polarizante podem esclarecer, a partir do deslocamento da nuvem eletrônica de seus neurônios (sob a ação da acetilcolina, cujo fluido é sinistro).Podemos chegar, assim, à conclusão de que o ponto de equilíbrio do corpo de um indivíduo pentaplóide está intimamente ligado a fermentação das mandiocas aborígenes mutantes (mandioquium aboriginae mutantis) que alimentam os camundongos highlander do biotério, que, após 7 noites de lua cheia, são levados através do corredor da morte até a câmara de gás no laboratório de Biologia, onde tomarão Coca-Cola até total gaseificação. &lt;br /&gt;O aparato utilizado fora, inclusive, usado na década de 40 para aniquilar milhares de pessoas, fossem elas diplóides, triplóides ou tetraplóides. Baseados em tais fatos, formulamos o seguinte parágrafo: &lt;br /&gt;&lt;em&gt;PARÁGRAFO ÚNICO - DA SUA EMBRIOGÊNESE&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Após 4 dias de peregrinação pela Trompa de Falópio, você, o zigoto feliz, cujo intenso esforço e danos psicológicos serão amenizados somente anos depois do nascimento - após diversas sessões psiquiátricas - chega ao endométrio. Atentem, nesta etapa do desenvolvimento você já é taxado de blástula (quem diria!). Imagine você que todo seu ser se resume em sinciotrofoblasto, endoblasto, mesoderma, ácido pirúvico, carborundum, ácido ascórbico, protraglandina, SFH, muco residual, nariz, boca e pernas, e outros que não valem a pena serem mencionados. &lt;br /&gt;Finalmente, é fisicamente hidrolisável um possível supercondutor à base de potássio e carbono. As reservas salinas do Carandiru são ricas neste processo. Mostramos, assim, que é esse o segredo da produção em larga escala do joelho da cantina do colégio.&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é claro? Ele também é muito bom. &lt;br /&gt;Coruja? Eu????? &lt;br /&gt;Um brinde Hermenêutico. &lt;br /&gt;Beijos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109102919445843224?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109102919445843224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109102919445843224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/07/que-seja-feita-luz.html' title='Que seja feita a Luz.......'/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109093764298197749</id><published>2004-07-27T11:07:00.000-03:00</published><updated>2004-07-27T11:14:02.980-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ética e Moral na Clonagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Hoje estou péssimo para escrever. Realmente está difícil. Assunto não falta, falta vontade mesmo. Meu humor está péssimo.&lt;br /&gt;Como o de vocês (Ah,ah,ah, essa foi péssima. Digna de Madureira.), o humor é claro, não deve estar nem de perto igual ao meu, aí vai um post&amp;nbsp;retirado dos meus&amp;nbsp;&lt;em&gt;Diários de Lisboa&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com toda esta polêmica a propósito da clonagem, uma grande pergunta urge colocar:&lt;br /&gt;Alguém que tenha relações sexuais com o seu próprio clone, é homossexual, está a masturbar-se ou apenas se fudeu ?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa foi triste, não?&lt;br /&gt;Argh!, Que dia!&lt;br /&gt;Um brinde com vinho verde do Algarves e uns &lt;em&gt;bulinhos&lt;/em&gt; de bacalhau.&lt;br /&gt;Beijos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109093764298197749?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109093764298197749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109093764298197749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/07/tica-e-moral-na-clonagem-dirios-de.html' title=''/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7723632.post-109086403771747405</id><published>2004-07-26T14:45:00.000-03:00</published><updated>2004-07-26T14:47:17.716-03:00</updated><title type='text'>Ah, ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah, ah, esses Argentinos. </title><content type='html'>Me desculpem, mas ainda não consegui para de rir. Ah,ah,ah,ah,ah,ah. Quando tudo parecia que seria decidido nos pênaltis, numa tarde daquelas, lá vem eles, os Argentinos, e fazem um gol. Timinho esse do Brasil. Nem estava torcendo, estava só assistindo, tinha acabado de acordar. Pensei, minha vida não vai mudar se o Brasil perder para a Argentina, e fiquei ali ouvindo o Galvão Bueno e seus encostos ( não sei porque, mas o Casagrande e o Falcão me parecem dois encostos daqueles que não te largam fácil, não parecem? Olha a cara de cada um deles.) justificando a derrota aos 44 minutos do segundo tempo. E eles enrolaram, seguraram a bola, deram driblinhos (Êta palavrinha!). E, quando o Galvão Bueno e seus encostos já faziam as contas da derrota, ta lááááááááá, goooooooool do Brasil. Melhor que o gol? Claro, a cara deles. Parecia que eu estava vendo toda Buenos Aires, Ah,ah,ah,ah,ah,ah, comecei a rir de novo. Perdoem-me. É preciso ter humildade, eu sei. Respeitar os adversários. Quem são os adversários? Argentinos? Ah,ah,ah,ah,ah,ah. Falar em humildade com Argentino é brincadeira. Fomos para os pênaltis. E foi ainda melhor. Uma bola o goleiro defendeu (aquele goleiro tem um defeito grave, é flamenguista.), a outra está em órbita. E VENCEMOS!!!! Foi doce ver os argentinos, logo após a entrega das medalhas de VICE, tirá-las rapidamente do pescoço e guardá-las no bolso. Como disse o Parreira, essa cena não tem preço. Eu disse que minha vida não ia mudar se o Brasil perdesse para a Argentina? Esquece isso. Comecei uma Segunda-feira ótima. Me sinto renovado. Estou até com vontade de dançar. Um tango, claro! Mi Buenos Aires querido..... Um brinde a Gardel. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7723632-109086403771747405?l=umze.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109086403771747405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7723632/posts/default/109086403771747405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://umze.blogspot.com/2004/07/ah-ahahahahahahah-ah-esses-argentinos.html' title='Ah, ah,ah,ah,ah,ah,ah,ah, ah, esses Argentinos. '/><author><name>UmZé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05694737403868278358</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://3.bp.blogspot.com/_ebT_Tcfyk34/SSyhqZPLaHI/AAAAAAAAADU/Se-28Yj14GQ/S220/ja02.jpg'/></author></entry></feed>
